terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Últimos conselhos de Tiago
TIAGO 5.9-19
INTRODUÇÃO
Apesar de reiterar as exortações feitas nos capítulos anteriores – a guarda da língua; paciência nas tribulações e sofrimento; a importância de honrar a palavra empenhada – Tiago introduz novos assuntos nos seus conselhos finais: o comportamento do crente nos momentos de tristeza ou de alegria; a importância e a objetividade nas orações e a preparação para a volta do Senhor.
Ao relembrar seus conselhos, Tiago revela o quanto estava preocupado com aqueles irmãos e esperava urgentemente uma mudança radical em suas vidas. Note-se que apesar da cobrança de uma postura digna de cristãos, Tiago insistia em confortá-los e encorajá-los. Este deve ser o comportamento do crente.
Aquele que caiu em pecado deve ser exortado, sim. Contudo, antes de qualquer palavra dura, deve-se tentar colocar-se no lugar do outro; usar de misericórdia, sabendo que poderia incorrer no mesmo erro. Deve-se, ainda, encorajar o irmão caído a levantar-se. Lembrar-lhe que Cristo o ama e que você o ama também.
ANÁLISE DO TEXTO
“não vos queixeis irmãos uns dos outros, para que não sejais julgados. Eis que o juiz está à porta.“ (5.9)
Tiago já havia orientado sobre a guarda da língua (cap. 3.1-10 e 4.11). Relembra que devem deixar de lado a maledicência; devem abandonar as críticas destrutivas. Se houver necessidade de correção, que seja feita com paciência e amor. Qualquer julgamento deve ser entregue a Cristo.
Tiago cria que Jesus voltaria naqueles dias e, portanto, quando voltasse julgaria os erros cometidos. Aqueles irmãos não precisavam fazer a tarefa do Justo Juiz.
a questão da paciência e do sofrimento (5.10 e 11)
Tiago retorna ao problema da paciência nas tribulações e sofrimento (1.1-4). Relembra o que sofreram os profetas e o exemplo de paciência e perseverança que deram. Recorda ainda que aqueles que suportam as provações são bem-aventurados.
a honestidade no empenhamento da palavra. (5.12)
Era comum jurar por qualquer motivo. Tiago condena os juramentos, demonstrando o que aprendera com Jesus.
os céus - lugar onde está Deus.
a terra - lugar sagrado criado por Deus.
Havia o hábito de se jurar em nome de Deus, pelos céus ou por um ou mais objetos sagrados. Tiago ressalta que nem Deus nem o objeto poderiam garantir o cumprimento de uma palavra empenhada. Eles não são para serem tomados em vão. A palavra deve ser empenhada com honestidade. Se não for cumprida, ou não houver a intenção de cumpri-la, não deve ser firmada.
o comportamento do crente nos momentos difíceis e na alegria (5.13)
Tiago trata da conduta cristã nos principais momentos da vida. Na doença, é a oportunidade para exercitar-se na oração. De um modo geral, toda enfermidade acaba causando aflição tanto para o doente, quanto para seus familiares e amigos. “Está aflito alguém entre vós?” Aflito tem o mesmo sentido de sofrimento. Este envolve qualquer tipo de tribulação, aperto, enfermidade, necessidade ou privação.
Na alegria, o crente cantando, louvando, não só estará demonstrando sua gratidão, como estará sempre se lembrando da sua dependência dele. Tiago adverte que é nas horas de alegria que o crente tende a se esquecer de Deus.
a oração (5.14-18)
objetiva – para que alguém seja curado. Depois de curado o doente, entendendo ele que necessita da cura maior – a salvação – terá seus pecados perdoados se aceitar a Jesus como Salvador.
a confissão de pecados – esta é a condição para resposta à oração.
Tiago demonstra que se alguém pecou contra o seu irmão, deve ir até ele e declarar verbalmente o seu pecado àquele irmão. Não é para sair confessando um ou mais pecados cometidos para todos ficarem sabendo. Também não é para encobrir pecados. Vá até aquele contra quem pecou, confesse e peça perdão. Se pecou contra a igreja, denegrindo a sua imagem, deve confessar publicamente à igreja.
A oração do justo pode muito em seus resultados.- Tiago ilustra com a vida de Elias, que era igual àqueles cristãos e exercia a oração com resultados. Quando um crente está comprometido com a Palavra, com o Espírito Santo, tudo o que ele pede é respondido. João 14.13 diz: “E tudo o que pedirdes em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho”.
A oração do justo é feita com fé, tem o propósito de glorificar a Deus e manifestar o seu poder.
A pregação do evangelho (5.19)
Trata da responsabilidade que o crente tem com a pregação da Palavra. Quando o crente prega o evangelho está ajudando a salvar uma vida do fogo do inferno.
Cobrir uma multidão de pecados - quando uma pessoa se converte, seus pecados cometidos até aquele momento são perdoados e os que forem cometidos também. Com a conversão do pecador, a quem se pregou a Palavra, os pecados que pressupostamente viria a cometer em sua vida de ímpio são evitados, logo, cobertos.
Aplica-se também ao que prega o evangelho a cobertura de pecados. Quando o crente se ocupa da pregação da Palavra não lhe sobra tempo para pecar.
A VINDA DO SENHOR NA VISÃO DE TIAGO
Tiago cria que Jesus voltaria naqueles dias. Os cristãos estavam sendo perseguidos e ele os exortou a terem paciência, porque o Senhor Jesus estava voltando e logo receberiam a sua recompensa: estar na glória com Cristo.
Como ilustração, ele usa o trabalho do lavrador, que tem uma recompensa: o fruto. O lavrador depende de Deus o tempo todo. Para que dê as chuvas, para que faça a semente germinar, para que o fruto se desenvolva e possa ser colhido. Seu trabalho é exercido com toda a paciência para que o resultado apareça. Ele não planta num dia com intenções de colher no dia seguinte.
as primeiras chuvas - ocorriam na Palestina entre os meses de outubro e novembro; serviam para umedecer a terra para a semente recém-plantada.
as últimas chuvas - ocorriam entre abril e maio e eram necessárias para amadurecer o fruto.
A tarefa do lavrador é de paciência. Preparar a terra, semear e esperar. Tem de colher o fruto na época certa; caso contrário, perde toda a colheita.
A tarefa do crente é semelhante à do lavrador. É o que Tiago quer mostrar. O campo é o mundo. O crente deve preparar a terra, semear a Palavra, para depois colher os frutos. O fruto de que Tiago está falando como resultado final é a volta de Cristo para buscar sua igreja, quando esta, enfim, será glorificada.
CONCLUSÃO
A expectativa de Tiago deve ser também a nossa. Ele cria que a volta do Mestre dar-se-ia em seus dias. Os conselhos finais visavam o preparo daqueles crentes para encontrarem-se com Jesus naquele momento.
Num dos mais lindos conselhos aos cristãos de Roma, Paulo escreve: "Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? (...) Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor." (Rm 8.35, 37-38)
O conselho de Tiago é: “exercitem a paciência!” Uma palavra de alento, com muito carinho, de alguém que deseja o bem e que todos os seus irmãos estejam com Cristo. Não é uma cobrança ou exigência por parte do apóstolo.
O mesmo deve ocorrer com você hoje. Não permita que as provações venham desanimá-lo, mas fortalecê-lo cada vez mais, e que você seja aprovado. Encha o coração de certeza, de convicção, porque Jesus está voltando e ele pode chegar a qualquer momento. Ao mesmo tempo, encoraje seus irmãos nos momentos difíceis. Faça como Tiago.
