quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A Teologia de Isaías ( I )

Texto Básico: Is 40.12-31

Introdução
Para nosso entendimento, deixemos de lado as discussões acadêmicas, os termos difíceis, os enunciados complicados, e pensemos com simplicidade. Consideremos Teologia como tudo que tem sido pensado, dito, escrito a respeito de Deus.
Para nosso propósito, consideremos Teologia como aquilo que a Bíblia diz acerca de Deus. Se queremos, verdadeiramente, ter um conhecimento (entendimento) acerca de Deus devemos buscá-lo na Bíblia.
Durante o seu ministério, o Senhor Jesus Cristo foi confrontado com perguntas, com questões difíceis. Muitas vezes queriam pô-lo em dificuldade. Ele sempre respondeu recorrendo às Escrituras (Mt 19.1-6; 22.29-33; Lc 10.25-28; Jo 5.39; etc).
Ora, o profeta Isaías pregou, entregou, proclamou a “Palavra do Senhor”, a “Palavra de Deus”. Quem é o Senhor? Quem é Deus? Como Isaías descreveu, explicou Deus para seus ouvintes ou leitores? A essa descrição, a essa explicação, denominamos de a “Teologia de Isaías”.
A palavra usada centenas de vezes pelo profeta para referir-se a Deus é Senhor (Jeová – ver lição 01, glossário, item 01). Mas emprega vários títulos para referir-se a Deus, ao descrever as ações do Senhor para com o Seu povo.
Isaías, ao recorrer a esses títulos, o faz à luz da Revelação dada ao povo, desde o Gênesis até o seu momento. Usa a história anterior como base de sua comunicação.

1- A Incomparável Grandeza do Senhor

1.1- Expressa na Criação
A Versão Revisada, da Imprensa Bíblica Brasileira (JUERP, 1988), melhor versão bíblica que temos em nosso idioma, intitula o texto de Isaías 40.12-31 como acima. Titulo apropriado.
Se os eruditos estão certos (40.1-11) o texto refere-se à restauração futura de Israel do cativeiro babilônico. Então, os restantes versos encorajam os receptores da mensagem a confiar no Senhor, cuja grandeza é descrita.
Os versos 12,13 e 14 apresentam três questões a serem consideradas:
1- Quem operou no universo medindo águas, os céus, o pó da terra, pesando os montes em balanças? 2- Quem guiou o Espírito do Senhor e lhe deu entendimento? 3- Quem foi seu conselheiro?
O propósito do profeta, com certeza, é animar os exilados, chamando-lhes a atenção para as obras poderosas e sábias de Deus: A grandeza, a beleza, a magnitude do universo é o reflexo da grandeza, da magnitude, do poder do Criador: Deus (Sl 8.1-9; Sl 19.1- 6; Jó 38.1-41). Gosto dos questionamentos levantados na Bíblia. O universo me fascina. Tenho o privilégio de morar no campo (roça) bem onde foi a sede da fazenda de nossa família. Como é inspirador apreciar os crepúsculos matutino e vespertino, cujos quadros só o artista divino é capaz de elaborar.
Como é encantador em ambiente sem poluição, contemplar à noite a multidão das estrelas a tremeluzir, e o Cruzeiro do Sul acima da serra, a cintilar sobre a floresta. Certa noite o pastor Fausto Vasconcelos hospedou-se conosco aqui. Chegamos tarde de uma reunião. Como foi difícil convencê-lo a interromper seu interesse, sua deslumbrância do espetáculo celeste e ir dormir!
Hoje, a Astrofísica nos faz perder o fôlego com as suas descobertas da grandeza, da complexidade, ordem, distâncias intergaláticas, dimensões de astros, etc. (veja-se, por exemplo, a dimensão de Alfa-Hércules* da constelação de Touro). O Deus (Senhor) Criador e mantenedor de todas estas coisas (Is 40.21,26 ). É o criador de Israel, que o ama, que o disciplina, mas não o abandona (Dt 4.30,31). O Deus que construiu tão maravilhosa morada, nunca o abandonará, pois essas maravilhosas dádivas revelam o valor que Ele atribui a Sua criatura.
Israel pode animar-se, descansar na sabedoria, na justiça, no poder, na fidelidade do Senhor (e nós também). Ele o libertará, o restaurará, o trará de volta para a terra que deu em possessão perpétua ao seu povo (Gn 13.14,15; 26.1-6; 28.12-15).

1.2- Expressa na Sua incomparabilidade
A Bíblia não se preocupa em provar a existência de Deus. Ele é realidade tão manifesta, que só não O reconhece quem não quer, ou tem seu entendimento entenebrecido pelo pecado. Quando estudamos a Antropologia geral e Cultural, descobrimos que todos os povos têm uma ideia de Deus (sobrenatural)*. Paulo afirma que Deus é manifesto por meio da criação (Rm 1.18-21; At 14.17; Sl 8.1-9; Sl 19.1-6).
Durante os quinze anos de trabalho missionário na África tivemos oportunidade de conviver com dezenas de etnias em oito países. Juntamente com o pastor Evenos Nunes, atuamos em aldeias no interior. Foi impressionante perceber a religiosidade dessas etnias, sem ter qualquer livro ou escritos de Revelação*.
Assim, a Bíblia descreve Deus por intermédio de suas ações, que traduzem seu “SER”, isto é, sua natureza. Igualmente, a mesma Bíblia não busca provar a existência do Diabo. Ela descreve suas ações, igualmente reveladoras de sua malignidade.
Ao registrar a Revelação do “SER” de Deus, a Bíblia não tem como recorrer a qualquer outra realidade, figura, ilustração, ou padrão de comparação. Deus não tem similares no conjunto da realidade total do universo.
Duas vezes o próprio Senhor pergunta aos destinatários da mensagem enviada por meio do profeta: 1: “A quem, pois, podeis assemelhar a Deus? ou que figura podeis comparar a Ele?” (v.18); “A quem, pois, me comparareis, para que eu lhe seja semelhante? Diz o Santo”. Não há como usar qualquer materialização, ou qualquer parábola para descrever ou explicar Deus. Não há definições de Deus (cf. Mt 11.27). Deus é manifesto por seus atos. Não gastemos tempo, energias mentais, etc., tentando explicar Deus. Leiamos
Sua Palavra e percebamos no seu conteúdo e significado QUEM É DEUS.

1.3- Expressa por Sua ação soberana
Após fazer as perguntas referidas nos itens anteriores (1.1; 1.2; 1.3) o profeta apresenta algumas orientações ou respostas que ajudariam seus receptores a terem melhor entendimento, percepção de Deus (conhecimento em forma de conceitos) *.
Deus é soberano sobre as nações. Estas não vieram a existir por si mesmas. São realidades limitadas, pequenas. São finitas e sujeitas a muitas variações. São constituídas de pessoas (gerações que surgem e desaparecem – vv.15,23).
O Senhor é ilimitado, transcende a tudo (v. 22). O seu domínio vai além de qualquer pretensa avaliação humana. É imutável, eterno. Só o Filho o conhece plenamente, por ser divino (de mesma natureza que o Pai (cf. Mt 11.27).
O Senhor é soberano sobre o universo (criação ou natureza). O Deus em quem Israel deve esperar e crer é aquele que opera no universo, nas coisas físicas, nos astros, e estes o atendem. Ele os criou, os sustenta e os controla (Is 38.8; 2Rs 20.8-11; Js 10.12-14; Hb 1.3).
O Senhor conhece todas as coisas. Nada está encoberto a Ele (40. 27; Hb 4.13). Ainda que o povo pensasse diferente, a realidade é que o Senhor o acompanhava, lhe fazia justiça (Is 41.10).
O Senhor fortalece, restaura, revigora. Ele trará Israel ao seu lugar, o acompanhará e o protegerá. Israel precisa ter confiança (fé). Precisa esperar no Senhor e experimentar toda a grandeza incomparável do Senhor. A mensagem é integralmente válida para o povo de Deus hoje. Somos o seu povo e Ele é o nosso Deus. Amém.


