Texto Básico Is 1.1-17.
A atitude de rebeldia do povo israelita é antiga (Êx 5.20-23). Mesmo após a libertação da opressão egípcia, tendo visto todas as ações poderosas do Senhor a seu favor, muitas e repetidas vezes houve murmurações e queixas (Êx 15.23,24; 16.1-3; 17.1-4; 32.1-8).
A história desse povo é marcada por uma sucessão de manifestações rebeldes desde o começo até aqueles dias. Parece-nos difícil entender que o povo escolhido, guiado, sustentado, amparado, conhecendo os atos redentores do Senhor, recebendo Sua Lei, sendo instruído nos preceitos do Senhor, chegasse a um tal estágio espiritual como o descrito pelo profeta Isaías .
1- Expressões contundentes descrevem a condição espiritual do povo:
Criei filhos* e os engrandeci, mas eles se rebelaram contra mim. Deus fala como Pai a filhos ingratos e maus (Is 1.2);
Os animais* conhecem seus donos, mas o meu povo não tem entendimento (Is 1.3);
Nação pecadora*, ao invés de nação santa; povo carregado de pecado, ao invés de carregado de piedade; descendência de malfeitores ao invés de benfeitores; praticantes de corrupção ao invés de praticantes de santificação (1.4).
O Senhor toma o céu e a terra como testemunhas de seu lamento, no começo do verso 2.
Certamente que a disciplina havia sido aplicada, sem qualquer resultado (Is 1.5 – veja-se Am 4.6-12).
O verso 6* descreve, simbolicamente, a situação espiritual do povo como a de um corpo enfermo em estado deplorável.
O país* e a cidade de Jerusalém estão assolados (Is 1.7-10). Provavelmente este foi o resultado da invasão de Judá por Senaqueribe.
O culto formal (ritualista) é rejeitado por Deus por ser-lhe desagradável (1.11-15; 59.1-4).
Esta situação e aquelas de Acaz (2Rs 16.1-20; 2Cr 28.1-27), as situações descritas nos capítulos 56.1-12; 57.1-21; 58.1-14 e 59.1-21 demonstram que tal rebeldia prolongou-se por muitas décadas durante o ministério de Isaías e a sua mensagem não produziu os resultados esperados.
É conveniente lembrar que, depois de Isaías, o profeta Jeremias continuou a pregar em Jerusalém, enfrentando também rebeldia, cujo resultado foi a destruição de Jerusalém e Judá, por Nabucodonosor (Jr 52.1-34; 2Rs 25.1-21; 2Cr 36.11-21).
2- Resultados (consequências) da rebeldia contra Deus.
Ao despedir-se de Israel, antes que este atravessasse o Jordão, Moisés lembra-lhe as ordenanças de Deus, falando das bênçãos e maldições como expressões da justa retribuição de Deus em sua reta justiça, conforme a obediência ou desobediência à sua lei, por seu povo (Dt 27.1-26; 28.1,2 ; 28.15). Deus, soberanamente, concede ao homem o direito de escolha, apontando-lhe os resultados. Chamamos a isso de “condicionalidade relacional” expressa por “Se…Então”.
Se Israel houvesse obedecido, teria recebido a justa recompensa: a Bênção. Não teria havido a rachadura com Roboão e as nações vizinhas teriam convivido com Israel, e não teriam causado dano a povo do Senhor.
Os versos 11 a 15 mostram o povo misturando pecado e culto, ofendendo a Deus, como se Sua santidade fosse algo irrelevante: “De que me serve a multidão de vossos sacrifícios, diz o Senhor? Estou farto de… ( v.11 ); “… vindes só pisar os meus átrios”? (v.12); “não as ouvirei…” (v.15).
Há uma expressão de angústia da parte do Senhor* por causa da insensibilidade do povo, que lhe presta um culto leviano, como: “Parai de trazer ofertas vãs… não posso suportar a iniquidade associada ao ajuntamento solene” (v.13). “As vossas… a minha alma as aborrece; já me são pesadas, estou cansado de as sofrer” (v.14) “quando estendeis as vossas mãos…; e ainda que multipliqueis as vossas orações, não ouvirei”.
Pensavam que os ritos Lhe agradassem, enquanto no coração a maldade reinava. A situação descrita no capítulo 59.1-21 é semelhante, o que demonstra a pertinácia da rebeldia. Deus reconhece tal hipocrisia e a condena (Is 29.13; Ez 33.31; Mt 15.7,8,9; Mc 7.6,7). O mensageiro entrega o recado divino, porém é ignorado. A situação era semelhante nos dias de Jeremias (Jr 1.4-9; 5.1-13; 26.1-15).
O culto formalista é enganoso ao adorador (falso adorador), ofensivo a Deus, refletindo mera expressão externa, sem a sua verdadeira natureza, sem o verdadeiro significado (Jó 4.22,23,24). O perigo permanece em nosso contexto atual.
3- A Oferta de Oportunidade e Perdão (Is 1.16-18)
Quando estudamos a Bíblia inteira e acompanhamos o desenrolar em processo contínuo do trabalho de Deus na história, Sua Revelação progressiva, podemos perceber a “Boa Vontade do Senhor” (Is 53.10). Bondade, paciência, perseverança, longanimidade, amor ilimitado, como expressão de seu caráter Santo.
Uma avaliação de Isaías, Jeremias e Ezequiel nos deixa em perplexidade ante à maneira como o nosso Deus trata o seu povo (Êx 34.6,7; Dt 4.31; 2Cr 30.9; Sl 145.8,9,17; Jo 3.16; Rm 5.8).
Numa situação como as descritas em Isaías, Deus manifesta sua misericórdia e convida ao arrependimento, oferecendo perdão e restauração: “Lavai-vos… purificai-vos; cessai de fazer o mal” (Is 1.16); “Aprendei a fazer o bem; buscai a justiça; acabai com a opressão” (1.17); “Vinde... arrazoemos, diz o Senhor; ainda que os vossos pecados sejam como escarlata… como o carmesim, eles se tornarão… como a neve… como a lã” (1.18). “Se quiserdes e me ouvirdes…” (1.19). O propósito do Senhor é a restauração (Ez 18.23,32).
Ainda que o povo vivesse no pecado, na rebeldia, na desobediência, o Deus amoroso, bondoso, imutável (Ml 3.6) apela ao arrependimento e jamais fecha a porta à oportunidade (voltaremos ao assunto em lição posterior).
Aplicações
1- Deus se revelou ao seu povo, deu-lhe leis, preceitos e estatutos, a fim de fazê-lo bem-sucedido (Mq 6.8; Sl 1.2,3; Tg 1.22-25).
2- As ordenanças dadas pelo Senhor são adequadas, apropriadas à pessoa humana como imagem e semelhança do Criador, para viver como tal. O pecado subjacente à humanidade inteira manifesta-se em rebeldia e desobediência a Deus (Is 59.1-4 e 12-15).
3- O culto aparente, ritualista é enganoso ao adorador e ofensivo a Deus. Esta expressão é contundentemente condenada nos capítulos 1.11-15; 29.13-15; 59.1-18.
4- A mensagem do profeta, nos seus dias e no seu contexto, ajusta-se, aplica-se adequadamente ao nosso contexto. É necessário distinguir mera religiosidade, mera formalidade, mero ritualismo, de autêntica espiritualidade, verdadeira, legítima adoração. Jesus nos adverte fortemente sobre isto (Mt 15.6-9; Jo 4.21-24).
Glossário e Notas Explicativas:
• Deus soberanamente concede direito de escolha:
Há correntes no pensamento teológico que afirmam o determinismo, negando o livre-arbítrio humano, isto é, direito de escolha. Porém a Bíblia mostra claramente o contrário.Precisamos entender que soberania não significa “tirania”. O conceito de soberano e soberania refere-se ao direito natural, intrínseco que Deus possui para atuar ilimitadamente sobre o universo na sua totalidade. O homem é imagem e semelhança do Criador, habilitado a relacionar-se com Ele, atuar sobre a criação; é ser moral, responsável por sua ação. Por isso, Deus lhe deu leis, ordenanças, etc. A retribuição justa é aplicada de acordo com as “expressões de vida” de cada indivíduo. Agir moralmente é dever (deontologicamente = dever moral) no uso de sua liberdade pessoal. Sem liberdade de ação não há como estabelecer responsabilidade moral.
Deus retribui a cada um conforme este conceito (Dt 24.16; Ez 18.4,20; Mt 16.27; Rm 2.1-11; 2Co 5.10; 1Pe 1.17; Ap 2.23; 20.12; etc.).
• Angústia do Senhor
O texto descreve a reação do Senhor às ofensas que lhe são feitas por seu próprio povo. O agir daquela gente que existia como expressão de sua bondade, que conhecia sua Palavra, sabia dos atos de poder a seu favor, desagradava a Ele. Em vários passos bíblicos lemos de sentimentos surgidos no Senhor, provocados por ações perversas do ser humano (Gn 3.17; 6.5,6, etc). Ora, para nossa compreensão de que o nosso Deus é ser moral, que sente e reage às situações, a Bíblia usa expressões que nos ajudam a entender “os sentimentos d’Ele”. Chamamos a esta maneira de referir aos sentimentos de Deus “antropopatismo”, palavra derivada do grego, que significa atribuir a Deus sentimentos humanos.
• SE… ENTÃO
Ação e resultados compatíveis. Cada ação nossa produz-nos resultados adequados, compatíveis com ela. Chama-se a isso “condicionalidade da ação ao seu resultado correspondente”. Isto acontece em muitos aspectos da vida; por exemplo, na física, na química, etc. Paulo o expressa numa relação causa-efeito: “o que homem semear, isso ceifará” (Gl 6.7,8,9). Ora, a Bíblia mostra que há uma clara condicionalidade relacional entre o homem e Deus (Dt 28.1,2,15; 2Cr 7.13,14; Is 1.19,20).
Deus revelou-nos o que é bom (Mq 6.8), mostrando-nos como fazer boas escolhas, colhendo bons resultados, sabendo que Ele retribui adequadamente (Is 59.18).
Leituras Diárias
segunda-feira Is 1.1-17
terça-feira Is 1.18-31
quarta-feira Is 5.1-17
quinta-feira Is 5.18-30
sexta-feira Is 29.1-16
sábado Is 59.1-21
domingo Is 7.1-9
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Uma Abordagem de Isaías
Texto Básico: Is 1.1; 6.1-13
Isaías é o conteúdo da Revelação de Deus ao Seu povo, num momento do desenrolar da história humana, que envolve a descendência de Abraão, na qual todos os povos da terra serão abençoados (Gn 12.3; 22.18; 26.4; 28.14), etc.
Séculos já passaram. Deus, entretanto, na Sua fidelidade, retidão, perseverança, prossegue no Seu trabalho, para consumar Seu propósito eterno, estabelecido antes da fundação do mundo. Nada o deterá (Gn 18.14; Jó 42.1,2).
Precisamos entender que todo o registro bíblico (Gn 1.1 a Ap 22.21) é a historiografia* do trabalho de Deus para a realização plena do ser humano, individual e coletivamente, como imagem e semelhança do Criador, trazido à existência para Sua glória (Is 43.7; Ef 1.6,12, etc.).