Leituras diárias
Segunda-feira Mateus 18.15-17
Terça-feira João 14.12-15
Quarta-feira Tiago 1.1-4
Quinta-feira Tiago 2.12-20
Sexta-feira Tiago 3.1-10
Sábado Tiago 5.9-13
domingo Tiago 5.14-19
Sexto Conselho de Tiago- Sejam amigos de Deus
TIAGO 4.1-10
INTRODUÇÃO
Tiago estava informado de vários problemas na Casa do Senhor. O mais grave eram as contendas entre aqueles irmãos. Elas eram geradas por vários motivos: discriminação de pessoas, uso indevido da língua, prática de vida contraditória à Palavra de Deus, disputa pelos primeiros lugares, “dificuldade” para ouvir, predisposição para falar o que não deviam, facilidade para se irar.
Tudo se resumia na carnalidade de alguns irmãos, que acabavam influenciando outros. Aqueles irmãos haviam deixado de lado os padrões ético-morais cristãos, para adotar os valores corrompidos do mundo, tornando-se inimigos de Deus.
Desta vez Tiago vai mais fundo no problema. É mais incisivo na sua exortação. Aqueles crentes, dispostos a alcançarem êxito nos seus prazeres carnais a qualquer custo, agiam como se Deus de nada tivesse conhecimento. Era preciso, a todo custo, reverter a situação.
ANÁLISE DO TEXTO
“guerras e contendas, cobiça e inveja, matais, combateis e fazeis guerras.” (4.1-3)
Tiago contextualiza a situação que havia nas igrejas com as que aconteciam no mundo lá fora. A cobiça e a inveja levavam um povo a guerrear com outro, a ponto de aniquilar com nações inteiras. Ele, então, compara as contendas às guerras que estouravam lá fora e o desamor de uns pelos outros aos combates e homicídios. Ambas tinham o mesmo efeito: destruição de vidas.
deleites – o mesmo que prazeres carnais - o desejo de prosperar financeiramente para ter uma posição maior e melhor para pisotear os demais estava dividindo a igreja.
pedis e não recebeis - aqueles cristãos haviam perdido o propósito da oração. Em vez de exaltarem o nome do Senhor e intercederem para que o Reino de Deus fosse pregado, pediam que fossem cada vez mais abastados.
não recebeis - Tiago demonstra àqueles irmãos que a comunidade não poderia crescer, frutificar, devido a sua mesquinhez, ao seu egoísmo, ao trato dos interesses particulares. De igual modo, enfatiza que na vida secular não prosperavam, não eram abençoados, porque os seus desejos eram puramente carnais. Estavam possuídos por um amor ao dinheiro a ponto de cobiçar, invejar, ensoberbecerem-se e se esquecerem de Deus.
“infiéis, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.” (4.4)
As práticas não cristãs levaram Tiago a chamar aqueles irmãos de infiéis. No original “adúlteras”, numa alusão à Igreja ou a pessoas que são desleais a Deus. Chegaram ao extremo de idolatrar as riquezas e a praticarem atitudes semelhantes às dos ímpios para atingirem seus objetivos. A corrupção era sua principal forma de vida.
amizade do mundo - o mesmo que adotar os padrões de vida do mundo como sendo bons, corretos, para se viver como “cristão”. Sem o senhorio de Cristo. Na realidade, o crente deve viver a ética e a moralidade cristã como ideal de vida. A adoção de valores do mundo leva à inimizade contra Deus – é a máxima de Tiago.
“todavia, dá maior graça. Portanto diz: Deus resiste aos soberbos; dá, porém, graça aos humildes.” (4.6)
soberbos - pessoas altivas, que se julgam autossuficientes; que pensam não precisar de Deus, ou das outras pessoas, para viverem suas vidas. Geralmente são pessoas orgulhosas, que se gabam do seu poder, da sua influência, impunidade, “sabedoria”, etc. Tiago declara que a estas pessoas Deus faz resistência, ou seja, retém a bênção; não permite que seus projetos sejam bem-sucedidos.
dá maior graça - ainda assim, Deus usa de grande misericórdia. Porém, mais ainda com os humildes.
humildes - usada no sentido prático; aquele que busca as coisas espirituais de Deus. A estes, sim, Deus abençoa grandemente.
“Sujeitai-vos, pois, a Deus; mas resisti ao Diabo, e ele fugirá de vós.” (4.7)
sujeitar-se a Deus - submeter-se à sua vontade; desejar estar sob o seu senhorio; viver sob a sua vontade.
resisti ao Diabo - literalmente, não ceder ao seu assédio; resistir aos desejos carnais; à sedução do mundo; às suas ofertas.
e ele fugirá de vós - Tiago ressalta que resistindo aos intentos de Satanás, o crente o afugenta.
“Chegai-vos para Deus, e ele se chegará para vós. Limpai as mãos, pecadores; e, vós de espírito vacilante, purificais os corações.” (4.8)
chegai-vos para Deus - demonstra que quem se afasta de Deus é o homem. Deus está sempre pronto à reconciliação, mas não força o homem a buscá-lo. Este deve ser um ato espontâneo.
limpai as mãos - as mesmas que eram usadas para ajuntar riquezas, para abraçar a corrupção.
espírito vacilante [dobre] - pessoas que querem estar em comunhão com Deus, mas desejam, ao mesmo tempo, os prazeres do mundo.
“Senti as vossas misérias, lamentai e chorai; torne-se o vosso riso em pranto, e a vossa alegria em tristeza.” (4.9)
Aqueles cristãos estavam alegres e conformados com o seu pecado. Tiago declara que eles devem olhar para o seu estado miserável. O quadro deve ser revertido: se querem ser cristãos verdadeiros, se desejam ser abençoados, devem reconhecer os erros e deles arrepender-se sinceramente.
O lamento, choro, pranto, revela que o crente deve quebrantar-se diante de Deus. Declarar para ele que não quer e não mais vai cometer tal pecado.
A maioria das vezes que o crente se arrepende do seu pecado chora, se quebranta. O arrependimento sincero o faz quebrantar-se diante do Senhor.
“Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará.” (4.10)
humilhai-vos - reconhecer o seu estado miserável devido ao pecado.
vos exaltará - ao arrepender-se do seu pecado, o crente possibilita o derramamento de bênçãos sobre sua vida.
CONCLUSÃO
Para crescer em qualidade e maturidade a igreja deve abandonar as contendas, a cobiça, a inveja, a autossuficiência, a amizade do mundo. A autossuficiência tem tornado alguns crentes soberbos demais, até mesmo para fazer a obra do Senhor.
Tiago proclama a necessidade de se resgatar a humildade (1Pd 5.6). Humildade é se colocar na posição de servo sempre, reconhecer o seu irmão como superior a você (Fp 2.3). Declarações do tipo “eu fiz”, “eu realizei”, “eu vou fazer” são frequentes. Quando se deveria dizer: “Se o Senhor quiser faremos...”. A soberba é o maior empecilho para vida cristã, pois impede o crescimento da igreja. Lembre-se: Deus resiste aos soberbos.
Mude sua forma de orar. Adore o Senhor em primeiro lugar. Exalte o nome do Senhor. Depois agradeça-lhe por tudo. De preferência, demonstre sua gratidão listando tudo aquilo que o Senhor tem-lhe concedido. Interceda pelos seus, pela igreja, pelos seus vizinhos, pelos seus colegas de trabalho. Por último, se preciso for, faça seus pedidos. Verifique, contudo, se o que está pedindo trata-se de uma necessidade real ou de “um supérfluo”.