Aplicações

1- O conhecimento de Deus no conteúdo de Isaías é manifesto à base da Revelação dada anteriormente. O profeta recorre à experiência do povo de Deus, acumulada gradativamente na sua história. Nós hoje estamos em muito melhores condições do que os contemporâneos de Isaías, pois temos o conhecimento efetivado na pessoa, vida, obras e ensinos de Jesus.

2- Os ensinos dados por Deus ao seu povo por intermédio de Isaías em forma profética para os tempos posteriores, em boa parte, já se cumpriram, atestando a fidelidade do Senhor.
As profecias acerca da manifestação do Messias e de suas obras já se cumpriram na vinda de Jesus (Lc 24.44,45).

3- O conhecimento necessário à salvação, que há exclusivamente no Senhor Jesus Cristo, não decorre de conhecimentos acadêmicos, mas do que está nas Escrituras (Jo 5.39; Rm 10.13-17). Esta afirmação não é rejeição do conhecimento acadêmico (sistemático) acerca de Deus, pois eu mesmo por longos anos tenho sido professor de teologia e disciplinas correlatas. O que quero dizer é que precisamos conhecer as Escrituras e nos firmarmos nelas, não nos deixando levar pelo fascínio do saber meramente humano.

4- Precisamos nos apegar às Escrituras, como “Palavra de Deus”, lembrando o que ela mesma diz acerca do perigo da “falsa sabedoria”, da “falsa erudição”. (Rm 1.21,22; 1Co 1.18-24; Jó 5.12,13; Is 29.14; Jr 8.9).

Glossário - Notas Explicativas

* 1- Alfa-Hércules: É uma estrela da constelação de Touro. Um gigante. Pensemos em nosso planeta. Pensemos no Sol. Se pudéssemos esvaziar o Sol, torná-lo uma cápsula gigante, poderíamos colocar nela um milhão e trezentos mil planetas terra. A distância terra-sol é de cento e cinquenta milhões de quilômetros. Um objeto voando a 50 mil km/h, levaria 125 dias para fazer o percurso . Pois bem: se fosse possível colocar o Sol num ponto daquela estrela, dar um espaço terra-sol, colocar outro sol e, assim, sucessivamente, poderia repetir-se a operação vinte e cinco vezes. Estrela gigantesca, não é mesmo? Quem, senão somente Deus, poderia criar tal maravilha?

2- Antropologia, Sobrenatural, Revelação.
A Antropologia é a ciência do homem. Procura explicar o que e quem é o homem. Tal estudo enfocado na Bíblia explica quem é o homem, como imagem e semelhança do Criador.
A Antropologia Cultural tenta explicar (descrever) o homem à luz de suas expressões de vida: costumes, tradições, artes, linguagem, crenças, vida familiar, educação, sociedade, etc. Até hoje não se detectou um único grupo humano (etnia) que não tivesse ideia de “sobrenatural” (crença religiosa). Falta-lhes o conhecimento de Deus como revelado na Bíblia. Revelação é, pois, o registro das ações de Deus, como temos nas Escrituras.

3-Conceito e Definição. As publicações em língua inglesa geralmente falam em definições. Hoje já há até um manual usado para candidatos ao pastorado, que são estudados visando ao exame conciliar. Tudo na base de perguntas e respostas. Penso diferente. Não se assustem. O exame deveria ser à base de leitura e exposição de textos bíblicos. Definir (de onde deriva definição) significa circunscrever e descrever rigorosamente o objeto em questão. Imaginemos, por exemplo, definir prego, sapo, camundongo, etc., falando de cada um rigorosamente, sem omitir um único componente, uma única função, característica, qualidade, etc. Se qualquer leitor conhecer tal “mestre”, por favor, avise-me. Muito obrigado.
Conceito refere-se àquela visão geral, panorâmica, que se tem do objeto. Temos ideias básicas de Deus, que nos são fornecidas, dadas, pelas Escrituras. Definir o Senhor (Deus) impossível. O conhecimento que temos de Deus é escriturístico e experiencial (vivencial, resultante da comunhão). Por enquanto, contentemo-nos com o que Paulo e o Senhor Jesus nos dizem (1Co 13.12; Mt 11.27). O conhecimento necessário para a salvação, para viver dignamente do Senhor e fazer o que é bom, nós o temos revelado e registrado nas Escrituras (Mq 6.8; Rm 15.4-6).

. LEITURAS DIÁRIAS
segunda-feira Jó 5.1-27
terça-feira Jó 38.1-41
quarta-feira Sl 8.1-9
quinta-feira Sl 19.1-6
sexta-feira Sl 25.1-22
sábado Is 25.1-12
domingo Is 40.12-31

“Tal Pai, Tal Filho”: Nem Sempre

Texto Básico: Isaías 7.1-9; 17-25.

Após a divisão do reino em dois outros (1Rs 12.16-24), há o registro na história do povo de Deus tanto no Norte (Israel) quanto no Sul (Judá) de uma sucessão de reis, acerca dos quais é dito: “E fez o que era reto” ou “e fez o que era mau aos olhos do Senhor” (Jeová).
Um fato chama a atenção: como pode um bom rei (que era reto) gerar um filho que vinha a ser mau rei; ou mau rei (que era ímpio) gerar um filho que vinha a ser um bom rei?
Isaías, como já vimos, ministrou por mais de cinquenta anos sob o governo de quatro reis em sucessão direta (Is 1.1) e, se estava vivo nos primeiros anos de Manassés, teve de conviver com cinco administrações: reis bons e maus, considerando, ainda, a rebeldia e pecados do povo a quem ministrava.
O profeta passou por essa longa experiência e cumpriu sua missão com imparcialidade, com integridade, com fidelidade. Não bajulou nem se acovardou perante os reis, quer bons, quer maus. Permaneceu na sua integridade.
A abordagem aqui feita tem o objetivo primordial de avaliar o problema e descobrir as lições que aí encontramos e como exercermos o encargo de mensageiros (profetas) do Senhor em nosso tempo e contexto, mantendo a consciência capaz de poder falar como o profeta de então: “Assim diz o Senhor”, para conduzir Seu povo “nas veredas da Justiça” (Sl 23.3b e Mq 6.8).

Os Reis Sob os Quais Isaías Serviu

1- Uzias: Filho de Amazias, rei que começou bem, mas deixou-se corromper (2Cr 25.1,2; 14.15; 27,28). Como filho sucede seu pai (2Cr 26.1-5), mantendo uma postura digna.
A leitura de todo o capítulo 26 de 2Crônicas nos informa melhor. Entretanto, ao tornar-se poderoso (importante), deixou-se levar pelo orgulho, agiu como sacerdote, pecando contra Deus.
Repreendido pelo sacerdote Azarias, não se humilha, sendo punido com lepra, tendo de isolar-se pelo resto da vida. Jotão fazia o trabalho do rei, sucedendo-o após a morte (2Cr 26.16-23).
Uzias fez coisas boas, mas cometeu erros também.
Não há um registro explícito de seu relacionamento com o profeta Isaías, mas pelo conteúdo de Isaías 1.1 e 6.1, deduz-se que Isaías, vivendo em Jerusalém, provavelmente de linhagem real, tenha tido boa aproximação com o rei Uzias. Sua mensagem nos capítulos primeiro e sexto mostra que o profeta tem de denunciar a decadência vivenciada naquele contexto.
Que influência teria Uzias exercido sobre Jotão, que conheceu a transgressão do pai e teve de substituí-lo no cargo de rei, resultado de sua transgressão?