Nesta perspectiva da história em desenvolvimento (linearidade e teleologia) procuremos entender o significado da mensagem de Isaías para o povo de Deus e os povos circundantes de seus dias e, também, que significado sua mensagem tem para o povo de Deus (Sua igreja) e os povos de nosso momento histórico. Fora desta perspectiva, apenas mera informação, seria perda de tempo, recursos, etc.
Consideremos alguns aspectos básicos concernentes ao profeta e sua mensagem que, certamente, nos ajudarão a entender, em sequência, todos os estudos do trimestre.
1- O Ambiente (envolvente e histórico) do profeta e de sua mensagem.
Deixaremos fora de qualquer abordagem todas as questões críticas, por serem de natureza acadêmica. Consideraremos a unidade de autoria e conteúdo, concentrando-nos no significado e relevância da mensagem para o mundo de então e de agora.
1.1- O tempo (data aproximada) do ministério de Isaías.
Isaías ministrou durante os reinados de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias (Is 1.1), mas há possibilidades de que tenha ministrado durante os primeiros anos de Manassés. Foi um longo ministério de uns 60 anos, ou mais.
Uzias reinou durante 52 anos (2Cr 26.1-23); Jotão, durante 16 (2Cr 27.1-9); Acaz reinou por 16 (2Cr 28.1-27); Ezequias reinou por 29 (2Cr 29.1 a 32.33).
A vocação do profeta ocorreu no ano da morte do rei Uzias (Is 6.1-13). Não há qualquer informação de tempo, o texto apenas diz: “nos dias de” (Is 1.1).
Há algumas tradições judaicas que afirmam ter Isaías ministrado, também, nos primeiros anos de Manassés (2Cr 33.1-20), e que o profeta foi martirizado por ele. Há estudiosos que sustentam tais tradições e afirmam que a referência de Hebreus 11.37 “serrados ao meio”, tem a ver com o martírio de Isaías por Manassés.
Considerando os anos de reinado de Jotão (16), Acaz (16) e Ezequias (29), obtemos um período de 61 anos. Se considerarmos os períodos de Uzias e Manassés, podemos concluir que Isaías ministrou durante 60 a 70 anos. Podemos pensar com segurança dois eventos que nos ajudam quanto ao seu tempo: a morte de Uzias, em 740 a.C. (Is1.1; 6.1) e a morte de Senaqueribe em 681 a.C. (Is 37.36-38 ), considerando (740 menos 681 = 59 ).
Isaías escreveu os capítulos 1-39, durante os reinados de Uzias, Jotão e Acaz, segundo alguns eruditos, e os capítulos 40-66 durante seus últimos anos de ministério, nos primeiros anos do reinado de Manassés, sob perseguição, donde resultou a mensagem do “servo sofredor” (Is 52.13 a 53.12). Mas o argumento é questionável, à luz de suas projeções proféticas no Novo Testamento (A questão será considerada em estudo posterior).
1.2- A Envolvente Política
O cenário político nos dias de Isaías se caracterizava por uma grande ascensão do poderio e domínio da Assíria. Tiglate-Pileser dirige suas campanhas e conquistas para o Ocidente, invadindo Israel (reino do Norte) e a Transjordânia entre 745 e 734 a.C.
Sargon e Salmanasar sitiaram e destruíram Samária entre 724 e 722 a.C. Senaqueribe invadiu Judá e boa parte da Palestina Ocidental entre 714 e 701, quando tentou conquistar Jerusalém (Is 36 e 37), sendo derrotado, seu exército destruído e ele mesmo assassinado por seus filhos em Nínive.
Internamente, a situação era muito difícil. No reino do Norte a opressão, a decadência espiritual se manifestavam em toda a extensão (profetas Amós, Oseias, Miqueias).
Judá, por sua vez, entrara em declínio sob a atitude idolátrica de Acaz (2Cr 28.1-4 e 16-27), desagradando a Deus, trazendo resultados negativos para o reino do Sul.
1.3- A envolvente espiritual
O ambiente espiritual dos dias de Isaías era também de dificuldades acentuadas. Em Deuteronômio 27.11 a 33.29, Moisés recapitula as ordenanças de Deus para seu povo, deixando claro que as relações entre as parte se expressariam à base de mutualidade, e na condicionalidade do seu cumprimento por parte do povo, A condicionalidade destaca-se pela repetição da partícula “SE”. Uma leitura atenta e cuidadosa dessa porção bíblica ajudará no entendimento das conseqências tristes (destruição) para Israel e Judá.
Os capítulos 01, 58, 59 de Isaías, bem assim as ações de Acaz e Manassés e de alguns outros reis, revelam o triste cenário espiritual enfrentado por Isaías. Vale, ainda, considerar o reinado de Acaz, conforme Isaías 7.1-9.
1.4- Os Profetas Contemporâneos de Isaías
Isaías teve como seu contemporâneo em Judá o profeta Miqueias (Mq 1.1,2). Isaías ministrava na cidade, junto à corte real. Miqueias, como que complementava o ministério de Isaías, atuando na zona rural de Judá, buscando conscientizar o povo acerca da incompatibilidade da injustiça como “expressão de vida” *, como povo santo (Mq 6.8).
Oseias e Amós profetizaram contemporaneamente a Isaías, ministrando às populações do reino do Norte. Enquanto Amós denunciava a opressão e a injustiça, Oseias exortava o povo a respeitar e manter-se fiel à “Aliança” com o Senhor. Sua ênfase era de que a “Aliança era a manifestação do amor do Senhor ao seu povo”.
1.5- O Propósito (Objetivo) da mensagem de Isaías.
Certamente a sua mensagem tem como objetivo primordial conscientizar o povo de Deus acerca da bondade deste por aquele. Já afirmamos e enfatizaremos que o propósito eterno de Deus se centraliza na consumação de Seu Reino, preparado na eternidade para o ser humano, Sua Imagem e Semelhança.
Sua mensagem objetiva mostrar que em meio às situações históricas daqueles dias, Deus permanecia o Senhor de Israel. O Deus único, cujos atributos são relembrados na profecia – que tem autoridade, domínio, poder para realizar progressivamente no processo da história o seu propósito eterno, feito no Redentor (o Messias), que virá em forma humana, e fará a obra de libertação plena, histórica, no tempo determinado –
está trabalhando progressivamente, até que chegue a “plenitude dos tempos” quando sua ação alcançará sua realização plena (Ef 1.9,10).
APLICAÇÕES:
1- Deus ama o seu povo
1.1- Por isso lhe dá mensageiros para instruí-lo e mantê-lo na verdade.
1.2- Ajuda-o por intermédio da mensagem a mantê-lo no ânimo da esperança (glória) futura, que lhe trará plenitude de satisfação.
1.3- Por meio da mensagem aponta o erro (pecado), oferecendo a oportunidade para retornar mediante o arrependimento, à alegria da comunhão com Ele.
1.4- Pela mensagem mostra que não abandona seu povo nas situações difíceis. Ao contrário, sua bondade contínua segue o fiel de “geração em geração”, da criação à consumação.
Glossário e notas explicativas:
• (YHWH): Tetragrama usado nos livros na área da teologia, para referir-se à palavra falada ou escrita “Jeová” (também grafada como “Iavé” ou “Javé”), derivada de um verbo hebraico que em português se expressa como verbo “ser” (existir), cujo sentido básico é “ser em si e por si”. Aquela realidade totalmente independente, isto é, não tem causa nem necessidade extrínseca. Ao contrário, é causa, meio e finalidade de todas as coisas.
• Messianismo: Ensino, Discurso, Doutrina, etc., acerca de um tempo futuro quando a presente situação problemática da humanidade cessará e um novo tempo (época) a sucederá. Essa concepção era característica do povo judeu, denominada no estudo da história da revelação de Deus ao seu povo como “Esperança Messiânica”.
A palavra da qual se deriva a expressão no Antigo Testamento, em nosso idioma, é Messias e no Novo Testamento é Cristo. Ambas foram aportuguesadas, e o seu significado é “Ungido”, isto é, aquele a quem Deus escolheu, credenciou e enviou ao mundo, para redimi-lo.
Veremos nos estudos posteriores que o “Messias” é o Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus.
.
• Historiografia: Registro escrito dos fatos históricos; história escrita. No caso, o registro bíblico total é a Revelação do trabalho de Deus na história para restaurar o homem como indivíduo e como raça.
• História: Linearidade e Teleologia: Linearidade é a concepção filosófica de que a história não é repetida, movendo-se como que em círculos. Ao contrário, os acontecimentos tiveram um começo e se dirigem para um fim estabelecido. Teleologia é a concepção filosófica de que os fatos (acontecimentos) na História não são casuais, mas estão inseridos no conceito de um “propósito”, ou se dirigem para uma consumação prevista. Dentro de uma visão da Teologia da História, esta é a expressão do trabalho de Deus, tendo em vista o seu propósito eterno, na pessoa do Filho, dentro da esfera de sua soberania.
Há, entretanto, duas posições: a determinista: tudo foi estabelecido por Deus desde a eternidade, e não há como mudar os acontecimentos. Há a posição não determinista, que considera o livre-arbítrio humano. O Homem atua fazendo a história e Deus na Sua soberania dirige-a, julgando as ações (os atos do homem) retribuindo com reta justiça.
Leituras Diárias:
segunda-feira 2Cr 26.1-23
terça-feira 2Cr 27.1-9
quarta-feira 2Cr 28.1-27
quinta-feira 2Cr 29
sexta-feira Mq 1.1,2; 6.1-8;
sábado Os 5.1-15; Am 5.1-17
domingo Is 1.1; 6.1-13
Isaías é o conteúdo da Revelação de Deus ao Seu povo, num momento do desenrolar da história humana, que envolve a descendência de Abraão, na qual todos os povos da terra serão abençoados (Gn 12.3; 22.18; 26.4; 28.14), etc.
Séculos já passaram. Deus, entretanto, na Sua fidelidade, retidão, perseverança, prossegue no Seu trabalho, para consumar Seu propósito eterno, estabelecido antes da fundação do mundo. Nada o deterá (Gn 18.14; Jó 42.1,2).
Precisamos entender que todo o registro bíblico (Gn 1.1 a Ap 22.21) é a historiografia* do trabalho de Deus para a realização plena do ser humano, individual e coletivamente, como imagem e semelhança do Criador, trazido à existência para Sua glória (Is 43.7; Ef 1.6,12, etc.).
Nesta perspectiva da história em desenvolvimento (linearidade e teleologia) procuremos entender o significado da mensagem de Isaías para o povo de Deus e os povos circundantes de seus dias e, também, que significado sua mensagem tem para o povo de Deus (Sua igreja) e os povos de nosso momento histórico. Fora desta perspectiva, apenas mera informação, seria perda de tempo, recursos, etc.
Consideremos alguns aspectos básicos concernentes ao profeta e sua mensagem que, certamente, nos ajudarão a entender, em sequência, todos os estudos do trimestre.
1- O Ambiente (envolvente e histórico) do profeta e de sua mensagem.