Avalie sua amizade com Deus. Ela está em alta ou em baixa? Tem conversado com seu Amigo diariamente e a todo o tempo? Ou só fala com Ele quando as coisas apertam?
Você pode afirmar que é realmente amigo de Deus? O que você aprendeu no estudo de hoje? De que forma tem enfrentado as tentações? Tem deixado seduzir-se logo à primeira vista, ou tem resistido até o fim? Qual tem sido sua atitude diante do pecado cometido? Tem se arrependido e chorado aos pés do Senhor, ou tem levado uma vida de conformismo com o pecado? Reflita e responda para você mesmo a estas perguntas.
Não permita que as seduções deste mundo o afastem de Deus. Busque uma proximidade constante. Tiago diz: “Chegai-vos para Deus” (v. 8). A presença de Deus será tão perceptível que você poderá falar com Ele do mesmo modo como fala com aquele amigo de que gosta tanto, em uma conversa de “pé de orelha.”
Deus se inclina para ouvir. Se você for amigo de Deus, poderá contar tudo para Ele, ser ouvido; desfrutar de uma companhia constante. Pense nisto.
É tempo de despertamento. Jesus está voltando. Seja amigo de Deus. Descarte a amizade com o mundo.
Leituras diárias
Segunda-feira Tiago 4.1-10
Terça-feira Mateus 6.9-13
Quarta-feira 1Pedro 5.5,6
Quinta-feira Filipenses 2.1-4
Sexta-feira Isaías 41.8-14
Sábado Mateus 6.9-13
Domingo Gálatas 5.22
Quinto Conselho de Tiago- Pratiquem a Palavra de Deus
TIAGO 1.19-27
INTRODUÇÃO
Imaginem uma pessoa vestida com o melhor terno. Por baixo, uma camisa branca, toda encardida e, em algumas partes, com a sujeira bastante visível. Ou ainda, uma mulher trajando um vestindo branco, bem talhado, tecido da melhor qualidade, com uma grande mancha escura, na altura do coração. Ou alguém que se veste com a melhor roupa, porém sem tomar banho, com o corpo todo sujo. Estas coisas não combinam, não é verdade?
A roupagem do crente é chamada na Palavra de Deus de vestes brancas. Deve ser sem ruga ou mancha, tal qual um traje de gala. Na lição de hoje veremos a importância de uma vida “bem trajada” (uma expressão mais amena para vida sem imundícia).
É ilusão. O mundo procura se esconder atrás da religiosidade, numa forma de dizer que está buscando Deus na melhor das intenções. Tiago nos apresenta a verdadeira religião (1.26) e a única forma de vivê-la: praticá-la.
Frequentar a igreja, tornar-se membro, ocupar cargos não faz de uma pessoa um discípulo. Faz-se necessário guardar-se da corrupção do mundo; ler, meditar, apreender e colocar em prática a Palavra.
Tem gente que se melindrar quando ouve uma palavra mais contundente. Seja ela do pastor ou de outra pessoa da igreja. Na realidade quem fala é o Senhor, por intermédio do seu Espírito. O mesmo aconteceu com Tiago. Ele, entretanto, não se estressou, apenas disse: “recebei com mansidão”. Recebamos, pois, com humildade e mansidão aquilo que o Senhor tem a nos dizer.
Análise do texto
“E sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos.” (1.22)
cumpridor - quer dizer executor; praticante daquilo que é proposto ou ordenado.
meramente ouvintes - aquele em quem a Palavra entra por um ouvido e sai pelo outro, como se naturalmente seus ouvidos fossem vazados. É ignorar tudo o que for dito.
Nos versos seguintes Tiago usa a metáfora do espelho (1.23 e 24)
O ouvinte da Palavra – ouve apenas, mas não a cumpre – é semelhante ao homem que se contempla no espelho. No contexto de Tiago, o espelho era de metal polido. A imagem que refletia não era boa, servia apenas para uma breve olhadela. As pessoas se preparavam e usavam o espelho apenas para simples conferência, para ver se tudo estava correto com sua aparência. Por isso, logo se esqueciam de como eram ou estavam vestidos.
“Entretanto aquele que atenta bem para a lei perfeita, a da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas executor da obra, este será bem-aventurado no que fizer.” (1.25)
Tiago está dizendo que o crente que obedece à Palavra tem a vida secular bem-sucedida.
Se alguém supõe ser religioso, deixando de refrear a língua, antes, enganando o próprio coração, a sua religião é vã. (Tg 1.26)
refrear – é aplicado metaforicamente ao cavalo, em cuja língua se coloca o freio para dominar o animal. Tiago não está chamando seus irmãos de animais ou de cavalos, mas ensinando que se colocarem um freio em suas línguas terão domínio sobre todo o corpo. “Controlem a sua língua e o modo de falar”, é o que diz ele. (Tg 1.26)
“A religião pura e imaculada diante do nosso Deus e Pai é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e guardar-se isento da corrupção do mundo.” (1.27)
Tiago refere-se ainda ao evangelho – religião pura e imaculada. A vida do crente deve ser vivida em prol das pessoas, do próximo. Tiago menciona duas classes desassistidas pela sociedade de sua época, mas não eram as únicas. E exorta a voltar-se para elas e servi-las com carinho, com amor, suprindo suas necessidades.
guardar-se isento da corrupção do mundo - A Lei no Antigo Testamento determinava que se alguém houvesse cometido algum pecado deveria oferecer um animal sem mancha e defeito como oferta pela expiação do seu erro. Tiago, conhecedor da Lei, estava persuadindo aqueles cristãos a viverem uma vida isenta da corrupção do mundo.
O CONTEXTO DE TIAGO
Havia contendas nas igrejas dispersas, causadas na sua maioria
pelo egoísmo e o desejo de ocuparem os primeiros lugares; embora ouvissem a Palavra nos cultos, portavam-se como surdos.
O NOSSO CONTEXTO
Será exagero afirmar que ainda hoje existem pessoas egoístas na igreja? Que tratam somente dos seus interesses e, se convocadas a um trabalho de discipulado ou evangelismo, reagem como se não tivessem nada com a vida das outras pessoas?
São visíveis as competições para ver quem é o melhor. Se um irmão apresenta algum projeto, os demais não cooperam porque “não gostam do jeito dele”.
Encontramos pessoas que são prontas para falar – inclusive junto com o pastor quando ele está pregando. Há irmãos que querem ditar normas, costumes, ao pastor e aos outros membros. Irmãos que falam de um evangelho que não leram, não ouviram. Irmãos que declaram que o pastor não doutrina a igreja, mas que na realidade o que falta é a leitura e a prática da Palavra em suas vidas.
Existem dois tipos comuns no mundo: o ateu e o herege. O primeiro nega a existência de Deus. O segundo distorce a verdade bíblica. Ambos são confessos, pois assumem de viva voz os seus pecados.
Na igreja encontramos o ateu e o herege praticantes. O primeiro, embora não negue verbalmente a existência de Deus, nega-o com o seu viver. Age como se Deus não existisse: “Tô nem aí!”. O segundo aprova a verdade bíblica, acha o sermão do pastor fantástico, tudo é muito bom... para os outros.
Há na igreja crente que é pronto para se irar. Na sua ira quer que as pessoas vivam de acordo com a sua interpretação da Bíblia, sem a ajuda do Espírito Santo. Impõe com palavras ásperas a “vontade de Deus” que é tão somente sua.