2- Jotão: Começou reinar ainda jovem (25 anos) e por 16 anos ocupou o trono, falecendo aos 41 anos (2Rs 15.32-38; 2Cr 27.1-9).

As duas referências (2Rs 15.34 e 2Cr 27.2) descrevem-no como um rei que fez o que era reto aos olhos do Senhor, conforme seu pai fizera. 2Crônicas 27.2 acrescenta: “Todavia não invadiu o santuário do Senhor. Mas o povo se corrompia”. O verso 6, afirma: “Assim Jotão se tornou poderoso, porque dirigiu os seus caminhos na presença do Senhor seu Deus”.
Há algumas observações que podem ser feitas:
Jotão foi influenciado pelo pai. Embora ele tenha transgredido a lei referente à queima do incenso sobre o altar, procurou servir bem ao Senhor. Seu erro foi levado em conta pelo filho. Certamente Jotão assimilou bem o fato e evitou cometer o mesmo pecado.
Porém o povo continuava a pecar. Os locais impróprios para oferecer sacrifícios não foram tirados, o que desrespeitava a lei quanto ao local do culto.
Qual e como teria sido o relacionamento de Jotão com o profeta Isaías? Nenhuma referência escrita, exceto Is 1.1, de que o profeta ministrou em seus dias (de Jotão).
Mas como Isaías exerceu sua missão dignamente, conclui-se que se manteve profeta autêntico sob Jotão. E os mensageiros ou profetas de hoje?

3- Acaz:
Foi um homem ímpio, o perfeito contraste do pai. Começou a reinar com vinte anos e faleceu aos trinta e seis. As descrições feitas a seu respeito em 2Reis e 2Crônicas são chocantes, como referências a um descendente do rei Davi. 2Reis 16.1-4 descreve as ações de “culto” por Acaz, como se fosse um pagão de elevada perversidade. Os versos 10-20 desse capítulo descrevem uma mistura de paganismo e judaismo, apoiado pelo sacerdote Urias, que deveria repreendê-lo e omite-se, cooperando na sua depravação espiritual. Não há espaço para abordar tudo. É melhor ler os textos completos de 2Reis 16.1-20; 2Crônicas 28.1-27; Isaías 7.1-9 e 17-25. Em 2Crônicas 28.3 e 2Reis 16.3, está escrito que Acaz sacrificava (queimava) os próprios filhos.
No capítulo 7 de Isaías, Deus fala pessoalmente ao profeta acerca das perversidades do rei, procurando acalmá-lo quanto ao perigo da aliança de Israel com a Síria (7.4-7). Acaz, entretanto, ao invés de confiar no Senhor, na mensagem de seu profeta, vai buscar aliança com Tiglate-Pileser, da Assíria, usando como pagamento ouro e outros materiais preciosos do próprio Templo (2RS 16.6-8; 2Cr 28.16-21). A sua perversidade é destacada em termos vivos em 2Crônicas 28.22-25.
Parece que nenhuma influência do caráter de Jotão operou em Acaz. Agiu como se nunca tivesse recebido qualquer formação espiritual.
No conjunto de textos citados, o de Isaías capítulo 7 deixa patente que o profeta esteve com o rei e lhe transmitiu a mensagem enviada pelo Senhor. Penso que o profeta com toda a integridade cumpriu sua tarefa. Se as coisas continuarem a evoluir como estão evoluindo presentemente, os mensageiros fiéis (profetas autênticos) do Senhor devem estar preparados para sofrer por causa da verdade, pois “acazes” estão ocupando cada vez mais posição de autoridade, agindo sem escrúpulo moral e espiritual. Estão provocando o Senhor, insultando seu povo, institucionalizando a perversidade. Vale pensar no conteúdo do Salmo 11, especialmente o do verso 3, cuja melhor tradução é: “Quando os fundamentos estão sendo destruídos, o que pode fazer o justo”? Profetas e povo do Senhor: estamos prontos?

4-Ezequias: Duas observações iniciais:
• Conteúdo registrado no livro do profeta Isaías sobre Ezequias será abordado de outro ângulo.
• Os conteúdos de 2Reis e 2Crônicas são longos. Faremos destaques, apenas, para inseri-los nos objetivos desta lição. Por favor, leia-os e se enriqueça: 2Reis 18.1-12; 2Crônicas 29.1 a 31.21.

Ezequias: Começou a reinar aos vinte e cinco anos em Jerusalém. Reinou vinte e nove anos, falecendo aos cinquenta e quatro. Foi contemporâneo de Isaías (Is 1.1) e tudo indica que eram amigos (Is 37.1-7).
O governo de Ezequias expressa um caráter íntegro, piedoso:
a- Fez o que era reto aos olhos do Senhor (2Cr 29 .2)
b- No primeiro ano reabriu as portas do Templo (2Cr 29.3 – Acaz as fechara)
c- Trouxe de volta os sacerdotes e levitas (2Cr 29.4)
d- Promoveu a purificação do Templo (2Cr 29.19)
e- Restabeleeceu o culto (2Cr 29.2-30)
f- Restabeleceu as contribuições para a manutenção do culto (2Cr 31 a 36)
g- Restaurou a celebração da Páscoa (2Cr 30.1-27)
h- Aboliu a idolatria (2Cr 31.1)
i- Estabeleceu as turmas de sacerdotes e elaborou leis acerca das ofertas e dos dízimos (2Cr 31.2-21)
Estas palavras de reconhecimento a Ezequias podem ser lidas em 2Crônicas 31.20,21: “Assim fez Ezequias em todo o Judá; e fez o que era bom, e reto, e fiel perante o Senhor, seu Deus. E toda a obra que empreendeu no serviço da casa de Deus, e de acordo com a lei e os mandamentos, para buscar a seu Deus, ele a fez de todo o seu coração e foi bem-sucedido”.
É quase inacreditável que uma pessoa tão especial, um rei tão piedoso, tão amigo de seu povo, tão fiel a seu Deus, tenha sido gerado pelo ímpio e perverso rei Acaz.
Igualmente é quase inacreditável que o perverso rei Manassés tenha sido gerado pelo piedoso Ezequias.
Isaías deve ter tido um tempo de refrigério e alegria, servindo ao Senhor sob uma administração tão abençoada.
Duas conclusões:
• Tal pai, tal filho: nem sempre. Isto nos adverte que devemos ter o maior empenho possível na formação de nossos filhos. Orientação firme, segura, e exemplo impactante de vida.
• Assim como o profeta Isaías enfrentou momentos diferentes com muitas diferentes experiências, precisamos hoje da capacitação que vem do Senhor, para profetizar dignamente, honrando o Senhor e servindo o seu povo (Cl 1.9,10).

Aplicações:
• Na história da revelação de Deus, Ele trabalha a favor do homem individual e coletivamente, usando seres humanos. A Bíblia é o registro desta realidade.

• Deus continua operando em nosso tempo, para alcançar o seu propósito eterno feito em Cristo Jesus. A consumação desse propósito é chamada de “Consumação dos séculos” em Mateus 28.20. Para alcançá-lo Ele comissiona pessoas para atuar na proclamação da mensagem de Salvação.