Deixaremos fora de qualquer abordagem todas as questões críticas, por serem de natureza acadêmica. Consideraremos a unidade de autoria e conteúdo, concentrando-nos no significado e relevância da mensagem para o mundo de então e de agora.
1.1- O tempo (data aproximada) do ministério de Isaías.
Isaías ministrou durante os reinados de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias (Is 1.1), mas há possibilidades de que tenha ministrado durante os primeiros anos de Manassés. Foi um longo ministério de uns 60 anos, ou mais.
Uzias reinou durante 52 anos (2Cr 26.1-23); Jotão, durante 16 (2Cr 27.1-9); Acaz reinou por 16 (2Cr 28.1-27); Ezequias reinou por 29 (2Cr 29.1 a 32.33).
A vocação do profeta ocorreu no ano da morte do rei Uzias (Is 6.1-13). Não há qualquer informação de tempo, o texto apenas diz: “nos dias de” (Is 1.1).
Há algumas tradições judaicas que afirmam ter Isaías ministrado, também, nos primeiros anos de Manassés (2Cr 33.1-20), e que o profeta foi martirizado por ele. Há estudiosos que sustentam tais tradições e afirmam que a referência de Hebreus 11.37 “serrados ao meio”, tem a ver com o martírio de Isaías por Manassés.
Considerando os anos de reinado de Jotão (16), Acaz (16) e Ezequias (29), obtemos um período de 61 anos. Se considerarmos os períodos de Uzias e Manassés, podemos concluir que Isaías ministrou durante 60 a 70 anos. Podemos pensar com segurança dois eventos que nos ajudam quanto ao seu tempo: a morte de Uzias, em 740 a.C. (Is1.1; 6.1) e a morte de Senaqueribe em 681 a.C. (Is 37.36-38 ), considerando (740 menos 681 = 59 ).
Isaías escreveu os capítulos 1-39, durante os reinados de Uzias, Jotão e Acaz, segundo alguns eruditos, e os capítulos 40-66 durante seus últimos anos de ministério, nos primeiros anos do reinado de Manassés, sob perseguição, donde resultou a mensagem do “servo sofredor” (Is 52.13 a 53.12). Mas o argumento é questionável, à luz de suas projeções proféticas no Novo Testamento (A questão será considerada em estudo posterior).
1.2- A Envolvente Política
O cenário político nos dias de Isaías se caracterizava por uma grande ascensão do poderio e domínio da Assíria. Tiglate-Pileser dirige suas campanhas e conquistas para o Ocidente, invadindo Israel (reino do Norte) e a Transjordânia entre 745 e 734 a.C.
Sargon e Salmanasar sitiaram e destruíram Samária entre 724 e 722 a.C. Senaqueribe invadiu Judá e boa parte da Palestina Ocidental entre 714 e 701, quando tentou conquistar Jerusalém (Is 36 e 37), sendo derrotado, seu exército destruído e ele mesmo assassinado por seus filhos em Nínive.
Internamente, a situação era muito difícil. No reino do Norte a opressão, a decadência espiritual se manifestavam em toda a extensão (profetas Amós, Oseias, Miqueias).
Judá, por sua vez, entrara em declínio sob a atitude idolátrica de Acaz (2Cr 28.1-4 e 16-27), desagradando a Deus, trazendo resultados negativos para o reino do Sul.
1.3- A envolvente espiritual
O ambiente espiritual dos dias de Isaías era também de dificuldades acentuadas. Em Deuteronômio 27.11 a 33.29, Moisés recapitula as ordenanças de Deus para seu povo, deixando claro que as relações entre as parte se expressariam à base de mutualidade, e na condicionalidade do seu cumprimento por parte do povo, A condicionalidade destaca-se pela repetição da partícula “SE”. Uma leitura atenta e cuidadosa dessa porção bíblica ajudará no entendimento das conseqências tristes (destruição) para Israel e Judá.
Os capítulos 01, 58, 59 de Isaías, bem assim as ações de Acaz e Manassés e de alguns outros reis, revelam o triste cenário espiritual enfrentado por Isaías. Vale, ainda, considerar o reinado de Acaz, conforme Isaías 7.1-9.
1.4- Os Profetas Contemporâneos de Isaías
Isaías teve como seu contemporâneo em Judá o profeta Miqueias (Mq 1.1,2). Isaías ministrava na cidade, junto à corte real. Miqueias, como que complementava o ministério de Isaías, atuando na zona rural de Judá, buscando conscientizar o povo acerca da incompatibilidade da injustiça como “expressão de vida” *, como povo santo (Mq 6.8).
Oseias e Amós profetizaram contemporaneamente a Isaías, ministrando às populações do reino do Norte. Enquanto Amós denunciava a opressão e a injustiça, Oseias exortava o povo a respeitar e manter-se fiel à “Aliança” com o Senhor. Sua ênfase era de que a “Aliança era a manifestação do amor do Senhor ao seu povo”.
1.5- O Propósito (Objetivo) da mensagem de Isaías.
Certamente a sua mensagem tem como objetivo primordial conscientizar o povo de Deus acerca da bondade deste por aquele. Já afirmamos e enfatizaremos que o propósito eterno de Deus se centraliza na consumação de Seu Reino, preparado na eternidade para o ser humano, Sua Imagem e Semelhança.
Sua mensagem objetiva mostrar que em meio às situações históricas daqueles dias, Deus permanecia o Senhor de Israel. O Deus único, cujos atributos são relembrados na profecia – que tem autoridade, domínio, poder para realizar progressivamente no processo da história o seu propósito eterno, feito no Redentor (o Messias), que virá em forma humana, e fará a obra de libertação plena, histórica, no tempo determinado –
está trabalhando progressivamente, até que chegue a “plenitude dos tempos” quando sua ação alcançará sua realização plena (Ef 1.9,10).
APLICAÇÕES:
1- Deus ama o seu povo
1.1- Por isso lhe dá mensageiros para instruí-lo e mantê-lo na verdade.
1.2- Ajuda-o por intermédio da mensagem a mantê-lo no ânimo da esperança (glória) futura, que lhe trará plenitude de satisfação.
1.3- Por meio da mensagem aponta o erro (pecado), oferecendo a oportunidade para retornar mediante o arrependimento, à alegria da comunhão com Ele.
1.4- Pela mensagem mostra que não abandona seu povo nas situações difíceis. Ao contrário, sua bondade contínua segue o fiel de “geração em geração”, da criação à consumação.
Glossário e notas explicativas:
• (YHWH): Tetragrama usado nos livros na área da teologia, para referir-se à palavra falada ou escrita “Jeová” (também grafada como “Iavé” ou “Javé”), derivada de um verbo hebraico que em português se expressa como verbo “ser” (existir), cujo sentido básico é “ser em si e por si”. Aquela realidade totalmente independente, isto é, não tem causa nem necessidade extrínseca. Ao contrário, é causa, meio e finalidade de todas as coisas.
• Messianismo: Ensino, Discurso, Doutrina, etc., acerca de um tempo futuro quando a presente situação problemática da humanidade cessará e um novo tempo (época) a sucederá. Essa concepção era característica do povo judeu, denominada no estudo da história da revelação de Deus ao seu povo como “Esperança Messiânica”.
A palavra da qual se deriva a expressão no Antigo Testamento, em nosso idioma, é Messias e no Novo Testamento é Cristo. Ambas foram aportuguesadas, e o seu significado é “Ungido”, isto é, aquele a quem Deus escolheu, credenciou e enviou ao mundo, para redimi-lo.
Veremos nos estudos posteriores que o “Messias” é o Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus.
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• Historiografia: Registro escrito dos fatos históricos; história escrita. No caso, o registro bíblico total é a Revelação do trabalho de Deus na história para restaurar o homem como indivíduo e como raça.
• História: Linearidade e Teleologia: Linearidade é a concepção filosófica de que a história não é repetida, movendo-se como que em círculos. Ao contrário, os acontecimentos tiveram um começo e se dirigem para um fim estabelecido. Teleologia é a concepção filosófica de que os fatos (acontecimentos) na História não são casuais, mas estão inseridos no conceito de um “propósito”, ou se dirigem para uma consumação prevista. Dentro de uma visão da Teologia da História, esta é a expressão do trabalho de Deus, tendo em vista o seu propósito eterno, na pessoa do Filho, dentro da esfera de sua soberania.
Há, entretanto, duas posições: a determinista: tudo foi estabelecido por Deus desde a eternidade, e não há como mudar os acontecimentos. Há a posição não determinista, que considera o livre-arbítrio humano. O Homem atua fazendo a história e Deus na Sua soberania dirige-a, julgando as ações (os atos do homem) retribuindo com reta justiça.
Leituras Diárias:
segunda-feira 2Cr 26.1-23
terça-feira 2Cr 27.1-9
quarta-feira 2Cr 28.1-27
quinta-feira 2Cr 29
sexta-feira Mq 1.1,2; 6.1-8;
sábado Os 5.1-15; Am 5.1-17
domingo Is 1.1; 6.1-13
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Uma igreja que valoriza a essência mais do que a aparência
Texto Bíblico: Mateus 23.1-31
Introdução: A igreja é um organismo, corpo vivo de Cristo, que louva, dignifica e exalta o seu nome. Também é uma organização, uma sociedade singular, um ajuntamento de pessoas que nenhum outro a ele se iguala. Ela é guardiã da verdade eterna, prega o evangelho anunciando as virtudes dos céus (1Pe 2.9), e caminha desenvolvendo ações pastorais, educacionais, missionárias e sociais. “É a igreja que, na palavra escrita e falada, assim como na vida e conduta de seus membros, confronta o homem com Jesus Cristo”.
A vida da igreja e suas ações no mundo devem exalar “o bom perfume de Cristo” (2Co 2.15).
O tempo do farisaísmo, da religião legalista, do orgulho ostensivo por comandar ou manipular os outros, da busca pelo poder religioso como promotor da figura humana (Mt 23.5) e da falta de sensibilidade, precisa ficar para trás, cedendo espaço a sentimentos e atitudes mais nobres e cristãs (Hb 6.9). É certo que nem todos os fariseus agiam assim, da mesma forma como, em nossos dias, postura assim não é a regra geral (Ef 6.6).
Algumas atitudes devem ser tomadas por nós, a fim de que evitemos confundir aparência com essência.
I -Conhecer o que crê
A vida cristã não pode ser fruto de regulamentos religiosos produzidos por homens ou instituições, que firam o conteúdo do “manual do fabricante”, que sufoquem a consciência, que torçam a essência, onde o mais importante não é agradar a Deus, que conhece o coração, mas aos homens (1Ts 2.4;4.1; At 4.19,20).
Os grandes erros apresentados pelos fariseus foram: a autonomia espiritual, ensinar uma coisa e fazer outra, aumentar o jugo quando Jesus suavizou-o (Mt 11.29,30), desejarem os primeiros lugares, quando o Mestre afirmou que os últimos seriam os primeiros (Mt 19.30). Estavam caminhando opostamente a Jesus.