A igreja tem revelado pessoas que são tardias na leitura da Palavra de Deus e obediência a ela. O ouvir é ainda comum em nossos dias, à medida que o pastor ou outro pregador leem a Palavra para a igreja. O crente de hoje tem privilégio maior que o da igreja primitiva. Tem a oportunidade de acompanhar o que está sendo lido com a sua própria bíblia. Verificar se não houve distorções da Palavra. Ele mesmo pode checar a veracidade do que está sendo veiculado. Contudo boa parte da igreja é vagarosa na postura de ler e obedecer às ordenanças bíblicas.
CONCLUSÃO
A ordem natural das coisas nos mostra que o homem foi feito por Deus com dois ouvidos e uma boca. Naturalmente foi “fabricado” com mais recursos para ouvir do que falar. A capacidade para ouvir é maior e mais ampla do que falar. Portanto, O conselho de Tiago não é nenhum absurdo.
Deus deu ao homem espiritual a capacidade de dominar sobre todas as coisas, em especial, dominar-se a sim mesmo. São vários os ensinamentos sobre o assunto, Tiago apenas aconselha a não se irar.
Pode parecer um paradoxo (mas não é) quando Paulo diz: “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira” (Rm 12.19). Em outra oportunidade, ele diz: "Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira." (Ef 4.26)
Qualquer atitude intempestiva por parte do crente é bastante prejudicial ao Corpo de Cristo, a ele próprio e ao seu próximo. Quando o crente se ira, acaba por esquecer o amor de Cristo. Em que consiste o amor cristão? Consiste em cuidarmos dos outros como cuidamos de nós mesmos.
Se você tem facilidade a se irar por tudo, peça a Deus que lhe dê domínio próprio. Todas as vezes em que surgirem situações para você se irar lembre-se destes ensinos de Tiago. Coloque-os em prática. Você será muito feliz por se controlar.
Está escrito em Provérbios: "Melhor é o que tarda em irar-se do que o poderoso, e o que controla o seu ânimo do que aquele que toma uma cidade." (Tg 16.32)
Leituras diárias:
Segunda-feira Tiago 1.19-27
Terça-feira Romanos 15.4
Quarta-feira 2 Timóteo 3.14-17
Quinta-feira Atos 17.11-12
Sexta-feira Hebreus 5.12-14
Sábado Lucas 11.28
Domingo 1 Tessalonicenses 2.13-14
Quarto Conselho de Tiago- Pratiquem a Palavra de Deus
TIAGO 1.19-27
INTRODUÇÃO
A Bíblia é a Palavra de Deus. É o “manual do Fabricante”. Foi inspirada por Deus e escrita por seus servos para o homem orientar a sua vida.
Quase todo aparelho ou equipamento que você compra vem com um manual. Pequeno ou grande, simples ou mais sofisticado, o que se observa é que sem a utilização do manual é quase certo que alguma coisa, em um dado momento, vai dar errado.
Sem a ajuda do manual é impossível colocar em funcionamento um complexo equipamento. E o homem é o ser mais completo e complexo que Deus criou. Sem o uso da Bíblia, o homem não faz nada correto e “funciona” em condições aquém daquilo que Deus planejou.
A leitura, meditação e a prática da Palavra de Deus conduz o homem a uma vida bem-aventurada, a uma vida de sucesso. Observe que cada parte é importante e harmoniosa entre si. Não dá para ler sem meditar, nem meditar se você não ler. É impossível colocar em prática aquilo de que não se tomou conhecimento (não leu) ou, ainda, que não pensou antes de fazer.
É correto dizer que nenhum manual vem com todas as instruções de funcionamento ou respostas para as dúvidas do usuário. A Bíblia não é diferente neste aspecto. Você não encontrará nela tudo escrito, mas há algo que nenhum outro manual possui: a Bíblia é o único manual que permite ao ser criado conversar e interagir diretamente com o Criador. É um manual que fala, compreende? Esteja pronto para ouvir o que Deus tem a lhe dizer pela sua Palavra.
ANÁLISE DO TEXTO
Tiago abre uma nova série de exortações chamando os cristãos a quem endereçara a carta de “meus amados irmãos”. Esta expressão dá mostras da sua preocupação com eles. O apóstolo escrevia-lhes com a intenção de ajudá-los e não feri-los ou magoá-los. Ele não põe em dúvida a autenticidade da fé daqueles cristãos, mas demonstra que estava sabendo de alguns erros práticos e doutrinários e, por isso mesmo, precisava corrigi-los.
“Sabei isto, meus amados irmãos: Todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar e tardio para se irar.” (Tg 1.19)
todo - significa que ninguém fica de fora; todos devem colocar em prática a orientação dada.
Pronto para ouvir – do latim promptu, que quer dizer “disponível”. Esta disponibilidade deve ser espontânea, sincera; um desejo natural para ouvir. Estar disponível para ouvir, é estar disposto e pronto para obedecer.
Era comum as pessoas ouvirem a Palavra de Deus nos cultos, nas sinagogas. Não havia exemplares da Bíblia como os temos hoje. A Palavra estava nos rolos e manuscritos, que eram lidos pelos líderes religiosos.
Tardio para falar – sem pressa, lento, vagaroso. É ficar calado sem ficar emburrado, sem ficar carrancudo ou trombudo.
O sentido da frase é: o crente não deve precipitar-se em dizer qualquer coisa sem antes ter ouvido e colocado em prática. As consequências da pressa no falar acaba levando o cristão a negar a fé e a contradizer o evangelho (Tg 1.26). “se alguém cuida ser religioso [isto é, nascido de novo pelo evangelho] e não refreia a sua língua, mas engana o seu coração, a sua religião é vã.”
Uma pessoa que é precipitada no falar parece trazer dentro de si uma espécie de panela de pressão, permanentemente colocada no fogo. A água no seu interior está sempre em ponto de ebulição. Basta ouvir algo que vai de encontro ao seu pensamento, desejo ou vontade, e dispara a falar. É aquele “psssssssssssssssssss” da panela de pressão.
tardio para se irar – novamente a orientação para não ter pressa. Desta vez para não se irar. É o “fica frio!” de Tiago. Seja lento, vagaroso, “devagar, quase parando” para se irar. Para descontrair, seja como aquela vela de aniversário que não acende nunca.
“porque a ira do homem não opera a justiça de Deus.” (Tg 1.20)
A ira do homem é obra da carne. Revela falta de crescimento espiritual e imaturidade cristã. As obras da carne só retardam a implantação da natureza moral de Cristo em nós.
A ira indica a impaciência e/ou a intolerância com o próximo. Geralmente é manifesta por palavras permeadas de um sentimento de superioridade e desprezo pelo outro. São ainda acompanhadas de egoísmo, misturadas com o ódio.
Uma prática comum nas nossas igrejas é o que podemos chamar de “indignação justificada”. Em nome de interesses pessoais e egoístas, alguns crentes – ou mesmo um líder – podem atacar os outros com a sua ira e afirmar que estão prestando um serviço a Deus. Partem da premissa que estão agindo “pela Palavra”, em favor da “ordem certa”. Na realidade lutam pelo poder, para estarem em evidência. Esquecem-se de que o crente é chamado para servir.
“Pelo que, despojando-vos de toda sorte de imundícia e de todo vestígio do mal, recebei com mansidão a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar as vossas almas.” (1.21)
despojar - o mesmo que despir; tirar a roupa velha, suja. Livrar-se de tudo aquilo que impede a mudança de vida.
toda imundícia – deve ser entendida no sentido literal: significa sujo ou imundo. No sentido figurado, significa tudo aquilo que suja moralmente. Aponta o caráter do velho homem; os pecados em geral outrora cometidos.
e todo vestígio - qualquer atitude que volte a revelar o caráter do velho homem.