• É necessário efetuar essa gloriosa tarefa com integridade. Entregar a mensagem tal qual nos foi dada. É necessário ser fiel ao Salvador e à mensagem (proclamar a verdade).
• Isaías na sua ministração enfrentou diferentes situações, porém mantendo-se imparcial no desempenho de sua missão. Ele se torna exemplo e estímulo para nós.

Glossário e Notas Explicativas:

Altos: Locais de Culto.
Quando o Senhor tirou seu povo do Egito, entregou-lhe a sua lei por intermédio de Moisés.
Havia uma grande quantidade de orientações (ordenanças) para serem observadas. Entre essas ordenanças estava aquela referente ao local de culto: Deuteronômio 12.1-18 (por favor, leia o texto para poder entender bem o assunto). Considere bem os versos 11 e 18.
O propósito do Senhor era preservar a unidade do povo, a pureza do culto, evitar a corrupção dos princípios da verdadeira adoração, influências perniciosas possíveis de ocorrer por parte dos habitantes da Palestina de então (compare com Levítico, capítulos 18,19 e 20. Não apenas Sodoma e Gomorra eram perversas. Mas toda a terra dos cananeus).
A referência de 2Reis 16.3 e 2Crônicas 28.1-4, que descrevem as ações de Acaz, têm a ver com essa ordenança dada ao povo. Outros reis foram infiéis a esse respeito.
Salomão (1Rs 11.4-8); Roboão (1Rs 14.21-24); Oseias (reino do Norte: 2Rs 17. 6-12); Jeorão (2Cr 21.5,6; 11-15); etc.
Altos e outeiros estão ligados intimamente. O termo “altos” refere-se certamente aos altares, onde se ofereciam os sacrifícios, e o termo “outeiros” refere-se a lugares elevados, onde acreditavam vivessem os deuses. Os cultos pagãos aí realizados eram caracteristicamente idólatras. Cada suposto “deus” tinha sua representação material em estátuas de ferro, cobre, pedra, madeira, etc., e também por meio de várias outras formas. Os reis do povo de Deus tinham o dever de zelar para que o povo se mantivesse na verdade. Entretanto, muitos deles erraram e fizeram o povo errar, mantendo tais locais e formas condenáveis de culto, ofensivo a Deus.
Hoje há o grande perigo de deterioração do culto, das formas de adoração. Os profetas de agora precisam ser íntegros, zelosos, corajosos, obedecendo às ordenanças do Senhor (Sua Santa Palavra), amando o Seu povo, guiando-o na LUZ.

OBSERVAÇÃO FINAL: Um estudo acurado do assunto deve requerer uma apostila de 50 páginas. Meus queridos, leiamos a Bíblia. Pratiquemos a Bíblia!

LEITURAS DIÁRIAS

segunda-feira 2Rs 12.16-24
terça-feira 2Cr 26.1-23
quarta-feira 2Cr 27.1- 9
quinta-feira 2Rs 16.1-20
sexta-feira 2Cr 28.1-27
sábado 2Cr 29.12- 30
domingo Is 7.1-9; 17-25

A Missão de Profeta

Texto Básico: Is 6.1-13

Em nosso tempo há muita confusão, muito equívoco acerca do que vem a ser o profeta e qual a sua missão, ou tarefa. Vivemos num contexto de autointitulados “profetas, patriarcas, bispos, apóstolos, missionários”, etc. (como afirmou certo líder evangélico, só falta um aparecer autointitulando-se “vice-Deus”).
O profeta de Deus (ao contrário do falso profeta) é o mensageiro da parte de Deus, que ouve (recebe) a Palavra do Senhor e a transmite fielmente aos seus ouvintes.
Não é prognosticador nem adivinhador; é porta-voz de Deus.
Não há “novas revelações” (Hb 1.1). O propósito de Deus é tornar-se conhecido dos homens, manifestar-lhes sua vontade (boa, agradável, perfeita – Rm 12.2), fazer conhecido seu propósito eterno feito em Cristo Jesus (Ef 1.4-6; 1.9,10; 3. 8-11). Esta vontade reveladora consumou-se na pessoa de Seu Filho (Jo 5.37, 38,42,43; 12.44,45; 14.9,10; 6.40; Hb 1.1).
Deus acompanha a história, é soberano sobre ela e persevera no Seu propósito redentor (restaurador do homem) vocacionando, capacitando, credenciando e enviando seus mensageiros (profetas) a cada geração.

1-Deus Chama Pessoas para o Seu Serviço:

Podemos, pelo exame da Bíblia, elaborar uma extensa lista de pessoas que Deus chamou e encarregou de tarefas especiais nas suas gerações: Noé (Gn 6. 9 e 13-22); Abrão (Gn 12.1-3); Moisés (Êx 3.1-20); Josué (Js 1.1-9 ); Samuel, (1Sm 3.1-14); etc.
O escritor da carta aos Hebreus menciona uma longa lista de pessoas a quem Deus chamou e usou no Seu serviço. É suposto por alguns expositores da Bíblia que Hebreus 11.36,37 inclui o profeta Isaías, que teria ministrado nos primeiros anos de Manassés, em cujas mãos teria sido martirizado. Vale a pena considerar Isaías, seus contemporâneos, incluindo alguns sucessores.

1.1- Isaías: Isaías 6.1-13
Nas lições 01 e 02 tivemos uma visão panorâmica da geração de Isaías, tanto no reino do Sul quanto no reino do Norte. Nos dois reinos (Israel dividido) o nível moral e espiritual era decadente. Deus chama dois profetas no Sul e dois no Norte, incumbindo-os de entregar Sua mensagem.
Há duas referências às visões do profeta, anteriores à sua vocação (1.1; 2.1). O capítulo 6.1-13 descreve em termos vivos a cena. O Deus Santo é visto assentado num alto e sublime trono (Is 57.15) cercado de seu séquito. Os serafins enunciando proclamações exaltadoras. Isaías contempla a glória, a santidade do Senhor e confronta-se e à sua geração com o fato: “homem de lábios impuros… povo de impuros lábios”. O profeta se sente abalado.
Um dos serafins toma uma brasa viva do altar, toca-lhe os lábios e declara tirada a sua iniquidade e perdoado o seu pecado. À voz do Senhor, dispôs-se a aceitar a incumbência, e é-lhe ordenado: “Vai e dize a este povo”. Sua missão era falar ao povo, levar a palavra do Senhor: repreensão pelos pecados e perdão e misericórdia, traduzidos na esperança da redenção que se seguiria à justa ação disciplinar.
Por mais de cinquenta anos o profeta desincumbiu-se da tarefa, com integridade, fidelidade, enfrentando a rebeldia do povo, das autoridades religiosas e, se foi mesmo martirizado pelo ímpio Manassés, com toda a certeza, o fato resultou de sua integridade. O verdadeiro profeta honra o Seu Senhor.