O conhecimento dos fundamentos da fé nos traz da periferia para o centro do evangelho, onde passamos a lidar com o mérito da verdade. Quando Jesus falou dos primeiros lugares nas ceias, das saudações nas praças, do querer ser chamado de Rabi e recomendou que a ninguém na terra chamassem pai ou mestre (Mt 23.6-9), falava de algo que só poderia ser entendido no poder do Espírito, que vivifica, e nunca na mera letra, que mata (2Co 3.6). Jesus não estava normatizando o emprego ou uso técnico dos títulos, mas combatendo o orgulho ou presunção, que leva alguém a apreciar-se em demasia, vendo-se além daquilo que é, exigindo homenagens e honrarias.
Percebe-se que a atitude mais recomendável é reconhecer que somente um é mestre (Mt 23.10). Aqui Jesus enfatiza a sua autoridade como Filho de Deus.
Quando o crente conhece a razão de sua esperança, encontra-se preparado para dar respostas quanto à sua fé (1Pe 3.15,16), valoriza pertencer à igreja por amor a Jesus e por gratidão pela obra da redenção (Ef 1.7-9). Sabe que a igreja não é só um ajuntamento de pessoas, mas uma comunidade de fé, onde os crentes vivem suas convicções, contribuem financeiramente e anunciam a Cristo. O conhecimento permite ter o alimento certo, em quantidades certas, fugindo da ditadura das regras – o legalismo – e apresentando-se como servo, condição em que as honras são consequências do servir bem (Jo 12.26).
II – Aperfeiçoar o que crê
Nossa prática de fé não pode expressar exibição nem orgulho. Jesus condenou a hipocrisia daqueles líderes religiosos ao dizer: “Ai de vós, escribas e fariseus...”, por mascararem a verdade, mostrando ao povo um rosto falso (Mt 23.13-36). A religião legalista vive mais da aparência do que da essência. Ela impede o prazer e a leveza das realizações espirituais (Mt 23.13), valorizando mais a pureza ritual do que a da vida (Mt 23.15). Esse distúrbio pode ser corrigido pelo conhecimento de Deus, por meio da Palavra. Aperfeiçoar o que crê é um dos pontos essenciais no trabalho cristão: demanda investimento contínuo, trabalho árduo e permanente. Por que se faz necessário o aperfeiçoamento do que se crê? Porque, embora a salvação seja um ato (Ef 1.13), a santificação é um processo (Fp 2.12).
Aperfeiçoar-se requer disciplina e disponibilidade. Muitos até dizem que gostariam de aprender mais da Palavra, servir mais e melhor ao Senhor por meio da igreja local, mas nunca estão disponíveis, colocam empecilhos em tudo (Lc 9.59-62; 14.15-20).
Crer é também pensar e pensar demanda trabalho árduo, por isso muitos crentes em Jesus não querem amadurecer na fé, porque para tanto vão precisar, não apenas receber as doutrinas mas estabelecer-se nelas (At 2.42), edificando suas vidas no fundamento dos apóstolos (Ef 2.20).
Precisam conhecer as bases da fé e as doutrinas em que afirmam crer; caso contrário, serão levados por qualquer vento de doutrina (Ef 4.14); não trabalhando no Reino, mas dando trabalho aos trabalhadores desse Reino.
Também não podemos nos esquecer de uma outra tarefa de ato contínuo para o aperfeiçoamento do que se crê – o enchimento do Espírito Santo (Ef 5.18); pois é Ele quem nos impulsiona a buscar conhecer mais e mais da obra que o próprio Espírito deseja fazer em nós.
Quando buscamos conhecer e continuar conhecendo o Senhor, mais nos aprofundamos, criamos raízes fortes e profundas e ampliamos a nossa visão e entendimento do que Cristo deseja para a sua igreja.
III – Utilizar-se do que se crê
Certa vez um líder de juventude, incomodado com a inércia de seus liderados, lançou a seguinte pergunta: Para que nós estamos sendo treinados? Para morrer? Na época, achamos até engraçado, mas depois concordamos e saímos à luta.
A pergunta daquele líder também deve ser a nossa nos dias de hoje. Para que estamos sendo aperfeiçoados durante todo o tempo?
Creio que as respostas nós já as temos. Primeiramente, a fé e o equipamento que os salvos recebem são para viver a vida aqui na terra. Não é fácil viver. Estamos expostos aos embates, sofrimentos, angústias e principalmente à luta diária contra “o pecado que tão de perto nos rodeia” (Hb 12.1).
É preciso ter fé e conhecimento de Deus por intermédio de sua Palavra, pois onde não há conhecimento do que se crê, o povo se corrompe (Os 4.6).
Mas continuamos perguntando: crer para quê?
Além de crer para a própria vida, precisamos viver essa vida em comunhão: com Deus, com a família, com a igreja e com a sociedade. Não podemos nos portar como estranhos ao nosso meio; pois somos chamados para sermos santos (1Pe 1.15,16), diferentes, mas não estranhos ou esquisitos.
É nesses contatos que surgem oportunidades de colocarmos em prática aquilo que levamos aprendendo a vida toda.
A igreja é prenúncio do céu; é nela que recebemos treinamento para vivermos na “comunhão eterna”.
De nada adianta recebermos alimento espiritual da melhor qualidade se não utilizarmos, compartilharmos esse alimento. Quando isso não acontece, tornamo-nos “obesos da fé”. Seremos aqueles que aprendem sempre, sem nunca chegar ao conhecimento (2Tm 3.7); este não tem utilidade se não for colocado em prática – é a mesma relação que existe entre o ensino e a aprendizagem.
A essência do ser igreja é louvar a Deus, mas também compartilhar tudo aquilo que de Deus tem recebido (2Tm 1.7-12).
Para pensar e agir
• Não dá para viver de aparência, de superficialidade e de engodo. A vida com Deus é consistente, marcada pela sinceridade, pela essência e pela beleza interior aos olhos benditos do Pai, que tudo vê, conhece e avalia não só a partir do que foi feito mas pela forma como se fez. Ser igreja é viver de modo integral: sabendo quem é, a missão, o caminho a ser percorrido e o objetivo a ser alcançado. Você sabe por que é cristão e o que deseja para a sua vida?
• Crer é importante, mas continuar crendo é mais importante ainda. O conhecimento é dinâmico como dinâmica é a vida. Seu conhecimento, sua fé aumentaram ou são os mesmos “daquela época”?
• Viver a essência do ser igreja é ter alegria de compartilhar o “alimento espiritual”. Aquele que compartilha a sua fé alimenta outros e fica livre de uma doença chamada “obesidade espiritual”.
Leituras diárias:
segunda-feira – Mateus 5.33-37
terça-feira – 1Pedro 3.8-17
quarta-feira – Atos 3.12-26
quinta-feira – Marcos 8.10-21
sexta-feira – Mateus 6.1-8
sábado – Isaías 29.1-16
domingo – Lucas 20.41-47
Introdução: A igreja é um organismo, corpo vivo de Cristo, que louva, dignifica e exalta o seu nome. Também é uma organização, uma sociedade singular, um ajuntamento de pessoas que nenhum outro a ele se iguala. Ela é guardiã da verdade eterna, prega o evangelho anunciando as virtudes dos céus (1Pe 2.9), e caminha desenvolvendo ações pastorais, educacionais, missionárias e sociais. “É a igreja que, na palavra escrita e falada, assim como na vida e conduta de seus membros, confronta o homem com Jesus Cristo”.
A vida da igreja e suas ações no mundo devem exalar “o bom perfume de Cristo” (2Co 2.15).
O tempo do farisaísmo, da religião legalista, do orgulho ostensivo por comandar ou manipular os outros, da busca pelo poder religioso como promotor da figura humana (Mt 23.5) e da falta de sensibilidade, precisa ficar para trás, cedendo espaço a sentimentos e atitudes mais nobres e cristãs (Hb 6.9). É certo que nem todos os fariseus agiam assim, da mesma forma como, em nossos dias, postura assim não é a regra geral (Ef 6.6).
Algumas atitudes devem ser tomadas por nós, a fim de que evitemos confundir aparência com essência.
I -Conhecer o que crê
A vida cristã não pode ser fruto de regulamentos religiosos produzidos por homens ou instituições, que firam o conteúdo do “manual do fabricante”, que sufoquem a consciência, que torçam a essência, onde o mais importante não é agradar a Deus, que conhece o coração, mas aos homens (1Ts 2.4;4.1; At 4.19,20).
Os grandes erros apresentados pelos fariseus foram: a autonomia espiritual, ensinar uma coisa e fazer outra, aumentar o jugo quando Jesus suavizou-o (Mt 11.29,30), desejarem os primeiros lugares, quando o Mestre afirmou que os últimos seriam os primeiros (Mt 19.30). Estavam caminhando opostamente a Jesus.
O conhecimento dos fundamentos da fé nos traz da periferia para o centro do evangelho, onde passamos a lidar com o mérito da verdade. Quando Jesus falou dos primeiros lugares nas ceias, das saudações nas praças, do querer ser chamado de Rabi e recomendou que a ninguém na terra chamassem pai ou mestre (Mt 23.6-9), falava de algo que só poderia ser entendido no poder do Espírito, que vivifica, e nunca na mera letra, que mata (2Co 3.6). Jesus não estava normatizando o emprego ou uso técnico dos títulos, mas combatendo o orgulho ou presunção, que leva alguém a apreciar-se em demasia, vendo-se além daquilo que é, exigindo homenagens e honrarias.
Percebe-se que a atitude mais recomendável é reconhecer que somente um é mestre (Mt 23.10). Aqui Jesus enfatiza a sua autoridade como Filho de Deus.
Quando o crente conhece a razão de sua esperança, encontra-se preparado para dar respostas quanto à sua fé (1Pe 3.15,16), valoriza pertencer à igreja por amor a Jesus e por gratidão pela obra da redenção (Ef 1.7-9). Sabe que a igreja não é só um ajuntamento de pessoas, mas uma comunidade de fé, onde os crentes vivem suas convicções, contribuem financeiramente e anunciam a Cristo. O conhecimento permite ter o alimento certo, em quantidades certas, fugindo da ditadura das regras – o legalismo – e apresentando-se como servo, condição em que as honras são consequências do servir bem (Jo 12.26).
II – Aperfeiçoar o que crê
Nossa prática de fé não pode expressar exibição nem orgulho. Jesus condenou a hipocrisia daqueles líderes religiosos ao dizer: “Ai de vós, escribas e fariseus...”, por mascararem a verdade, mostrando ao povo um rosto falso (Mt 23.13-36). A religião legalista vive mais da aparência do que da essência. Ela impede o prazer e a leveza das realizações espirituais (Mt 23.13), valorizando mais a pureza ritual do que a da vida (Mt 23.15). Esse distúrbio pode ser corrigido pelo conhecimento de Deus, por meio da Palavra. Aperfeiçoar o que crê é um dos pontos essenciais no trabalho cristão: demanda investimento contínuo, trabalho árduo e permanente. Por que se faz necessário o aperfeiçoamento do que se crê? Porque, embora a salvação seja um ato (Ef 1.13), a santificação é um processo (Fp 2.12).
Aperfeiçoar-se requer disciplina e disponibilidade. Muitos até dizem que gostariam de aprender mais da Palavra, servir mais e melhor ao Senhor por meio da igreja local, mas nunca estão disponíveis, colocam empecilhos em tudo (Lc 9.59-62; 14.15-20).