Um exemplo: a roupa suja, quando mal lavada, apresenta vestígios de sujeira. O crente que não se despoja das impurezas e padrões do mundo revela que não foi totalmente transformado. Se vez por outra comete pecados que contradizem a vida de uma nova criatura, isto é o que Tiago chama de vestígios, sombras do passado de trevas. Outro exemplo: uma pessoa que falava muitas palavras torpes antes de se converter e, agora que é nova criatura, deixa escapar de quando em vez alguma palavra torpe. Ou ainda, uma pessoa que, no passado, só falava da vida alheia, agora como cristão vez por outra faz uma “fofoca santa”.
recebei com mansidão - com humildade. Tiago exorta que o crente deve reconhecer o erro com humildade todas as vezes que contrastar sua vida com a Palavra. É reconhecer a própria necessidade de mudança e, desta forma, acolher a Palavra.
a palavra em vós implantada:
palavra - o próprio evangelho
implantada - o mesmo que inserida dentro do contexto. Antes não se tinha recebido o evangelho; agora ele está enxertado em sua vida.
“a qual é poderosa para salvar as vossas almas”
Com a ação regeneradora do Espírito Santo, a Palavra é capaz de levar à perfeição da obra da salvação.
CONCLUSÃO
Você tem o compromisso consigo de ouvir a Palavra e isto implica obedecer a ela. É ouvir e colocar em prática.
Quando falar, certifique-se de que suas palavras estão de acordo com a Palavra. Reflita antes se o que vai dizer não irá ofender ou magoar o seu irmão.
Pondere se a sua franqueza é de fato falar com sinceridade, ou se faltará com a educação.
Se você deseja ser bem-sucedido em seu viver, deve ler, meditar, colocar em prática tudo o que aprendeu na Palavra de Deus.
Leituras Diárias
segunda Tiago 1.19-27
terça Romanos 12.17-21
quarta Provérbios 12.16
quinta Provérbios 29.8, 20 e 22
sexta Efésios 4.30-32
sábado Jó 5.2
domingo Colossenses 3.8
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Terceiro Conselho de Tiago- Exercitem o domínio da língua
TIAGO 3.1-12 E 4.11
INTRODUÇÃO
São incalculáveis os danos que uma pessoa pode causar à igreja quando não usa adequadamente sua língua. Seus efeitos podem ser comparados à implosão de um prédio, que em poucos segundos vem abaixo por ter a sua base minada por explosivos.
A palavra de Tiago é dirigida especificamente aos mestres e àqueles que desejavam esta vocação. Tiago adverte que a responsabilidade do mestre é grande, pois as suas palavras podem edificar ou destruir vidas, se usadas com bons ou maus intentos.
Ainda que nominalmente nem todos sejam mestres, o crente, cuja vida deve servir de modelo, de exemplo, aos que estão à sua volta, tem no uso da língua a responsabilidade de salvar vidas pelo ensino e pregação da Palavra. Ao contrário, o que vemos hoje, são irmãos usando suas línguas para ferir, amaldiçoar, blasfemar, maldizer, mentir, murmurar, dizer palavras torpes...
O Conselho de Tiago é que “não convém, meus irmãos, que se faça assim (Tg 3.10b)”. O crente deve usar adequadamente sua língua exercendo pleno domínio sobre ela.
ANÁLISE DO TEXTO
“não sejais muitos de vós mestres.” (Tg 3.1)
A advertência é para aquele que aspira ao magistério com réprobas intenções: para ter a honra de mestre; para ensinar o que não está disposto a fazer; para ferir as demais pessoas com palavras duras. Tiago diz que do mestre são maiores as cobranças. Por isso mesmo receberá juízo mais severo.
Três metáforas: cavalos, navios, fogo. (Tg 3.3-6)
Tiago usa estas três metáforas para falar do poder destruidor da língua quando mal usada. As duas primeiras servem para ensinar o modo como dominá-la. A terceira revela o seu poder destruidor.
O cavaleiro consegue dominar um cavalo apenas com um pequeno freio colocado na boca do animal. O timoneiro, com a ajuda de um pequeno leme, consegue conduzir o navio para onde quer, mesmo em meio à tempestade.
Para o apóstolo, o homem que põe um freio na sua boca consegue dominar sua personalidade inteira (Tg 3.2). Se o crente puder controlar sua língua é quase certo que poderá controlar tudo o mais. Entretanto, se não controla sua língua, fugir-lhe-á o controle das demais áreas da sua personalidade. O resultado disto é a destruição de tudo o que está à sua volta e de si mesmo.
“gaba-se de grandes coisas” – (Tg 3.5)
O uso desenfreado da língua leva à vaidade, à vanglória, à soberba com que certos crentes aplicam a sua língua. Alguns cristãos exaltavam a sua “sabedoria”, as suas posições de mestres, como se fossem detentores da fonte do saber.
Outra metáfora – a língua é um fogo (Tg 3.6)
Tiago chama a atenção para os efeitos de uma língua não controlada pelo Espírito Santo: é um fogo destruidor. Assemelha-se a uma fagulha que incendeia toda uma floresta.
Tiago ilustra com a metáfora do fogo o poder destruidor da língua. O fogo, que começa com uma centelha, destrói uma floresta inteira, consumindo tudo o que está a sua frente. Quando tiver destruído tudo por si mesmo se destrói, apaga, por não ter mais o que consumir. Do mesmo modo, a língua tem semelhante poder destruidor.
contamina o corpo inteiro - a língua leva o indivíduo a toda a sorte de pecado. Pelas palavras de sedução, a língua conduz uma pessoa ao adultério. Leva à mentira, à maledicência, à contaminação do corpo.
inflama o curso da natureza – no texto, inflamar quer dizer incendiar, destruir. Deus deu um curso natural a todas as coisas. A natureza é regida por leis que o Criador estabeleceu. Tiago ressalta que até mesmo o curso da natureza está em perigo quando a língua é mal empregada. A língua tem também o seu curso natural. Tiago revela que a língua foi dada ao homem para bendizer ao Senhor e também aos nossos semelhantes (Tg 3.9,10). Mas o mal uso perverte o seu curso natural, levando-a a amaldiçoar vidas e ao próprio Deus.
“mas a língua, nenhum homem a pode domar” (Tg 3.8)
O homem natural, que não tem o Espírito Santo, não consegue, por suas próprias forças, frear e dominar sua língua. Contudo, o homem espiritual somente terá domínio sobre sua língua se deixar-se dirigir pelo Espírito Santo. Assim, obedecerá ao que diz a Palavra.
“está cheia de peçonha mortal” - a serpente tem em suas mandíbulas uma “bolsa” de veneno. Quando pica sua vítima, a bolsa é comprimida e o veneno escorre pelas presas e o veneno é injetado. A língua, quando usada para o mal, é tal qual a peçonha percorrendo o corpo da vítima: mata ou destrói. É a arte de “detonar” pessoas. Poucas palavras são suficientes para tirar um irmão da frente de trabalho, causar constrangimento, desconforto e desânimo, a ponto de não mais voltar à igreja.