1.2- Miqueias:
Foi contemporâneo de Isaías. Seu nome significa; “Quem é igual a Jeová” (YHWH – vide lição 01, glossário, item 01). Sua profecia é dada a partir do ano 730 a.C, provavelmente, tendo ministrado nos dias de Jotão, Acaz e Ezequias (Mq1.1).
Embora ministrando às populações do interior (zona rural) de Judá, a situação moral e espiritual era muito semelhante à enfrentada por Isaías em Jerusalém.
A mensagem do profeta é dura, contundente na sua repreensão. Ela começa com a expressão: “A Palavra do Senhor que veio a Miqueias”. A “Palavra do Senhor” ou “Assim diz o Senhor” é a maneira característica para mostrar que a sua mensagem é “Recado enviado pelo Senhor”. O profeta é o porta-voz fiel do seu Deus.
A mensagem tem conteúdos de repreensão intensa (Mq 1.2-16; 2.1-3.12; 6.1; 7.20) com a declaração das tristes consequências, fruto da rebeldia, da oposição a Deus.
Miqueias demonstrou no seu ministério a postura de profeta de Jeová. Reconheceu sua vocação, correspondeu à expectativa do Senhor, proclamou fielmente Sua Palavra (Voltaremos ao profeta em lição posterior numa abordagem ao Messias).

1.3- Oseias e Amós:
Foram contemporâneos de Isaías, ministrando no reino do Norte. Oseias ministrou nos dias de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias (Judá) e de Jeroboão, filho de Joás, em Israel (Os 1.1).
O livro começa com a clara indicação de que ele era profeta: “A Palavra do Senhor, que veio a Oseias…”. Os três primeiros capítulos, por meio dos dois casamentos do profeta (uma prostituta: 1.2; e uma adúltera: 3.1), simbolizam a infidelidade de Israel e a paciência e a bondade de Deus (Os 2.14-23; 3.5).
A continuidade da profecia registra a pregação de Oseias, as repreensões por causa da infidelidade, a declaração da disciplina como resultado dessa infidelidade, terminando com um veemente apelo ao arrependimento e adoção de sabedoria (14.12). Essa volta, retorno para o Senhor, mediante o arrependimento é a maneira como a humanidade deve corrigir sua falta de conhecimento, que a torna infeliz e desesperada (Is 1.3; 5.13; Os 4.6).
Amós foi profeta no reino do Norte durante o reinado de Jeroboão, filho de Joás, e de Uzias, rei de Judá (Am 1.1). Era um homem do campo (Am 7.14,15). O seu nome significa “Fardos ou Carregador de Fardos”.
Sua mensagem é contundente e dura, condenando as injustiças e maldades de seus contemporâneos, inclusive a vida de luxo e exploração por parte da nobreza palaciana em Samária (Am 4.1-5). Parece que ele estava em nosso tempo. Usando a expressão característica do profeta corajoso e consciente: “Assim diz o Senhor” (Am 1.3; 6,9,11,13; 2.1,4,6; 3.1,11,12; 4.3,6,8,9,10,11, etc.). Toda a profecia de Amós demonstra sua convicção de chamada, de profeta do Senhor, ao qual serve conscientemente (Am 7.14,15 ). Amós foi um profeta autêntico.

2- Profetas Que Sucederam Isaías
Ao nos referir a profetas que sucederam Isaías, não significamos que o substituíram ou ministraram imediatamente após ele. Nosso propósito é considerar Isaías como profeta legítimo no seu tempo e contexto, buscando por intermédio dele e de seus contemporâneos chegar a um conceito verdadeiro do que vem a ser profeta, e com disso desfazer confusão e equívocos que se manifestam em nossos dias.
Gostaríamos, ainda, de considerar resumidamente dois profetas posteriores a Isaías por nos darem uma compreensão do profeta, como enviado e mensageiro de Deus. Em ambos, percebemos claramente: chamada (vocação); conteúdo da mensagem (a Palavra de Deus); fidelidade (obediência), consciência do encargo.

2.1- Jeremias
O profeta Jeremias ministrou em Jerusalém, mesmo ambiente do profeta Isaías. Não há relatos de que se tenham conhecido, mas há profecias de Isaías que se cumpriram nos dias de Jeremias: a destruição de Jerusalém e Judá por Nabucodonosor (Is 5.5,6,13; Jr 52.1-34).
Jeremias é chamado para ser profeta (Jr 1.1-9) e, embora relutante, aceita o chamado ante a promessa de o Senhor lhe colocar A Palavra na boca (Jr 1.9 ). Ele tinha de ir aonde o Senhor o enviasse e dizer tudo quanto o Senhor mandasse (Jr 1.7,17). Recebeu um chamado, foi-lhe dado um encargo e orientação explícita quanto a quem e o que falar: Foi enviado a Jerusalém para entregar “a Palavra do Senhor”. O profeta cumpriu sua missão, iniciada no capítulo 2.1,2, honrosamente.

2.2- Ezequiel

Ministrando aos rebeldes do exílio, demonstrou misericórdia e fidelidade a Jeová (Dt 4.30,31). Os capítulos 2 e 3 de Ezequiel narram sua vocação e condicionamento. Ele é ordenado a ir à casa de Israel, a casa rebelde, “e lhes dirás: Assim diz o Senhor” (2.4; 3.11).
O profeta deveria entregar sua mensagem como a Palavra do Senhor (2.7; 3.4,10,17). Ezequiel foi íntegro, foi fiel, fez o ministério de profeta.

Conclusão:
Deus ama Seu povo e lhe dá líderes (profetas) para serem os porta-vozes de Seu Santo Propósito. Isaías o foi no seu tempo e contexto. Miqueias, Oseias, Amós, Jeremias e Ezequiel o foram também no seu contexto e seu tempo.
Ministraram com integridade, fidelidade, zelo. Honraram o Senhor, serviram o Seu povo.
Nosso tempo e contexto está sob a soberania de Deus. Ele é imutável. É sempre o mesmo. É amor (1Jo 4.8). Oremos pedindo profetas para o nosso tempo. Pedindo discernimento para não sucumbirmos ao pecado, às imitações, às novidades travestidas de adoração. Pedindo capacidade para discernir os verdadeiros profetas daqueles que mascaram a “PALAVRA” em proveito próprio.

Aplicações:

1- O povo de Deus e a humanidade (geração) atual precisam da “Palavra de Deus”. Esta é proclamada por seus mensageiros (profetas= pregadores).

2- É necessário que os mensageiros do momento e do nosso contexto retenham o caráter, o zelo, a integridade, a fidelidade dos profetas bíblicos, podendo dizer conscientemente: “Assim diz o Senhor”.

3- É necessário ao mensageiro (profeta) contextualizar adequadamente a mensagem ao seu momento e ambiente, tornando-a compreensível (acessível) ao entendimento dos seus ouvintes, demonstrando sua relevância e sentido prático para a pessoa humana, como indivíduo e como raça.

Glossário e Notas Explicativas

• Hebreus 1.1. Deus, por todo o processo da história, revelou-se progressivamente na direção de Seu propósito eterno, feito e consumado em termos redentivos na pessoa de Seu Filho, o Senhor Jesus Cristo. A Revelação final do Pai e de Seu propósito encontra-se registrada na Bíblia. A declaração de Hebreus 1.1 é que Jesus falou de maneira efetiva, falou de vez. Precisamos estudar as Escrituras com cuidado, usando os recursos científicos disponíveis para sua correta interpretação e exposição (exegese).
É claro que Deus nos fala hoje por intermédio de Sua Palavra. Mas quanto a qualquer acréscimo ou supressão, a própria Bíblia proíbe.