Crer é também pensar e pensar demanda trabalho árduo, por isso muitos crentes em Jesus não querem amadurecer na fé, porque para tanto vão precisar, não apenas receber as doutrinas mas estabelecer-se nelas (At 2.42), edificando suas vidas no fundamento dos apóstolos (Ef 2.20).
Precisam conhecer as bases da fé e as doutrinas em que afirmam crer; caso contrário, serão levados por qualquer vento de doutrina (Ef 4.14); não trabalhando no Reino, mas dando trabalho aos trabalhadores desse Reino.
Também não podemos nos esquecer de uma outra tarefa de ato contínuo para o aperfeiçoamento do que se crê – o enchimento do Espírito Santo (Ef 5.18); pois é Ele quem nos impulsiona a buscar conhecer mais e mais da obra que o próprio Espírito deseja fazer em nós.
Quando buscamos conhecer e continuar conhecendo o Senhor, mais nos aprofundamos, criamos raízes fortes e profundas e ampliamos a nossa visão e entendimento do que Cristo deseja para a sua igreja.
III – Utilizar-se do que se crê
Certa vez um líder de juventude, incomodado com a inércia de seus liderados, lançou a seguinte pergunta: Para que nós estamos sendo treinados? Para morrer? Na época, achamos até engraçado, mas depois concordamos e saímos à luta.
A pergunta daquele líder também deve ser a nossa nos dias de hoje. Para que estamos sendo aperfeiçoados durante todo o tempo?
Creio que as respostas nós já as temos. Primeiramente, a fé e o equipamento que os salvos recebem são para viver a vida aqui na terra. Não é fácil viver. Estamos expostos aos embates, sofrimentos, angústias e principalmente à luta diária contra “o pecado que tão de perto nos rodeia” (Hb 12.1).
É preciso ter fé e conhecimento de Deus por intermédio de sua Palavra, pois onde não há conhecimento do que se crê, o povo se corrompe (Os 4.6).
Mas continuamos perguntando: crer para quê?
Além de crer para a própria vida, precisamos viver essa vida em comunhão: com Deus, com a família, com a igreja e com a sociedade. Não podemos nos portar como estranhos ao nosso meio; pois somos chamados para sermos santos (1Pe 1.15,16), diferentes, mas não estranhos ou esquisitos.
É nesses contatos que surgem oportunidades de colocarmos em prática aquilo que levamos aprendendo a vida toda.
A igreja é prenúncio do céu; é nela que recebemos treinamento para vivermos na “comunhão eterna”.
De nada adianta recebermos alimento espiritual da melhor qualidade se não utilizarmos, compartilharmos esse alimento. Quando isso não acontece, tornamo-nos “obesos da fé”. Seremos aqueles que aprendem sempre, sem nunca chegar ao conhecimento (2Tm 3.7); este não tem utilidade se não for colocado em prática – é a mesma relação que existe entre o ensino e a aprendizagem.
A essência do ser igreja é louvar a Deus, mas também compartilhar tudo aquilo que de Deus tem recebido (2Tm 1.7-12).
Para pensar e agir
• Não dá para viver de aparência, de superficialidade e de engodo. A vida com Deus é consistente, marcada pela sinceridade, pela essência e pela beleza interior aos olhos benditos do Pai, que tudo vê, conhece e avalia não só a partir do que foi feito mas pela forma como se fez. Ser igreja é viver de modo integral: sabendo quem é, a missão, o caminho a ser percorrido e o objetivo a ser alcançado. Você sabe por que é cristão e o que deseja para a sua vida?
• Crer é importante, mas continuar crendo é mais importante ainda. O conhecimento é dinâmico como dinâmica é a vida. Seu conhecimento, sua fé aumentaram ou são os mesmos “daquela época”?
• Viver a essência do ser igreja é ter alegria de compartilhar o “alimento espiritual”. Aquele que compartilha a sua fé alimenta outros e fica livre de uma doença chamada “obesidade espiritual”.
Leituras diárias:
segunda-feira – Mateus 5.33-37
terça-feira – 1Pedro 3.8-17
quarta-feira – Atos 3.12-26
quinta-feira – Marcos 8.10-21
sexta-feira – Mateus 6.1-8
sábado – Isaías 29.1-16
domingo – Lucas 20.41-47
terça-feira, 13 de setembro de 2011
UMA IGREJA QUE CUIDA DO AMBIENTE
TEXTO BÍBLICO: Romanos 8.21,22
Introdução
Nos últimos tempos as pessoas têm voltado sua atenção para algumas questões até então ignoradas. Uma delas é a preocupação com o meio ambiente. Essa é sem dúvida uma questão urgente, pois diariamente testemunhamos graves desastres ambientais (Os 4.3). Mas também havemos de considerar os outros ambientes dos quais todos nós indistintamente fazemos parte: o ambiente espiritual e social.
Na década de 60, um historiador norte-americano, chamado Lymn White Jr. afirmou categoricamente que o mundo ocidental cristão era responsável pela atual crise ecológica do nosso planeta. Entendia, à luz de Gênesis 1.28, que as matrizes de todos os problemas ambientais e ecológicos fundamentavam-se na concepção antropológica judaico-cristã; era uma severa crítica ao cristianismo. Em sua visão deturpada da mensagem bíblica ele afirmava que era vontade de Deus que o homem explorasse a natureza em benefício próprio. Seu pensamento provocou uma onda de agitação no campo da sociologia, filosofia e da teologia. Do lado da teologia, deu-se início a um movimento chamado Ecoteologia; mas, embora o tempo tenha passado e os problemas ecológicos se tornado mais visíveis no mundo todo, muito pouco se fez. E hoje, eles batem à nossa porta, à porta de nossas casas, de nossas famílias e de nossas igrejas.
Infelizmente, durante anos, nossa maior preocupação era só em salvar as almas, não dando atenção ao fato que as almas habitam um corpo e que este ocupa um lugar no espaço. A mensagem de salvação atinge a consciência cristã, deixa claro que estamos de passagem por esta terra e que devemos tornar essa nossa peregrinação mais saudável, deixando no caminho as marcas de um novo ser: um ser que venceu a alienação de si mesmo, da sociedade e da natureza como um todo.
Essas questões, certamente, têm causado bastante mal-estar e provocado muitas discussões acaloradas tanto no meio dos estudiosos do assunto, como da população em geral.
I- O ambiente natural – nossa relação com a natureza
Diante dos últimos acontecimentos catastróficos, nossa fé tem sido desafiada em todas as esferas da vida, inclusive na individual e também na social.
De acordo com as Sagradas Escrituras, o ser humano é o representante de Deus na obra da Criação, é aquele que deveria prolongar a obra criadora de Deus (Gn 1.26-28), cuidando da terra com responsabilidade (Gn 2.15) e desenvolvendo uma convivência pacífica com as árvores e os animais (Dt 20.19; 22.6), consciente da importância do planeta e que não dá para ter desenvolvimento agredindo a natureza.
Deus em sua infinita bondade e sabedoria orientou o homem a administrar e cuidar de uma rica herança – o paraíso. Cultivar é o mesmo que trabalhar a terra, e guardar é o mesmo que preservá-la, portanto, a ordem do Pai é clara e objetiva. Ele nos emprestou a terra, que é sua propriedade (Sl 24.1,2) e dela devemos ser bons usuários, preservando sua fauna, sua flora e seus recursos naturais, que são finitos. Um fato importante a ser sempre lembrado é que o ser humano, induzido por aquele que veio para matar, roubar e destruir, tem se valido daquilo que não é seu – A Terra com tudo que nela há (Sl 24.1) – para intervir na ordem natural dos fatos, ocasionando prejuízo para si e para os outros.
Certa vez ouvi numa classe de EBD: “Não sei por que tanto cuidado com a Terra. Tudo isso não vai ser destruído mesmo?”. É verdade, afirmei; mas não é só porque sei que vou morrer um dia, que vou antecipar a minha morte. Isso é pecado. Infelizmente algumas pessoas ainda pensam assim: estão tão preocupadas com a vida na eternidade que esquecem de vivê-la de forma saudável aqui.
Na agitação descomunal dos dias atuais, até os cristãos estão perdendo a sensibilidade, a capacidade de parar, admirar a beleza da natureza e ver nela a grandiosidade de Deus e percebê-la como amiga e ensinadora dos propósitos divinos (Sl 8; Mt 6.26-29).
Você já se viu tomado por uma visão da natureza, diante de uma estupenda praia de areias brancas e águas transparentes; diante de uma linda cachoeira; de um pôr do sol de fazer calar a alma; de uma noite de céu estrelado e de tantos outros quadros naturais emoldurados pela sensibilidade? Diante deles eu já entoei várias vezes aquele hino que diz: (...) “Então minha alma canta a ti, Senhor: Grandioso és tu”!
Esse mundo esplêndido, maravilhoso, mas também tão frágil, tem sofrido as consequências da desobediência humana e, como não podemos fugir da “lei do retorno”, todos temos sofrido também (Gl 6.7).
A natureza, fonte da revelação geral de Deus, precisa ser vista pela igreja como a grande ajudadora no plano de evangelização: Ela anuncia as obras de Deus (Sl 19.1).
II- Ambiente espiritual – o relacionamento com Deus e na casa de Deus
Enquanto a igreja não se perceber como detentora de uma mensagem de vanguarda, viveremos na retaguarda sendo rebocados pela ditadura das paixões mundanas e da espiritualidade superficial.
Com o advento da tecnologia, principalmente da informática, da internet, ingressamos num mundo novo: o mundo virtual. De repente nos tornamos conhecidos em vários lugares do mundo, sem sequer sairmos de um dos cômodos de nossa casa. Conhecemos “um milhão de amigos”, que não são reais, mas apenas virtuais. Somos alienados por que não passam de mensagens “twitadas”, “orkutadas”, sem profundidade, sujeitas ao tempo, à vontade, ao vício e créditos de cada um. São amigos que vêm e se vão na velocidade de um click ou no aperto de uma tecla.
Há aqueles que já perderam ou nem adquiriram a capacidade de compartilhar sentimentos profundos; são incapazes de se verem nos olhos do outro, preferem os contatos telefônicos, as mensagens via internet, os recadinhos no orkut e nos celulares.
Há também pastores que já aconselham suas ovelhas pelo MSN. É mais prático para eles e menos constrangedor para elas; não é mais preciso o tão incômodo “olho no olho”.
Em muitas igrejas, a entrega dos dízimos e das ofertas é feita por meio de cartão de crédito ou de transferências, depósitos bancários e assim, vamos perdendo a alegria do doce momento da dedicação (Sl 122.1). No lugar da obediência com gratidão, valoriza-se a eficiência.
Ensinam-nos que a vida religiosa é rentável: tudo vai prosperar e então, a igreja tem se transformado numa empresa da fé, um negócio abençoado e abençoador quando achamos que podemos tirar proveito financeiro e social da nossa fé (At 5.11; At 16.16-19). A Palavra de Deus nos alerta contra tais atitudes (Mt 21.12,13).