“com ela bendizemos ao Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus.” (Tg 3.9)
A palavra amaldiçoar na língua original significa “invocar o mal, orar para que venha o mal, proferir imprecações contra.” Tem o objetivo de prejudicar e degradar. Tiago adverte que amaldiçoar o próximo, feito à imagem e semelhança de Deus, é o mesmo que amaldiçoar o Criador.
“não faleis mal uns dos outros.” (Tg 4.11)
A crítica de Tiago deve-se à atitude de se falar mal da pessoa ausente, que não tem como se defender. A palavra que ele usa tem o sentido de denegrir, difamar. A ordem expressa é parar com tal atitude por comprometer o evangelho.
O CONTEXTO DE TIAGO
Os mestres existentes estavam pervertendo os ensinamentos da Lei e o evangelho recebidos. Usavam o ensino para autoglorificação, como trampolim para galgarem os primeiros lugares e, por este motivo, espantavam os demais irmãos. Havia, por parte de alguns, o desejo de se tornarem mestres sem terem sido preparados pelo Senhor para esta tarefa. A maledicência estava arraigada naquela comunidade cristã. Aqueles irmãos acusavam-se entre si, mas nas reuniões fingiam piedade uns dos outros.
O NOSSO CONTEXTO
Tal qual nos dias de Tiago, há um número considerável de pessoas que querem ser mestres aos seus olhos. Geralmente apregoam o que não está escrito na Bíblia, distorcem a verdade bíblica difundem sua própria ideologia.
Os poucos mestres que encontramos na igreja pecam pela negligência de não lerem a Bíblia (Rm 12.7). Quando a leem, o fazem às carreiras. Pouco ou nada têm a acrescentar com os seus ensinos. São superficiais em suas experiências e conhecimentos espirituais. Esqueceram-se de que o mestre aos olhos de Deus é aquele que conhece a sua vontade e sabe conduzir o homem à presença de Deus.
A maledicência impera na igreja hoje e parece ser o mal que mais tem afastado as pessoas do evangelho. A igreja é vista como local de fofocas. Irmãos que falam mal dos músicos, do pastor, do culto, dos moços, dos velhos, da Bíblia, de Deus. Tornaram-se constantes expressões do tipo “Não é para falar mal, mas”, “Já sabe do bafão?” “Você precisa saber da última!” e introduzem-se os comentários maldosos. Pode-se não ter tempo para ler a Bíblia, orar, evangelizar, mas há tempo de sobra para as fofocas.
As acusações estão por toda a parte. Qualquer coisa que sai errado na igreja há trocas de acusações severas. Tem de haver um culpado sempre. Será que Deus está satisfeito com tudo isto?
CONCLUSÃO
Na minha infância era comum o meu pai advertir-me com a expressão “dobre a sua língua”, dizendo o mesmo que “meça as suas palavras”.
Como crente você deve pensar nas consequências que lhe trarão as palavras que vier a proferir. Se usar sua língua para o bem, sua vida será uma bênção para o evangelho e o próximo.
Quando alguém chamá-lo(a) para falar da vida de outra pessoa, tome cuidado. Se você perceber de imediato que a conversa não será nada edificante, seja categórico e não prossiga. Proponha uma oração pelo irmão que está sendo apontado pelo outro. Sugira procurar o seu pastor para expor os fatos. Ele saberá lidar com a situação e, certamente, buscará a melhor forma para solucionar o problema.
A maioria das pessoas que se deixam envolver em conversas maledicentes ou fofocas acabam se arrependendo amargamente. Pagam um alto preço, chegando à conclusão que escolheram o caminho errado.
Use sua boca para louvar e os seus lábios para glorificar a Deus. Peça ao Senhor que o(a) ajude a refrear sua língua em todo o tempo, e só usá-la para abençoar o seu irmão.
Leituras diárias:
segunda-feira Provérbios 18.21
terça-feira Tito 2.7-8
quarta-feira Tiago 1.26
quinta-feira Tiago 3.1-6
sexta-feira Tiago 3.7-12
sábado Tiago 4.11
domingo I Pedro 3.10
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Segundo Conselho de Tiago- Não façam acepção de pessoas
TIAGO 2.1-13
INTRODUÇÃO
Não é preciso grande esforço ou a realização de pesquisa sofisticada para percebermos que o fazer acepção de pessoas tem ocupado lugares nas nossas igrejas. Do mesmo modo, as preferências por outras tem transformado pessoas em ídolos, o que tem causado prejuízo à vida cristã de muitos.
Infelizmente há irmão que pretere o outro por causa da cor da pele, da aparência, pelo modo de falar ou de se vestir. Irmão de melhor situação financeira que despreza o pobre e vice-versa. Há também aquele que manifesta claramente sua(s) preferência(s) por puro interesse pessoal. Esforçam-se por estar sempre perto de alguém que está à frente de alguma área da igreja. E se um irmão ou irmã que não é do seu agrado se aproxima, agem como se dissessem “não o(a) quero por perto!” ou “Eu não o(a) chamei, o que você está fazendo por aqui?”.
Creio que não precisamos ilustrar ou estender mais estas observações. A discriminação de pessoas tomou uma proporção tão grande em o nosso meio que precisamos olhar mais detidamente para a palavra e bani-la de uma vez por todas do seio da igreja.
Esse não é um mal de hoje. Tiago enfrentou o problema da acepção de pessoas com um apelo à reconsideração da fé cristã. Uma pessoa que deseje professar a fé em Jesus Cristo, declarando-o como Senhor e Salvador de sua vida, não pode viver discriminando pessoas. Na realidade todos querem ser aceitos, bem recebidos, e discriminar é a raiz do problema.
O que é acepção de pessoas?
Acepção de pessoas: a tradução do grego quer dizer: recepção de face; ver pela aparência. Pessoa que age com parcialidade; que tem um favoritismo por alguém, achando-se mais valor nesse alguém favorito, geralmente com interesse pessoal.
Tiago demonstra que, se uma pessoa professa sua fé em Jesus Cristo, deve ocupar-se em aprimorar a sua vida em relação ao Filho de Deus. De que maneira: tratando seu irmão como gostaria de ser tratado, amando-o como a si mesmo (Mt 7.12; Tg 2.8).
Bíblia na Linguagem de Hoje: “Vocês que creem no nosso glorioso Senhor Jesus Cristo, nunca tratem as pessoas de modo diferente por causa da aparência delas”.
Bíblia Viva: “Queridos irmãos, como vocês podem alegar que pertencem ao Senhor Jesus Cristo, o Senhor da glória, se mostrarem preferência por gente rica e desprezarem os pobres?”.
Jesus não demonstrava ser o melhor, embora fosse o Filho de Deus. Não tinha preferência por pessoas em detrimento de outras. Tinha profundo amor por elas. Para ele todas eram iguais e tratadas por ele de modo igual. “mas se fazeis acepção... cometeis pecado” (Tg 2.9).
Considerando o irmão
Tiago era profundo conhecedor da Lei e esta combate com veemência a acepção de pessoas. Além disso, Tiago andou e conviveu com Jesus e os demais apóstolos, que não discriminavam seus semelhantes. Para Tiago, tanto para a Lei, quanto para o evangelho, todos eram iguais. E, como em toda comunidade cristã há pobres e ricos, o autor da carta faz as seguintes considerações:
Tiago 2.5 – “não escolheu Deus os que são pobres quanto ao mundo para fazê-los ricos na fé e herdeiros do reino que prometeu aos que o amam?”.
pobres quanto ao mundo - literalmente, os sem dinheiro, sem posição social, sem bens materiais a oferecer, os mais desfavorecidos socialmente em tudo.
ricos na fé e herdeiros – o mesmo que dono, possuidor de uma herança.