• Restauração: Quando o Senhor completou sua obra criadora, examinou-a pela sétima vez e tudo estava esplendidamente bem. Devemos considerar que a linguagem humana é insuficiente para descrever em plenitude o “SER” de Deus, bem assim seus atos e obras. Consultando versões bíblicas diferentes em nosso idioma, em outros idiomas (grego, latim, espanhol, francês, italiano, diversas versões em Inglês), nenhuma consegue trazer o sentido rigoroso da expressão hebraica de Gn 1.31. No meu entendimento a melhor versão, a que mais se aproxima do sentido original da expressão hebraica é a versão alemã atualizada, tradução de Lutero, editada pela Sociedade Bíblica em Stutgart, Alemanha.
Nossa dificuldade está no fato de nosso conhecimento limitado, para circunscrever e descrever aquilo que refletia a sabedoria, a grandeza, o poder, a majestade da natureza divina expressa na criação. Era uma realidade sem a experiência do pecado.
Restaurar e restauração têm a ver com a total reversão da ordem presente, tanto física quanto moral. Tanto Jesus quanto Pedro falam de restauração, que na língua original do Novo Testamento é expressa por uma palavra composta de três partículas gramaticais, e cujo sentido em português é: “Recolocar cada coisa no seu devido lugar, tal qual ela é”. Efésios 1.10 aponta para isso, ou seja, na plenitude dos tempos, Deus reassumirá seu completo domínio de todas as coisas em Cristo. Quando isto chegar, outra vez se dirá: “Eis que tudo é muito bom”. Tudo estará bem, cada coisa na sua essência, no devido lugar.

LEITURAS DIÁRIAS
segunda-feira Is 2.1-22
terça-feira Is 3.1-26
quarta-feira Is 5.1-30
quinta-feira Mq 3.1-12
sexta-feira Am 3.1-12
sábado Os 12.1-14; Am 3.1-15
domingo Jr 1.1-9; Ez 3.1-27

A Nação Pecadora

Texto Básico Is 1.1-17.

A atitude de rebeldia do povo israelita é antiga (Êx 5.20-23). Mesmo após a libertação da opressão egípcia, tendo visto todas as ações poderosas do Senhor a seu favor, muitas e repetidas vezes houve murmurações e queixas (Êx 15.23,24; 16.1-3; 17.1-4; 32.1-8).
A história desse povo é marcada por uma sucessão de manifestações rebeldes desde o começo até aqueles dias. Parece-nos difícil entender que o povo escolhido, guiado, sustentado, amparado, conhecendo os atos redentores do Senhor, recebendo Sua Lei, sendo instruído nos preceitos do Senhor, chegasse a um tal estágio espiritual como o descrito pelo profeta Isaías .

1- Expressões contundentes descrevem a condição espiritual do povo:

Criei filhos* e os engrandeci, mas eles se rebelaram contra mim. Deus fala como Pai a filhos ingratos e maus (Is 1.2);
Os animais* conhecem seus donos, mas o meu povo não tem entendimento (Is 1.3);
Nação pecadora*, ao invés de nação santa; povo carregado de pecado, ao invés de carregado de piedade; descendência de malfeitores ao invés de benfeitores; praticantes de corrupção ao invés de praticantes de santificação (1.4).
O Senhor toma o céu e a terra como testemunhas de seu lamento, no começo do verso 2.
Certamente que a disciplina havia sido aplicada, sem qualquer resultado (Is 1.5 – veja-se Am 4.6-12).
O verso 6* descreve, simbolicamente, a situação espiritual do povo como a de um corpo enfermo em estado deplorável.
O país* e a cidade de Jerusalém estão assolados (Is 1.7-10). Provavelmente este foi o resultado da invasão de Judá por Senaqueribe.
O culto formal (ritualista) é rejeitado por Deus por ser-lhe desagradável (1.11-15; 59.1-4).
Esta situação e aquelas de Acaz (2Rs 16.1-20; 2Cr 28.1-27), as situações descritas nos capítulos 56.1-12; 57.1-21; 58.1-14 e 59.1-21 demonstram que tal rebeldia prolongou-se por muitas décadas durante o ministério de Isaías e a sua mensagem não produziu os resultados esperados.
É conveniente lembrar que, depois de Isaías, o profeta Jeremias continuou a pregar em Jerusalém, enfrentando também rebeldia, cujo resultado foi a destruição de Jerusalém e Judá, por Nabucodonosor (Jr 52.1-34; 2Rs 25.1-21; 2Cr 36.11-21).

2- Resultados (consequências) da rebeldia contra Deus.

Ao despedir-se de Israel, antes que este atravessasse o Jordão, Moisés lembra-lhe as ordenanças de Deus, falando das bênçãos e maldições como expressões da justa retribuição de Deus em sua reta justiça, conforme a obediência ou desobediência à sua lei, por seu povo (Dt 27.1-26; 28.1,2 ; 28.15). Deus, soberanamente, concede ao homem o direito de escolha, apontando-lhe os resultados. Chamamos a isso de “condicionalidade relacional” expressa por “Se…Então”.
Se Israel houvesse obedecido, teria recebido a justa recompensa: a Bênção. Não teria havido a rachadura com Roboão e as nações vizinhas teriam convivido com Israel, e não teriam causado dano a povo do Senhor.
Os versos 11 a 15 mostram o povo misturando pecado e culto, ofendendo a Deus, como se Sua santidade fosse algo irrelevante: “De que me serve a multidão de vossos sacrifícios, diz o Senhor? Estou farto de… ( v.11 ); “… vindes só pisar os meus átrios”? (v.12); “não as ouvirei…” (v.15).
Há uma expressão de angústia da parte do Senhor* por causa da insensibilidade do povo, que lhe presta um culto leviano, como: “Parai de trazer ofertas vãs… não posso suportar a iniquidade associada ao ajuntamento solene” (v.13). “As vossas… a minha alma as aborrece; já me são pesadas, estou cansado de as sofrer” (v.14) “quando estendeis as vossas mãos…; e ainda que multipliqueis as vossas orações, não ouvirei”.
Pensavam que os ritos Lhe agradassem, enquanto no coração a maldade reinava. A situação descrita no capítulo 59.1-21 é semelhante, o que demonstra a pertinácia da rebeldia. Deus reconhece tal hipocrisia e a condena (Is 29.13; Ez 33.31; Mt 15.7,8,9; Mc 7.6,7). O mensageiro entrega o recado divino, porém é ignorado. A situação era semelhante nos dias de Jeremias (Jr 1.4-9; 5.1-13; 26.1-15).
O culto formalista é enganoso ao adorador (falso adorador), ofensivo a Deus, refletindo mera expressão externa, sem a sua verdadeira natureza, sem o verdadeiro significado (Jó 4.22,23,24). O perigo permanece em nosso contexto atual.

3- A Oferta de Oportunidade e Perdão (Is 1.16-18)

Quando estudamos a Bíblia inteira e acompanhamos o desenrolar em processo contínuo do trabalho de Deus na história, Sua Revelação progressiva, podemos perceber a “Boa Vontade do Senhor” (Is 53.10). Bondade, paciência, perseverança, longanimidade, amor ilimitado, como expressão de seu caráter Santo.
Uma avaliação de Isaías, Jeremias e Ezequiel nos deixa em perplexidade ante à maneira como o nosso Deus trata o seu povo (Êx 34.6,7; Dt 4.31; 2Cr 30.9; Sl 145.8,9,17; Jo 3.16; Rm 5.8).
Numa situação como as descritas em Isaías, Deus manifesta sua misericórdia e convida ao arrependimento, oferecendo perdão e restauração: “Lavai-vos… purificai-vos; cessai de fazer o mal” (Is 1.16); “Aprendei a fazer o bem; buscai a justiça; acabai com a opressão” (1.17); “Vinde... arrazoemos, diz o Senhor; ainda que os vossos pecados sejam como escarlata… como o carmesim, eles se tornarão… como a neve… como a lã” (1.18). “Se quiserdes e me ouvirdes…” (1.19). O propósito do Senhor é a restauração (Ez 18.23,32).
Ainda que o povo vivesse no pecado, na rebeldia, na desobediência, o Deus amoroso, bondoso, imutável (Ml 3.6) apela ao arrependimento e jamais fecha a porta à oportunidade (voltaremos ao assunto em lição posterior).