O resultado de tudo isso é aquele que já começamos ver em algumas igrejas: templos vazios, porque as pessoas estão muito cansadas, ocupadas, preocupadas consigo e com seus negócios e com uma fé que se basta, são como ramos amputados da videira (Jo 15.6). Outra realidade também é notada: templos superlotados onde as pessoas dão os seus “lances de fé” ou se acotovelam para alcançar alguma bênção (Jo 6.26).
Como está o meu ambiente espiritual? Ele também precisa ser cuidado e preservado para que não se perca.
III- Ambiente social – minha relação com o próximo
Creio que todos os itens deste estudo estão intimamente ligados e isso é proposital.
Durante décadas e décadas a sociedade como um todo está exposta a um tipo de doutrina filosófica chamada Deísmo. O que é o Deísmo? É uma crença em um Deus criador, mas que não mantém envolvimento contínuo com o mundo e os eventos da história humana. Em suma, é o deus apenas Criador, mas não Senhor.
Essa doutrina tem ao longo dos anos causado estrago em muitas vidas.
Muitas pessoas pensam: Se Deus não está nem aí para a sua criação, por que tenho eu de me preocupar com ela?
Também pensam: se Ele não está nem aí para mim, por que devo me preocupar com Ele?
Muitas dessas pessoas até admiram Deus por causa da sua criação, vendo-o como o designer criativo, mas também como o pai que pôs o filho no mundo e o abandonou, deixando-o como órfão.
Isso tem gerado nas pessoas um sentimento de solidão, abandono e revolta. Muitos crentes também se sentem assim: sozinhos no mundo, enfrentando todas as dificuldades e, à medida que vão conseguindo sobreviver, vão se sentindo mais capazes por si mesmos, se fecham, não abrem espaço para ninguém a não ser para eles mesmos.
É a geração de egoístas, que busca seus próprios interesses, amantes de si mesmos (2 Tm 3.2); que olha para si e para os outros e diz: “não há Deus” (Sl 14.1).
Geração que ajunta tesouros na terra (Mt 6.19-21), que busca os primeiros assentos (Mc 12.39), e até as orações nas esquinas (Mt 6.5), mas muito distante dos propósitos de Deus (Mc 12.30).
Essa postura vem, ao longo dos anos, alimentando um espírito de disputa, de competição na sociedade e na igreja também. Ninguém mais quer servir; todos querem ser servidos (Lc 22.24-27). Ninguém quer ser servo. Todos querem ser senhores (Mt 20.26-28). Também pensam que se Deus existe, existe para atender às exigências de seus filhos caprichosos, infantis na fé e cada vez mais exigentes.
Como o Deísmo ensina, se Deus não está preocupado com a sua criação, também as criaturas podem fazer o que bem entendem e o culto não precisa ser para agradar a Deus, mas para agradar os próprios adoradores. Então, vale tudo que os adoradores desejarem.
Algumas igrejas já nem conseguem mais ver-se, e serem vistas como tais.
Outras há que se preocupam muito com o “ir até Deus”, mas não em trazer o reino de Deus à terra. O sal precisa sair do saleiro (Mt 5.13-16).
Como igreja do Senhor, precisamos aprender com Ele mesmo a buscar relacionamentos sólidos, duradouros, baseados na integridade cristã e no verdadeiro amor (Jo 17.25,26).
Se assim agirmos, seremos capazes de redirecionarmos o nosso olhar, procurando melhor relacionamento com Deus, com nós mesmos e com o próximo.
Para pensar e agir
A Terra é a nossa casa, ainda que por um pouco de tempo. Enquanto estamos aqui, zelemos pela obra de Deus. O que podemos fazer hoje pelo mundo de amanhã?
O progresso é bom e inevitável, mas ele precisa estar a serviço da qualidade de vida das pessoas.
O modo como me relaciono com as pessoas diz como me relaciono com Deus. Já pensou nisso?
A espiritualidade precisa ir além das paredes do templo e do meu local individual de leitura da Bíblia e oração.
Como tem sido o meu ambiente espiritual?
Devemos cuidar da criação, mas sem transformar a natureza em divindade e a causa ecológica em culto. Amá-la sim, idolatrá-la jamais (Rm 1.25)!
Leituras diárias:
segunda-feira – Gênesis 2.4-15
terça-feira – Gênesis 3.9-18
quarta-feira – Levítico 25.1-4
quinta-feira – Lucas 18.9-14
sexta-feira – João 8.1-11
sábado – João 17.1-24
domingo – Mateus 6.2-18
Introdução
Nos últimos tempos as pessoas têm voltado sua atenção para algumas questões até então ignoradas. Uma delas é a preocupação com o meio ambiente. Essa é sem dúvida uma questão urgente, pois diariamente testemunhamos graves desastres ambientais (Os 4.3). Mas também havemos de considerar os outros ambientes dos quais todos nós indistintamente fazemos parte: o ambiente espiritual e social.
Na década de 60, um historiador norte-americano, chamado Lymn White Jr. afirmou categoricamente que o mundo ocidental cristão era responsável pela atual crise ecológica do nosso planeta. Entendia, à luz de Gênesis 1.28, que as matrizes de todos os problemas ambientais e ecológicos fundamentavam-se na concepção antropológica judaico-cristã; era uma severa crítica ao cristianismo. Em sua visão deturpada da mensagem bíblica ele afirmava que era vontade de Deus que o homem explorasse a natureza em benefício próprio. Seu pensamento provocou uma onda de agitação no campo da sociologia, filosofia e da teologia. Do lado da teologia, deu-se início a um movimento chamado Ecoteologia; mas, embora o tempo tenha passado e os problemas ecológicos se tornado mais visíveis no mundo todo, muito pouco se fez. E hoje, eles batem à nossa porta, à porta de nossas casas, de nossas famílias e de nossas igrejas.
Infelizmente, durante anos, nossa maior preocupação era só em salvar as almas, não dando atenção ao fato que as almas habitam um corpo e que este ocupa um lugar no espaço. A mensagem de salvação atinge a consciência cristã, deixa claro que estamos de passagem por esta terra e que devemos tornar essa nossa peregrinação mais saudável, deixando no caminho as marcas de um novo ser: um ser que venceu a alienação de si mesmo, da sociedade e da natureza como um todo.
Essas questões, certamente, têm causado bastante mal-estar e provocado muitas discussões acaloradas tanto no meio dos estudiosos do assunto, como da população em geral.
I- O ambiente natural – nossa relação com a natureza
Diante dos últimos acontecimentos catastróficos, nossa fé tem sido desafiada em todas as esferas da vida, inclusive na individual e também na social.
De acordo com as Sagradas Escrituras, o ser humano é o representante de Deus na obra da Criação, é aquele que deveria prolongar a obra criadora de Deus (Gn 1.26-28), cuidando da terra com responsabilidade (Gn 2.15) e desenvolvendo uma convivência pacífica com as árvores e os animais (Dt 20.19; 22.6), consciente da importância do planeta e que não dá para ter desenvolvimento agredindo a natureza.
Deus em sua infinita bondade e sabedoria orientou o homem a administrar e cuidar de uma rica herança – o paraíso. Cultivar é o mesmo que trabalhar a terra, e guardar é o mesmo que preservá-la, portanto, a ordem do Pai é clara e objetiva. Ele nos emprestou a terra, que é sua propriedade (Sl 24.1,2) e dela devemos ser bons usuários, preservando sua fauna, sua flora e seus recursos naturais, que são finitos. Um fato importante a ser sempre lembrado é que o ser humano, induzido por aquele que veio para matar, roubar e destruir, tem se valido daquilo que não é seu – A Terra com tudo que nela há (Sl 24.1) – para intervir na ordem natural dos fatos, ocasionando prejuízo para si e para os outros.
Certa vez ouvi numa classe de EBD: “Não sei por que tanto cuidado com a Terra. Tudo isso não vai ser destruído mesmo?”. É verdade, afirmei; mas não é só porque sei que vou morrer um dia, que vou antecipar a minha morte. Isso é pecado. Infelizmente algumas pessoas ainda pensam assim: estão tão preocupadas com a vida na eternidade que esquecem de vivê-la de forma saudável aqui.
Na agitação descomunal dos dias atuais, até os cristãos estão perdendo a sensibilidade, a capacidade de parar, admirar a beleza da natureza e ver nela a grandiosidade de Deus e percebê-la como amiga e ensinadora dos propósitos divinos (Sl 8; Mt 6.26-29).
Você já se viu tomado por uma visão da natureza, diante de uma estupenda praia de areias brancas e águas transparentes; diante de uma linda cachoeira; de um pôr do sol de fazer calar a alma; de uma noite de céu estrelado e de tantos outros quadros naturais emoldurados pela sensibilidade? Diante deles eu já entoei várias vezes aquele hino que diz: (...) “Então minha alma canta a ti, Senhor: Grandioso és tu”!
Esse mundo esplêndido, maravilhoso, mas também tão frágil, tem sofrido as consequências da desobediência humana e, como não podemos fugir da “lei do retorno”, todos temos sofrido também (Gl 6.7).
A natureza, fonte da revelação geral de Deus, precisa ser vista pela igreja como a grande ajudadora no plano de evangelização: Ela anuncia as obras de Deus (Sl 19.1).
II- Ambiente espiritual – o relacionamento com Deus e na casa de Deus
Enquanto a igreja não se perceber como detentora de uma mensagem de vanguarda, viveremos na retaguarda sendo rebocados pela ditadura das paixões mundanas e da espiritualidade superficial.
Com o advento da tecnologia, principalmente da informática, da internet, ingressamos num mundo novo: o mundo virtual. De repente nos tornamos conhecidos em vários lugares do mundo, sem sequer sairmos de um dos cômodos de nossa casa. Conhecemos “um milhão de amigos”, que não são reais, mas apenas virtuais. Somos alienados por que não passam de mensagens “twitadas”, “orkutadas”, sem profundidade, sujeitas ao tempo, à vontade, ao vício e créditos de cada um. São amigos que vêm e se vão na velocidade de um click ou no aperto de uma tecla.
Há aqueles que já perderam ou nem adquiriram a capacidade de compartilhar sentimentos profundos; são incapazes de se verem nos olhos do outro, preferem os contatos telefônicos, as mensagens via internet, os recadinhos no orkut e nos celulares.
Há também pastores que já aconselham suas ovelhas pelo MSN. É mais prático para eles e menos constrangedor para elas; não é mais preciso o tão incômodo “olho no olho”.
Em muitas igrejas, a entrega dos dízimos e das ofertas é feita por meio de cartão de crédito ou de transferências, depósitos bancários e assim, vamos perdendo a alegria do doce momento da dedicação (Sl 122.1). No lugar da obediência com gratidão, valoriza-se a eficiência.
Ensinam-nos que a vida religiosa é rentável: tudo vai prosperar e então, a igreja tem se transformado numa empresa da fé, um negócio abençoado e abençoador quando achamos que podemos tirar proveito financeiro e social da nossa fé (At 5.11; At 16.16-19). A Palavra de Deus nos alerta contra tais atitudes (Mt 21.12,13).