Tiago chama a atenção de que os verdadeiros ricos eram os pobres materialmente falando, ou seja, os herdeiros de Deus, co-herdeiros com Cristo.
Tiago 2.8 – “se estais demonstrando amor ao próximo fazeis bem”.
Quem é o próximo? Biblicamente falando, e segundo o que aprendemos de Jesus, próximo é todo o ser humano. Se olharmos para João 3.16 – “Porque Deus amou o mundo” – podemos afirmar que o próximo são todos os homens, toda a humanidade.
fazeis bem - a afirmativa de Tiago demonstra que se isto estivesse acontecendo aqueles cristãos amavam a Deus. Amar o próximo é a outra forma de amar a Deus.
Tiago 2.12 – “falai de tal maneira e de tal maneira procedei”.
Alguns judeus-cristãos traziam consigo o hábito de se gabar de serem cumpridores da Lei. Para Tiago o evangelho incorporava (no sentido de aglutinar) a Lei em vez de eliminá-la. Como cristãos deveriam falar e viver o evangelho.
Tiago 2.13 – “porque o juízo será sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia”.
Tiago chama a atenção para a necessidade de se exercer a misericórdia com o próximo, o que estava sendo deixado de lado por aqueles cristãos.
misericórdia significa compaixão. É ser sensível ao próximo, principalmente com a sua dor e sofrimento. É ter piedade, exercer o amor.
O CONTEXTO DE TIAGO
Aqueles cristãos estavam dando preferência aos ricos em detrimento dos pobres. A discriminação era visível, pois ofereciam os melhores lugares aos ricos, que portavam anéis nos dedos e vestidos de tecidos finos, onde todos podiam contemplá-los.
Por causa da roupa simples e surrada o pobre era definido como alguém que nada podia oferecer à comunidade. Se um pobre se sentasse no banco, ninguém se sentava com ele. Se não havia lugar, era obrigado a sentar-se sob os pés dos ricos (Tg 2.2,3). Isso demonstrava duas coisas. Primeiro, que aquele irmão era inferior aos demais. Segundo, seu lugar naquela comunidade deveria ser o mesmo da sua posição social: embaixo, inferior, sob.
Aqueles cristãos não viam – ou não queriam ver – é que eram os ricos que cobravam violentamente dos pobres por quaisquer questões, levando-os constantemente aos tribunais. Não havendo quem defendesse sua causa, o pobre era sempre derrotado (Tg 2.6).
O NOSSO CONTEXTO
Infelizmente o problema se repete em nossos dias. Nas nossas igrejas há discriminação de pessoas com base em todo tipo de preconceitos: racial, social, intelectual e até espiritual. Este, parece ter-se tornado uma epidemia, com crentes achando-se mais consagrados e/ou espirituais que os outros. Comportam-se como aquele fariseu que orava no Templo (Lc 18.13).
Um fato que nos chama a atenção hoje é: quando um crente está doente busca, a todo custo, ser curado. Se há uma ferida no seu corpo, faz de tudo para que ela feche e cicatrize. Rejeita o pensamento da possibilidade de ter de amputar um membro do seu corpo.
Quando um irmão peca, considera o pecado do outro como “imperdoável”. Logo, um mal incurável. Este mesmo irmão é taxativo na sua sentença: “Pastor, temos de disciplinar este irmão; ele não pode continuar fazendo parte do rol de membros da nossa igreja”. O desejo carnal de justiça se faz presente e ele pede logo a “amputação” do membro quase indefeso.
E se fosse com você? Reflita sobre isso.
Tiago, porém, adverte: “porque o juízo será sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia.” (Tg 2.13)
CONCLUSÃO
A proposta para os dias de hoje é a de espelharmos a nossa fé em Cristo pela comunhão e não no fazer acepção de pessoas. Há ainda irmãos querendo escolher as pessoas que devem ou não fazer parte da igreja do Senhor. Tal pensamento não pode fazer parte da sua vida.
“Este tipo de procedimento lança uma interrogação sobre a fé que vocês têm – você, afinal de contas, é realmente um cristão? – e mostra que vocês estão sendo dirigidos por propósitos errados.” (Tg 2.4, Bíblia Viva).
Tiago ensina o que pode acabar com a acepção de pessoas na igreja: o amor ao próximo. “Se estais demonstrando amor ao próximo fazeis bem” (Tg 2.8).
Conta-se que Gandhi, o grande oponente do sistema de castas, foi a uma igreja evangélica na África do Sul para ouvir um amigo inglês pregar. Ao aproximar-se da porta foi impedido de entrar devido à cor de sua pele. Gandhi encontrou o mesmo sistema de castas em uma igreja que pregava o amor de Deus.
Será que não temos agido da mesma forma quando convidamos “pessoas especiais” para “programas especiais”? E deliberamos em os nossos corações que outras “não especiais” não devem ser convidadas a participar?
Jesus ia ao encontro das pessoas. O estado em que elas se encontravam não era empecilho para ele se aproximar e demonstrar-lhes o seu amor.
Apenas um exemplo: a igreja faz acepção de pessoas quando reluta para não realizar uma cantata no alto do morro, no meio da favela, listando uma série de obstáculos, apresentando desculpas e mais desculpas, como “não vai dar certo!”, “E se chover?”, “Eles não vão querer!”... Mas demonstra o amor ao próximo quando envida todo esforço para que a mesma cantata aconteça, como um presente dos céus para aquelas pessoas.
Leituras diárias:
segunda Tiago 2.1-7
terça Tiago 2.8-13
quarta Deuteronômio 1.17; 16.19
quinta Mateus 7.12
sexta Lucas 18.9-14
sábado Atos 10.34,35
domingo Romanos 10.12
TIAGO 2.1-13
INTRODUÇÃO
Não é preciso grande esforço ou a realização de pesquisa sofisticada para percebermos que o fazer acepção de pessoas tem ocupado lugares nas nossas igrejas. Do mesmo modo, as preferências por outras tem transformado pessoas em ídolos, o que tem causado prejuízo à vida cristã de muitos.
Infelizmente há irmão que pretere o outro por causa da cor da pele, da aparência, pelo modo de falar ou de se vestir. Irmão de melhor situação financeira que despreza o pobre e vice-versa. Há também aquele que manifesta claramente sua(s) preferência(s) por puro interesse pessoal. Esforçam-se por estar sempre perto de alguém que está à frente de alguma área da igreja. E se um irmão ou irmã que não é do seu agrado se aproxima, agem como se dissessem “não o(a) quero por perto!” ou “Eu não o(a) chamei, o que você está fazendo por aqui?”.
Creio que não precisamos ilustrar ou estender mais estas observações. A discriminação de pessoas tomou uma proporção tão grande em o nosso meio que precisamos olhar mais detidamente para a palavra e bani-la de uma vez por todas do seio da igreja.
Esse não é um mal de hoje. Tiago enfrentou o problema da acepção de pessoas com um apelo à reconsideração da fé cristã. Uma pessoa que deseje professar a fé em Jesus Cristo, declarando-o como Senhor e Salvador de sua vida, não pode viver discriminando pessoas. Na realidade todos querem ser aceitos, bem recebidos, e discriminar é a raiz do problema.
O que é acepção de pessoas?
Acepção de pessoas: a tradução do grego quer dizer: recepção de face; ver pela aparência. Pessoa que age com parcialidade; que tem um favoritismo por alguém, achando-se mais valor nesse alguém favorito, geralmente com interesse pessoal.