Aplicações

1- Deus se revelou ao seu povo, deu-lhe leis, preceitos e estatutos, a fim de fazê-lo bem-sucedido (Mq 6.8; Sl 1.2,3; Tg 1.22-25).

2- As ordenanças dadas pelo Senhor são adequadas, apropriadas à pessoa humana como imagem e semelhança do Criador, para viver como tal. O pecado subjacente à humanidade inteira manifesta-se em rebeldia e desobediência a Deus (Is 59.1-4 e 12-15).

3- O culto aparente, ritualista é enganoso ao adorador e ofensivo a Deus. Esta expressão é contundentemente condenada nos capítulos 1.11-15; 29.13-15; 59.1-18.

4- A mensagem do profeta, nos seus dias e no seu contexto, ajusta-se, aplica-se adequadamente ao nosso contexto. É necessário distinguir mera religiosidade, mera formalidade, mero ritualismo, de autêntica espiritualidade, verdadeira, legítima adoração. Jesus nos adverte fortemente sobre isto (Mt 15.6-9; Jo 4.21-24).

Glossário e Notas Explicativas:

• Deus soberanamente concede direito de escolha:
Há correntes no pensamento teológico que afirmam o determinismo, negando o livre-arbítrio humano, isto é, direito de escolha. Porém a Bíblia mostra claramente o contrário.Precisamos entender que soberania não significa “tirania”. O conceito de soberano e soberania refere-se ao direito natural, intrínseco que Deus possui para atuar ilimitadamente sobre o universo na sua totalidade. O homem é imagem e semelhança do Criador, habilitado a relacionar-se com Ele, atuar sobre a criação; é ser moral, responsável por sua ação. Por isso, Deus lhe deu leis, ordenanças, etc. A retribuição justa é aplicada de acordo com as “expressões de vida” de cada indivíduo. Agir moralmente é dever (deontologicamente = dever moral) no uso de sua liberdade pessoal. Sem liberdade de ação não há como estabelecer responsabilidade moral.
Deus retribui a cada um conforme este conceito (Dt 24.16; Ez 18.4,20; Mt 16.27; Rm 2.1-11; 2Co 5.10; 1Pe 1.17; Ap 2.23; 20.12; etc.).

• Angústia do Senhor
O texto descreve a reação do Senhor às ofensas que lhe são feitas por seu próprio povo. O agir daquela gente que existia como expressão de sua bondade, que conhecia sua Palavra, sabia dos atos de poder a seu favor, desagradava a Ele. Em vários passos bíblicos lemos de sentimentos surgidos no Senhor, provocados por ações perversas do ser humano (Gn 3.17; 6.5,6, etc). Ora, para nossa compreensão de que o nosso Deus é ser moral, que sente e reage às situações, a Bíblia usa expressões que nos ajudam a entender “os sentimentos d’Ele”. Chamamos a esta maneira de referir aos sentimentos de Deus “antropopatismo”, palavra derivada do grego, que significa atribuir a Deus sentimentos humanos.

• SE… ENTÃO
Ação e resultados compatíveis. Cada ação nossa produz-nos resultados adequados, compatíveis com ela. Chama-se a isso “condicionalidade da ação ao seu resultado correspondente”. Isto acontece em muitos aspectos da vida; por exemplo, na física, na química, etc. Paulo o expressa numa relação causa-efeito: “o que homem semear, isso ceifará” (Gl 6.7,8,9). Ora, a Bíblia mostra que há uma clara condicionalidade relacional entre o homem e Deus (Dt 28.1,2,15; 2Cr 7.13,14; Is 1.19,20).
Deus revelou-nos o que é bom (Mq 6.8), mostrando-nos como fazer boas escolhas, colhendo bons resultados, sabendo que Ele retribui adequadamente (Is 59.18).


Leituras Diárias

segunda-feira Is 1.1-17
terça-feira Is 1.18-31
quarta-feira Is 5.1-17
quinta-feira Is 5.18-30
sexta-feira Is 29.1-16
sábado Is 59.1-21
domingo Is 7.1-9

Uma Abordagem de Isaías

Texto Básico: Is 1.1; 6.1-13

Isaías é o conteúdo da Revelação de Deus ao Seu povo, num momento do desenrolar da história humana, que envolve a descendência de Abraão, na qual todos os povos da terra serão abençoados (Gn 12.3; 22.18; 26.4; 28.14), etc.
Séculos já passaram. Deus, entretanto, na Sua fidelidade, retidão, perseverança, prossegue no Seu trabalho, para consumar Seu propósito eterno, estabelecido antes da fundação do mundo. Nada o deterá (Gn 18.14; Jó 42.1,2).

Precisamos entender que todo o registro bíblico (Gn 1.1 a Ap 22.21) é a historiografia* do trabalho de Deus para a realização plena do ser humano, individual e coletivamente, como imagem e semelhança do Criador, trazido à existência para Sua glória (Is 43.7; Ef 1.6,12, etc.).

Nesta perspectiva da história em desenvolvimento (linearidade e teleologia) procuremos entender o significado da mensagem de Isaías para o povo de Deus e os povos circundantes de seus dias e, também, que significado sua mensagem tem para o povo de Deus (Sua igreja) e os povos de nosso momento histórico. Fora desta perspectiva, apenas mera informação, seria perda de tempo, recursos, etc.
Consideremos alguns aspectos básicos concernentes ao profeta e sua mensagem que, certamente, nos ajudarão a entender, em sequência, todos os estudos do trimestre.

1- O Ambiente (envolvente e histórico) do profeta e de sua mensagem.

Deixaremos fora de qualquer abordagem todas as questões críticas, por serem de natureza acadêmica. Consideraremos a unidade de autoria e conteúdo, concentrando-nos no significado e relevância da mensagem para o mundo de então e de agora.

1.1- O tempo (data aproximada) do ministério de Isaías.
Isaías ministrou durante os reinados de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias (Is 1.1), mas há possibilidades de que tenha ministrado durante os primeiros anos de Manassés. Foi um longo ministério de uns 60 anos, ou mais.
Uzias reinou durante 52 anos (2Cr 26.1-23); Jotão, durante 16 (2Cr 27.1-9); Acaz reinou por 16 (2Cr 28.1-27); Ezequias reinou por 29 (2Cr 29.1 a 32.33).
A vocação do profeta ocorreu no ano da morte do rei Uzias (Is 6.1-13). Não há qualquer informação de tempo, o texto apenas diz: “nos dias de” (Is 1.1).
Há algumas tradições judaicas que afirmam ter Isaías ministrado, também, nos primeiros anos de Manassés (2Cr 33.1-20), e que o profeta foi martirizado por ele. Há estudiosos que sustentam tais tradições e afirmam que a referência de Hebreus 11.37 “serrados ao meio”, tem a ver com o martírio de Isaías por Manassés.
Considerando os anos de reinado de Jotão (16), Acaz (16) e Ezequias (29), obtemos um período de 61 anos. Se considerarmos os períodos de Uzias e Manassés, podemos concluir que Isaías ministrou durante 60 a 70 anos. Podemos pensar com segurança dois eventos que nos ajudam quanto ao seu tempo: a morte de Uzias, em 740 a.C. (Is1.1; 6.1) e a morte de Senaqueribe em 681 a.C. (Is 37.36-38 ), considerando (740 menos 681 = 59 ).
Isaías escreveu os capítulos 1-39, durante os reinados de Uzias, Jotão e Acaz, segundo alguns eruditos, e os capítulos 40-66 durante seus últimos anos de ministério, nos primeiros anos do reinado de Manassés, sob perseguição, donde resultou a mensagem do “servo sofredor” (Is 52.13 a 53.12). Mas o argumento é questionável, à luz de suas projeções proféticas no Novo Testamento (A questão será considerada em estudo posterior).