O resultado de tudo isso é aquele que já começamos ver em algumas igrejas: templos vazios, porque as pessoas estão muito cansadas, ocupadas, preocupadas consigo e com seus negócios e com uma fé que se basta, são como ramos amputados da videira (Jo 15.6). Outra realidade também é notada: templos superlotados onde as pessoas dão os seus “lances de fé” ou se acotovelam para alcançar alguma bênção (Jo 6.26).
Como está o meu ambiente espiritual? Ele também precisa ser cuidado e preservado para que não se perca.
III- Ambiente social – minha relação com o próximo
Creio que todos os itens deste estudo estão intimamente ligados e isso é proposital.
Durante décadas e décadas a sociedade como um todo está exposta a um tipo de doutrina filosófica chamada Deísmo. O que é o Deísmo? É uma crença em um Deus criador, mas que não mantém envolvimento contínuo com o mundo e os eventos da história humana. Em suma, é o deus apenas Criador, mas não Senhor.
Essa doutrina tem ao longo dos anos causado estrago em muitas vidas.
Muitas pessoas pensam: Se Deus não está nem aí para a sua criação, por que tenho eu de me preocupar com ela?
Também pensam: se Ele não está nem aí para mim, por que devo me preocupar com Ele?
Muitas dessas pessoas até admiram Deus por causa da sua criação, vendo-o como o designer criativo, mas também como o pai que pôs o filho no mundo e o abandonou, deixando-o como órfão.
Isso tem gerado nas pessoas um sentimento de solidão, abandono e revolta. Muitos crentes também se sentem assim: sozinhos no mundo, enfrentando todas as dificuldades e, à medida que vão conseguindo sobreviver, vão se sentindo mais capazes por si mesmos, se fecham, não abrem espaço para ninguém a não ser para eles mesmos.
É a geração de egoístas, que busca seus próprios interesses, amantes de si mesmos (2 Tm 3.2); que olha para si e para os outros e diz: “não há Deus” (Sl 14.1).
Geração que ajunta tesouros na terra (Mt 6.19-21), que busca os primeiros assentos (Mc 12.39), e até as orações nas esquinas (Mt 6.5), mas muito distante dos propósitos de Deus (Mc 12.30).
Essa postura vem, ao longo dos anos, alimentando um espírito de disputa, de competição na sociedade e na igreja também. Ninguém mais quer servir; todos querem ser servidos (Lc 22.24-27). Ninguém quer ser servo. Todos querem ser senhores (Mt 20.26-28). Também pensam que se Deus existe, existe para atender às exigências de seus filhos caprichosos, infantis na fé e cada vez mais exigentes.
Como o Deísmo ensina, se Deus não está preocupado com a sua criação, também as criaturas podem fazer o que bem entendem e o culto não precisa ser para agradar a Deus, mas para agradar os próprios adoradores. Então, vale tudo que os adoradores desejarem.
Algumas igrejas já nem conseguem mais ver-se, e serem vistas como tais.
Outras há que se preocupam muito com o “ir até Deus”, mas não em trazer o reino de Deus à terra. O sal precisa sair do saleiro (Mt 5.13-16).
Como igreja do Senhor, precisamos aprender com Ele mesmo a buscar relacionamentos sólidos, duradouros, baseados na integridade cristã e no verdadeiro amor (Jo 17.25,26).
Se assim agirmos, seremos capazes de redirecionarmos o nosso olhar, procurando melhor relacionamento com Deus, com nós mesmos e com o próximo.
Para pensar e agir
A Terra é a nossa casa, ainda que por um pouco de tempo. Enquanto estamos aqui, zelemos pela obra de Deus. O que podemos fazer hoje pelo mundo de amanhã?
O progresso é bom e inevitável, mas ele precisa estar a serviço da qualidade de vida das pessoas.
O modo como me relaciono com as pessoas diz como me relaciono com Deus. Já pensou nisso?
A espiritualidade precisa ir além das paredes do templo e do meu local individual de leitura da Bíblia e oração.
Como tem sido o meu ambiente espiritual?
Devemos cuidar da criação, mas sem transformar a natureza em divindade e a causa ecológica em culto. Amá-la sim, idolatrá-la jamais (Rm 1.25)!
Leituras diárias:
segunda-feira – Gênesis 2.4-15
terça-feira – Gênesis 3.9-18
quarta-feira – Levítico 25.1-4
quinta-feira – Lucas 18.9-14
sexta-feira – João 8.1-11
sábado – João 17.1-24
domingo – Mateus 6.2-18
terça-feira, 6 de setembro de 2011
UM CORPO NÃO SEDUZIDO PELAS INFLUÊNCIAS EXTERNAS.
TEXTO BÍBLICO: Gálatas 1.6-11
Introdução
É difícil ser igreja nos dias atuais. Alguns podem discordar dessa afirmação, mas se olharmos à nossa volta e pensarmos sob o ponto de vista dos “não crentes” vamos acabar refletindo e até mesmo concordando com eles em algumas coisas. Como convidar alguém para participar de um culto em nossas igrejas, na expectativa de que o visitante que ainda não conhece o evangelho possa ouvir a mensagem e entendê-la como mensagem de Deus? Como aconselhar alguém com as verdades bíblicas, se vemos e ouvimos todos os dias sobre pessoas ligadas ao evangelho fazendo coisas horríveis? Como igreja, como combater os pensamentos mundanos, secularizados sobre a conduta, a fé, a moral e a vida como um todo, se dentro dos nossos “espaços” religiosos o mundanismo vem crescendo? Temos percebido que as igrejas têm sido seduzidas não pela Palavra, mas por palavras.
I- A sedução do relativismo existencial
Em Colossenses 2.6-8 o apóstolo Paulo orienta que os santos de Deus, separados do pecado e do mundo para a vida na graça, devem viver em conformidade com aquele que os resgatou, sendo firmados na fé, edificados em amor e cautelosos quanto às influências externas.
Sempre houve opiniões divergentes sobre o que é a vida e o que ela vale. O culto ao prazer não é coisa da modernidade, mas nos últimos tempos essa ideia tem sido amplamente divulgada. Ninguém quer sofrer nada. Ninguém pode passar por nenhum aperto, por nenhuma enfermidade, nenhuma dificuldade. A vida tem que ser sempre de vitórias, de alegrias e prazer incontáveis. Quando alguém diz que é preciso fazer algum sacrifício pelo outro, esse alguém é quase execrado. E o sacrifício pelo evangelho, esse nem pensar! Queremos cultuar em santuários lindos, agradáveis, confortáveis, com uma boa música, uma programação vasta, variada, que atenda às expectativas de todos, mas sem que nos custe qualquer coisa (2Sm 24.24). Temos nos tornado cristãos das festividades, dos encontros sociais, dos espetáculos da fé, mas sem a essência da vida. Estamos preocupados com assemelhar a nossa imagem à imagem dos bem-sucedidos da sociedade, só com o diferencial da fé que dizemos abraçar (Lc 12.20).
Há também aqueles que “passam pela vida em brancas nuvens”. Não conseguem pensar além da sua casa, da sua família e da sua igreja. Confundem a rotina da vida com a própria vida (Lc 10.40). Estes são disciplinados, boas pessoas, honestas, trabalhadoras, mas não deixam o evangelho dar sentido à vida, abrir os olhos da alma. A vida é mais que prazer, é mais que dever (rotina), é o carinhoso sopro do Criador compartilhando a sua vida conosco (Gn 2.7).
II- A sedução do relativismo moral
A integridade moral e espiritual é resultado da graça de Cristo pela mensagem do evangelho (1Co 1.18-21), poder de Deus.
Lutero ensinou certa vez que fora de Cristo o nosso Deus é um fogo que consome; reage a tudo que é contrário à sua santidade, não tolerando perversidade religiosa nem corrupção moral ( Rm 1.16-32).
Numa ocasião, ouvi uma entrevista com uma conhecida figura do mundo artístico brasileiro. O entrevistador perguntou-lhe sobre o que ela pensava da sociedade e ela respondeu que não se importava com a opinião desta, porque não era verdadeira nas suas palavras, que vivia mudando de opinião a respeito das coisas. Completou ela: – Falo os mesmos palavrões que falava antigamente. Antes me consideravam uma pessoa desprezível; hoje dizem que sou patrimônio cultural.
Essa pessoa aprendeu que não se pode ter a vida moldada pela moral estabelecida pela sociedade que, a cada época defende uma moralidade. Cada um faz o que acha certo, não aceitando regras ou leis. Cada um diz ter o seu conceito de verdade, honestidade, ética. Tudo é permitido, tudo é lícito e, se é lícito, posso fazer o que quiser sem dar satisfação a quem quer que seja; pode ser pai, mãe, família, igreja, estado, etc.; esquecendo-se que, mais do que dar satisfação, “cada um dará conta de si mesmo a Deus” (Rm 14.12) da vida que dele mesmo recebeu.
Muitos estão nas nossas igrejas e afirmam que, se fomos salvos e não perdemos a salvação, dá para fazer o que bem quiser, sem que nada aconteça. Que a carne (corpo) é má, foi feita para ser “maltratada e vai ser destruída”, então podem beber, drogar-se, relacionar-se sexualmente antes do casamento, adulterar, prostituir-se, abortar ou fazer qualquer outra coisa contra essa “maldita carne”, pois o que interessa a Deus é o espírito e eles defendem que estão bem com Deus, esquecendo-se do que a Bíblia diz (1Co 6.20, 7.23; 3.16).
O cuidado com o falar, com o trato, com a honestidade nos relacionamentos são vistos como coisas do passado, e como tais devem ser descartadas, mas a Palavra imutável de Deus nos alerta (Mc 10.19; Tt 2.10; Lc 3.14).
Há também os que querem adaptar o evangelho ao momento social, substituindo as verdades absolutas pelas necessidades contemporâneas. Essa mentalidade tem levado muitos à destruição e nossas igrejas têm sido fortemente contaminadas por ela. Mais uma vez a Bíblia nos adverte contra tais atitudes (2Co 4.2).
III- A sedução do relativismo da fé
A admoestação bíblica é pelo equilíbrio da fé e sua centralidade na Palavra, para desviar-se dos equívocos, dos exageros e dos “doutores conforme as suas próprias concupiscências”, sendo prudente, pagando o preço pelo evangelho e cumprindo a sua missão de agente da graça em um mundo de tantas oscilações (2Tm 4.1-4).
Nos últimos tempos, observamos o renascimento do sentimento religioso. Há uma avalanche de “fé”. As igrejas concorrem com os bares e “botequins”: em cada esquina há sempre uma. Pode até parecer algo pejorativo, mas todos têm presenciado esse fenômeno: igrejas que surgem da noite para o dia, mudam de lugar, mudam de nome, mudam a liturgia, tudo fazem para atrair um número cada vez maior de adeptos. Por isso muitos afirmam: o importante é ter fé, não importa fé em quê e o tipo de fé: fé crença (Tg 2.19).
A essência do evangelho que víamos permanecer em determinadas denominações tem desvanecido. Alguns estão enveredando-se pela sedução do crescimento fácil, pela pregação de um evangelho que não preceitua mudança nem compromisso e pela imitação da postura de “igreja-empresa” e de “profissionais da fé”. Parece-nos que o alerta que o apóstolo Paulo nos deu não vem sendo observado (Gl 1.8,9).