Tiago demonstra que, se uma pessoa professa sua fé em Jesus Cristo, deve ocupar-se em aprimorar a sua vida em relação ao Filho de Deus. De que maneira: tratando seu irmão como gostaria de ser tratado, amando-o como a si mesmo (Mt 7.12; Tg 2.8).
Bíblia na Linguagem de Hoje: “Vocês que creem no nosso glorioso Senhor Jesus Cristo, nunca tratem as pessoas de modo diferente por causa da aparência delas”.
Bíblia Viva: “Queridos irmãos, como vocês podem alegar que pertencem ao Senhor Jesus Cristo, o Senhor da glória, se mostrarem preferência por gente rica e desprezarem os pobres?”.
Jesus não demonstrava ser o melhor, embora fosse o Filho de Deus. Não tinha preferência por pessoas em detrimento de outras. Tinha profundo amor por elas. Para ele todas eram iguais e tratadas por ele de modo igual. “mas se fazeis acepção... cometeis pecado” (Tg 2.9).
Considerando o irmão
Tiago era profundo conhecedor da Lei e esta combate com veemência a acepção de pessoas. Além disso, Tiago andou e conviveu com Jesus e os demais apóstolos, que não discriminavam seus semelhantes. Para Tiago, tanto para a Lei, quanto para o evangelho, todos eram iguais. E, como em toda comunidade cristã há pobres e ricos, o autor da carta faz as seguintes considerações:
Tiago 2.5 – “não escolheu Deus os que são pobres quanto ao mundo para fazê-los ricos na fé e herdeiros do reino que prometeu aos que o amam?”.
pobres quanto ao mundo - literalmente, os sem dinheiro, sem posição social, sem bens materiais a oferecer, os mais desfavorecidos socialmente em tudo.
ricos na fé e herdeiros – o mesmo que dono, possuidor de uma herança.
Tiago chama a atenção de que os verdadeiros ricos eram os pobres materialmente falando, ou seja, os herdeiros de Deus, co-herdeiros com Cristo.
Tiago 2.8 – “se estais demonstrando amor ao próximo fazeis bem”.
Quem é o próximo? Biblicamente falando, e segundo o que aprendemos de Jesus, próximo é todo o ser humano. Se olharmos para João 3.16 – “Porque Deus amou o mundo” – podemos afirmar que o próximo são todos os homens, toda a humanidade.
fazeis bem - a afirmativa de Tiago demonstra que se isto estivesse acontecendo aqueles cristãos amavam a Deus. Amar o próximo é a outra forma de amar a Deus.
Tiago 2.12 – “falai de tal maneira e de tal maneira procedei”.
Alguns judeus-cristãos traziam consigo o hábito de se gabar de serem cumpridores da Lei. Para Tiago o evangelho incorporava (no sentido de aglutinar) a Lei em vez de eliminá-la. Como cristãos deveriam falar e viver o evangelho.
Tiago 2.13 – “porque o juízo será sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia”.
Tiago chama a atenção para a necessidade de se exercer a misericórdia com o próximo, o que estava sendo deixado de lado por aqueles cristãos.
misericórdia significa compaixão. É ser sensível ao próximo, principalmente com a sua dor e sofrimento. É ter piedade, exercer o amor.
O CONTEXTO DE TIAGO
Aqueles cristãos estavam dando preferência aos ricos em detrimento dos pobres. A discriminação era visível, pois ofereciam os melhores lugares aos ricos, que portavam anéis nos dedos e vestidos de tecidos finos, onde todos podiam contemplá-los.
Por causa da roupa simples e surrada o pobre era definido como alguém que nada podia oferecer à comunidade. Se um pobre se sentasse no banco, ninguém se sentava com ele. Se não havia lugar, era obrigado a sentar-se sob os pés dos ricos (Tg 2.2,3). Isso demonstrava duas coisas. Primeiro, que aquele irmão era inferior aos demais. Segundo, seu lugar naquela comunidade deveria ser o mesmo da sua posição social: embaixo, inferior, sob.
Aqueles cristãos não viam – ou não queriam ver – é que eram os ricos que cobravam violentamente dos pobres por quaisquer questões, levando-os constantemente aos tribunais. Não havendo quem defendesse sua causa, o pobre era sempre derrotado (Tg 2.6).
O NOSSO CONTEXTO
Infelizmente o problema se repete em nossos dias. Nas nossas igrejas há discriminação de pessoas com base em todo tipo de preconceitos: racial, social, intelectual e até espiritual. Este, parece ter-se tornado uma epidemia, com crentes achando-se mais consagrados e/ou espirituais que os outros. Comportam-se como aquele fariseu que orava no Templo (Lc 18.13).
Um fato que nos chama a atenção hoje é: quando um crente está doente busca, a todo custo, ser curado. Se há uma ferida no seu corpo, faz de tudo para que ela feche e cicatrize. Rejeita o pensamento da possibilidade de ter de amputar um membro do seu corpo.
Quando um irmão peca, considera o pecado do outro como “imperdoável”. Logo, um mal incurável. Este mesmo irmão é taxativo na sua sentença: “Pastor, temos de disciplinar este irmão; ele não pode continuar fazendo parte do rol de membros da nossa igreja”. O desejo carnal de justiça se faz presente e ele pede logo a “amputação” do membro quase indefeso.
E se fosse com você? Reflita sobre isso.
Tiago, porém, adverte: “porque o juízo será sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia.” (Tg 2.13)
CONCLUSÃO
A proposta para os dias de hoje é a de espelharmos a nossa fé em Cristo pela comunhão e não no fazer acepção de pessoas. Há ainda irmãos querendo escolher as pessoas que devem ou não fazer parte da igreja do Senhor. Tal pensamento não pode fazer parte da sua vida.
“Este tipo de procedimento lança uma interrogação sobre a fé que vocês têm – você, afinal de contas, é realmente um cristão? – e mostra que vocês estão sendo dirigidos por propósitos errados.” (Tg 2.4, Bíblia Viva).
Tiago ensina o que pode acabar com a acepção de pessoas na igreja: o amor ao próximo. “Se estais demonstrando amor ao próximo fazeis bem” (Tg 2.8).
Conta-se que Gandhi, o grande oponente do sistema de castas, foi a uma igreja evangélica na África do Sul para ouvir um amigo inglês pregar. Ao aproximar-se da porta foi impedido de entrar devido à cor de sua pele. Gandhi encontrou o mesmo sistema de castas em uma igreja que pregava o amor de Deus.
Será que não temos agido da mesma forma quando convidamos “pessoas especiais” para “programas especiais”? E deliberamos em os nossos corações que outras “não especiais” não devem ser convidadas a participar?
Jesus ia ao encontro das pessoas. O estado em que elas se encontravam não era empecilho para ele se aproximar e demonstrar-lhes o seu amor.
Apenas um exemplo: a igreja faz acepção de pessoas quando reluta para não realizar uma cantata no alto do morro, no meio da favela, listando uma série de obstáculos, apresentando desculpas e mais desculpas, como “não vai dar certo!”, “E se chover?”, “Eles não vão querer!”... Mas demonstra o amor ao próximo quando envida todo esforço para que a mesma cantata aconteça, como um presente dos céus para aquelas pessoas.
Leituras diárias:
segunda Tiago 2.1-7
terça Tiago 2.8-13
quarta Deuteronômio 1.17; 16.19
quinta Mateus 7.12
sexta Lucas 18.9-14
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sábado, 10 de novembro de 2012
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