1.2- A Envolvente Política

O cenário político nos dias de Isaías se caracterizava por uma grande ascensão do poderio e domínio da Assíria. Tiglate-Pileser dirige suas campanhas e conquistas para o Ocidente, invadindo Israel (reino do Norte) e a Transjordânia entre 745 e 734 a.C.
Sargon e Salmanasar sitiaram e destruíram Samária entre 724 e 722 a.C. Senaqueribe invadiu Judá e boa parte da Palestina Ocidental entre 714 e 701, quando tentou conquistar Jerusalém (Is 36 e 37), sendo derrotado, seu exército destruído e ele mesmo assassinado por seus filhos em Nínive.
Internamente, a situação era muito difícil. No reino do Norte a opressão, a decadência espiritual se manifestavam em toda a extensão (profetas Amós, Oseias, Miqueias).
Judá, por sua vez, entrara em declínio sob a atitude idolátrica de Acaz (2Cr 28.1-4 e 16-27), desagradando a Deus, trazendo resultados negativos para o reino do Sul.

1.3- A envolvente espiritual

O ambiente espiritual dos dias de Isaías era também de dificuldades acentuadas. Em Deuteronômio 27.11 a 33.29, Moisés recapitula as ordenanças de Deus para seu povo, deixando claro que as relações entre as parte se expressariam à base de mutualidade, e na condicionalidade do seu cumprimento por parte do povo, A condicionalidade destaca-se pela repetição da partícula “SE”. Uma leitura atenta e cuidadosa dessa porção bíblica ajudará no entendimento das conseqências tristes (destruição) para Israel e Judá.
Os capítulos 01, 58, 59 de Isaías, bem assim as ações de Acaz e Manassés e de alguns outros reis, revelam o triste cenário espiritual enfrentado por Isaías. Vale, ainda, considerar o reinado de Acaz, conforme Isaías 7.1-9.

1.4- Os Profetas Contemporâneos de Isaías

Isaías teve como seu contemporâneo em Judá o profeta Miqueias (Mq 1.1,2). Isaías ministrava na cidade, junto à corte real. Miqueias, como que complementava o ministério de Isaías, atuando na zona rural de Judá, buscando conscientizar o povo acerca da incompatibilidade da injustiça como “expressão de vida” *, como povo santo (Mq 6.8).
Oseias e Amós profetizaram contemporaneamente a Isaías, ministrando às populações do reino do Norte. Enquanto Amós denunciava a opressão e a injustiça, Oseias exortava o povo a respeitar e manter-se fiel à “Aliança” com o Senhor. Sua ênfase era de que a “Aliança era a manifestação do amor do Senhor ao seu povo”.

1.5- O Propósito (Objetivo) da mensagem de Isaías.

Certamente a sua mensagem tem como objetivo primordial conscientizar o povo de Deus acerca da bondade deste por aquele. Já afirmamos e enfatizaremos que o propósito eterno de Deus se centraliza na consumação de Seu Reino, preparado na eternidade para o ser humano, Sua Imagem e Semelhança.
Sua mensagem objetiva mostrar que em meio às situações históricas daqueles dias, Deus permanecia o Senhor de Israel. O Deus único, cujos atributos são relembrados na profecia – que tem autoridade, domínio, poder para realizar progressivamente no processo da história o seu propósito eterno, feito no Redentor (o Messias), que virá em forma humana, e fará a obra de libertação plena, histórica, no tempo determinado –
está trabalhando progressivamente, até que chegue a “plenitude dos tempos” quando sua ação alcançará sua realização plena (Ef 1.9,10).


APLICAÇÕES:

1- Deus ama o seu povo
1.1- Por isso lhe dá mensageiros para instruí-lo e mantê-lo na verdade.
1.2- Ajuda-o por intermédio da mensagem a mantê-lo no ânimo da esperança (glória) futura, que lhe trará plenitude de satisfação.
1.3- Por meio da mensagem aponta o erro (pecado), oferecendo a oportunidade para retornar mediante o arrependimento, à alegria da comunhão com Ele.
1.4- Pela mensagem mostra que não abandona seu povo nas situações difíceis. Ao contrário, sua bondade contínua segue o fiel de “geração em geração”, da criação à consumação.

Glossário e notas explicativas:

• (YHWH): Tetragrama usado nos livros na área da teologia, para referir-se à palavra falada ou escrita “Jeová” (também grafada como “Iavé” ou “Javé”), derivada de um verbo hebraico que em português se expressa como verbo “ser” (existir), cujo sentido básico é “ser em si e por si”. Aquela realidade totalmente independente, isto é, não tem causa nem necessidade extrínseca. Ao contrário, é causa, meio e finalidade de todas as coisas.

• Messianismo: Ensino, Discurso, Doutrina, etc., acerca de um tempo futuro quando a presente situação problemática da humanidade cessará e um novo tempo (época) a sucederá. Essa concepção era característica do povo judeu, denominada no estudo da história da revelação de Deus ao seu povo como “Esperança Messiânica”.
A palavra da qual se deriva a expressão no Antigo Testamento, em nosso idioma, é Messias e no Novo Testamento é Cristo. Ambas foram aportuguesadas, e o seu significado é “Ungido”, isto é, aquele a quem Deus escolheu, credenciou e enviou ao mundo, para redimi-lo.
Veremos nos estudos posteriores que o “Messias” é o Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus.
.
• Historiografia: Registro escrito dos fatos históricos; história escrita. No caso, o registro bíblico total é a Revelação do trabalho de Deus na história para restaurar o homem como indivíduo e como raça.

• História: Linearidade e Teleologia: Linearidade é a concepção filosófica de que a história não é repetida, movendo-se como que em círculos. Ao contrário, os acontecimentos tiveram um começo e se dirigem para um fim estabelecido. Teleologia é a concepção filosófica de que os fatos (acontecimentos) na História não são casuais, mas estão inseridos no conceito de um “propósito”, ou se dirigem para uma consumação prevista. Dentro de uma visão da Teologia da História, esta é a expressão do trabalho de Deus, tendo em vista o seu propósito eterno, na pessoa do Filho, dentro da esfera de sua soberania.
Há, entretanto, duas posições: a determinista: tudo foi estabelecido por Deus desde a eternidade, e não há como mudar os acontecimentos. Há a posição não determinista, que considera o livre-arbítrio humano. O Homem atua fazendo a história e Deus na Sua soberania dirige-a, julgando as ações (os atos do homem) retribuindo com reta justiça.



Leituras Diárias:
segunda-feira 2Cr 26.1-23
terça-feira 2Cr 27.1-9
quarta-feira 2Cr 28.1-27
quinta-feira 2Cr 29
sexta-feira Mq 1.1,2; 6.1-8;
sábado Os 5.1-15; Am 5.1-17
domingo Is 1.1; 6.1-13

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