Muitas igrejas, que ninguém conhece suas origens históricas, até começam pela Bíblia, para enganar as pessoas carentes da Palavra de Deus, mas logo depois abandonam a Palavra e seguem palavras, ideias e posturas de líderes que, mesmo parecendo pastores, no íntimo, são lobos devoradores (Mt 7.15).
Por essas e outras atitudes é que muitas pessoas têm erradamente abandonado a filiação a uma igreja local, e andam “batendo de porta em porta”(Hb 10.25).
É preciso também estar alerta a uma nova moda que diz que o importante para a vida é ter uma ou várias experiências místicas. Tais pessoas se julgam num estado de paz interior e dizem que esse estado já é o céu – um estado de espírito, não um lugar; muito diferente do que a Bíblia nos diz (Mt 25.41). Vivem em busca de emoções espirituais e só.
Outra tendência é a do “culto em casa” para os acomodados da fé ou para os revoltados com a igreja. Agora, com a moda das igrejas televisivas, as pessoas escolhem o culto programado que mais lhes agrada, assistem no horário que bem desejarem, não precisam sair de casa, gastar dinheiro com transporte, se cansar, sustentar aquele ministério, ter normas a seguir etc. Só isso já dá sentido à vida. É uma fé que se basta. Os que assim agem, esquecem-se que culto é serviço prestado a Deus (Ap 2.19), é comunhão com a igreja local (At 11.26; 14.27; Hb 2.12) e treinamento para viver na eternidade (Ap 7.9,10).
Ter fé em Deus é imprescindível para a vida. Acreditar e investir na fé são privilégios divinos.
Para pensar e agir
• Os tempos são difíceis, mas precisamos lutar contra “os descartáveis” da fé, que proporcionam até algumas vantagens momentâneas, mas causam transtornos duradouros.
• A “fé” nos foi entregue como um tesouro, por isso, precisamos dela cuidar, multiplicando-a em amor e serviço cristãos.
• Precisamos escolher nossos pensamentos e bens não apenas pela beleza, mas pela qualidade deles.
• A igreja precisa viver a contracultura cristã, para sobreviver.
Leituras diárias
segunda-feira – Romanos12.1-3
terça–feira – Gálatas 2.11-14
quarta-feira – Gálatas 3.1-4
quinta-feira – Gálatas 5.9-13
sexta-feira – Gálatas 5.16-25
sábado – Gálatas 6.1-7
Domingo – 2Timóteo 4.1-5,7
Introdução
É difícil ser igreja nos dias atuais. Alguns podem discordar dessa afirmação, mas se olharmos à nossa volta e pensarmos sob o ponto de vista dos “não crentes” vamos acabar refletindo e até mesmo concordando com eles em algumas coisas. Como convidar alguém para participar de um culto em nossas igrejas, na expectativa de que o visitante que ainda não conhece o evangelho possa ouvir a mensagem e entendê-la como mensagem de Deus? Como aconselhar alguém com as verdades bíblicas, se vemos e ouvimos todos os dias sobre pessoas ligadas ao evangelho fazendo coisas horríveis? Como igreja, como combater os pensamentos mundanos, secularizados sobre a conduta, a fé, a moral e a vida como um todo, se dentro dos nossos “espaços” religiosos o mundanismo vem crescendo? Temos percebido que as igrejas têm sido seduzidas não pela Palavra, mas por palavras.
I- A sedução do relativismo existencial
Em Colossenses 2.6-8 o apóstolo Paulo orienta que os santos de Deus, separados do pecado e do mundo para a vida na graça, devem viver em conformidade com aquele que os resgatou, sendo firmados na fé, edificados em amor e cautelosos quanto às influências externas.
Sempre houve opiniões divergentes sobre o que é a vida e o que ela vale. O culto ao prazer não é coisa da modernidade, mas nos últimos tempos essa ideia tem sido amplamente divulgada. Ninguém quer sofrer nada. Ninguém pode passar por nenhum aperto, por nenhuma enfermidade, nenhuma dificuldade. A vida tem que ser sempre de vitórias, de alegrias e prazer incontáveis. Quando alguém diz que é preciso fazer algum sacrifício pelo outro, esse alguém é quase execrado. E o sacrifício pelo evangelho, esse nem pensar! Queremos cultuar em santuários lindos, agradáveis, confortáveis, com uma boa música, uma programação vasta, variada, que atenda às expectativas de todos, mas sem que nos custe qualquer coisa (2Sm 24.24). Temos nos tornado cristãos das festividades, dos encontros sociais, dos espetáculos da fé, mas sem a essência da vida. Estamos preocupados com assemelhar a nossa imagem à imagem dos bem-sucedidos da sociedade, só com o diferencial da fé que dizemos abraçar (Lc 12.20).
Há também aqueles que “passam pela vida em brancas nuvens”. Não conseguem pensar além da sua casa, da sua família e da sua igreja. Confundem a rotina da vida com a própria vida (Lc 10.40). Estes são disciplinados, boas pessoas, honestas, trabalhadoras, mas não deixam o evangelho dar sentido à vida, abrir os olhos da alma. A vida é mais que prazer, é mais que dever (rotina), é o carinhoso sopro do Criador compartilhando a sua vida conosco (Gn 2.7).
II- A sedução do relativismo moral
A integridade moral e espiritual é resultado da graça de Cristo pela mensagem do evangelho (1Co 1.18-21), poder de Deus.
Lutero ensinou certa vez que fora de Cristo o nosso Deus é um fogo que consome; reage a tudo que é contrário à sua santidade, não tolerando perversidade religiosa nem corrupção moral ( Rm 1.16-32).
Numa ocasião, ouvi uma entrevista com uma conhecida figura do mundo artístico brasileiro. O entrevistador perguntou-lhe sobre o que ela pensava da sociedade e ela respondeu que não se importava com a opinião desta, porque não era verdadeira nas suas palavras, que vivia mudando de opinião a respeito das coisas. Completou ela: – Falo os mesmos palavrões que falava antigamente. Antes me consideravam uma pessoa desprezível; hoje dizem que sou patrimônio cultural.
Essa pessoa aprendeu que não se pode ter a vida moldada pela moral estabelecida pela sociedade que, a cada época defende uma moralidade. Cada um faz o que acha certo, não aceitando regras ou leis. Cada um diz ter o seu conceito de verdade, honestidade, ética. Tudo é permitido, tudo é lícito e, se é lícito, posso fazer o que quiser sem dar satisfação a quem quer que seja; pode ser pai, mãe, família, igreja, estado, etc.; esquecendo-se que, mais do que dar satisfação, “cada um dará conta de si mesmo a Deus” (Rm 14.12) da vida que dele mesmo recebeu.
Muitos estão nas nossas igrejas e afirmam que, se fomos salvos e não perdemos a salvação, dá para fazer o que bem quiser, sem que nada aconteça. Que a carne (corpo) é má, foi feita para ser “maltratada e vai ser destruída”, então podem beber, drogar-se, relacionar-se sexualmente antes do casamento, adulterar, prostituir-se, abortar ou fazer qualquer outra coisa contra essa “maldita carne”, pois o que interessa a Deus é o espírito e eles defendem que estão bem com Deus, esquecendo-se do que a Bíblia diz (1Co 6.20, 7.23; 3.16).
O cuidado com o falar, com o trato, com a honestidade nos relacionamentos são vistos como coisas do passado, e como tais devem ser descartadas, mas a Palavra imutável de Deus nos alerta (Mc 10.19; Tt 2.10; Lc 3.14).
Há também os que querem adaptar o evangelho ao momento social, substituindo as verdades absolutas pelas necessidades contemporâneas. Essa mentalidade tem levado muitos à destruição e nossas igrejas têm sido fortemente contaminadas por ela. Mais uma vez a Bíblia nos adverte contra tais atitudes (2Co 4.2).
III- A sedução do relativismo da fé
A admoestação bíblica é pelo equilíbrio da fé e sua centralidade na Palavra, para desviar-se dos equívocos, dos exageros e dos “doutores conforme as suas próprias concupiscências”, sendo prudente, pagando o preço pelo evangelho e cumprindo a sua missão de agente da graça em um mundo de tantas oscilações (2Tm 4.1-4).
Nos últimos tempos, observamos o renascimento do sentimento religioso. Há uma avalanche de “fé”. As igrejas concorrem com os bares e “botequins”: em cada esquina há sempre uma. Pode até parecer algo pejorativo, mas todos têm presenciado esse fenômeno: igrejas que surgem da noite para o dia, mudam de lugar, mudam de nome, mudam a liturgia, tudo fazem para atrair um número cada vez maior de adeptos. Por isso muitos afirmam: o importante é ter fé, não importa fé em quê e o tipo de fé: fé crença (Tg 2.19).
A essência do evangelho que víamos permanecer em determinadas denominações tem desvanecido. Alguns estão enveredando-se pela sedução do crescimento fácil, pela pregação de um evangelho que não preceitua mudança nem compromisso e pela imitação da postura de “igreja-empresa” e de “profissionais da fé”. Parece-nos que o alerta que o apóstolo Paulo nos deu não vem sendo observado (Gl 1.8,9).
Muitas igrejas, que ninguém conhece suas origens históricas, até começam pela Bíblia, para enganar as pessoas carentes da Palavra de Deus, mas logo depois abandonam a Palavra e seguem palavras, ideias e posturas de líderes que, mesmo parecendo pastores, no íntimo, são lobos devoradores (Mt 7.15).
Por essas e outras atitudes é que muitas pessoas têm erradamente abandonado a filiação a uma igreja local, e andam “batendo de porta em porta”(Hb 10.25).
É preciso também estar alerta a uma nova moda que diz que o importante para a vida é ter uma ou várias experiências místicas. Tais pessoas se julgam num estado de paz interior e dizem que esse estado já é o céu – um estado de espírito, não um lugar; muito diferente do que a Bíblia nos diz (Mt 25.41). Vivem em busca de emoções espirituais e só.
Outra tendência é a do “culto em casa” para os acomodados da fé ou para os revoltados com a igreja. Agora, com a moda das igrejas televisivas, as pessoas escolhem o culto programado que mais lhes agrada, assistem no horário que bem desejarem, não precisam sair de casa, gastar dinheiro com transporte, se cansar, sustentar aquele ministério, ter normas a seguir etc. Só isso já dá sentido à vida. É uma fé que se basta. Os que assim agem, esquecem-se que culto é serviço prestado a Deus (Ap 2.19), é comunhão com a igreja local (At 11.26; 14.27; Hb 2.12) e treinamento para viver na eternidade (Ap 7.9,10).
Ter fé em Deus é imprescindível para a vida. Acreditar e investir na fé são privilégios divinos.
Para pensar e agir
• Os tempos são difíceis, mas precisamos lutar contra “os descartáveis” da fé, que proporcionam até algumas vantagens momentâneas, mas causam transtornos duradouros.
• A “fé” nos foi entregue como um tesouro, por isso, precisamos dela cuidar, multiplicando-a em amor e serviço cristãos.
• Precisamos escolher nossos pensamentos e bens não apenas pela beleza, mas pela qualidade deles.
• A igreja precisa viver a contracultura cristã, para sobreviver.
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