terça-feira, 7 de junho de 2011

MULHER SAMARITANA – DE BIJUTERIA A JOIA RARA

TEXTO BÁSICO: João 4.1-42

“Bijuteria”, palavra de origem francesa, que significa peça fabricada com material sem valor comercial; enfeite barato, badulaque, quinquilharia, etc.; ao passo que jóia é um artefato de matéria preciosa (ouro, prata, etc.). No plano de Deus todos nós nascemos para ser jóias de valores incalculáveis, porém o pecado nos oprime, nos deprime, objetivando simplesmente nos transformar em bijuterias. É o caso da mulher em pauta: nasceu para ser bênção, porém o pecado havia lhe roubado a dignidade, a pureza, a santidade, transformando-a em uma pessoa sem valor, uma completa maldição para a sociedade organizada.
Vejamos a angústia, o desespero e sofrimento dessa mulher: era discriminada por ser mulher (v.27); rejeitada pelos judeus por ser samaritana, pois ao longo dos anos, os habitantes de Samaria haviam se tornados impuros aos olhos judeus, tanto racial como religiosamente. (v. 9); rejeitada pelos próprios patrícios por ter uma vida sexual depravada (v. 18), embora o texto bíblico não faça menção, ela deveria servir de vergonha para os parentes e amigos. Foi então que ela resolveu ir buscar água a partir do meio-dia (v. 6) para não ser vista por ninguém conhecido, pois o horário das aguadeiras trabalharem era o da manhã, evitando assim o rigor do sol. Ela vivia fugindo, escondendo-se. Deveria ter vergonha dos filhos, dos pais, dos amigos e parentes e até de si mesma, pois se achava suja, imunda e indigna para viver em sociedade.
A Bíblia não diz, mas podemos imaginar que ela dormia mal, se alimentava mal, deveria ser viciada nas drogas da época e pelo isolamento em que vivia deveria até ter ideias suicidas. Situação bem semelhante à que viveu o salmista, quando exclamou: “Assim como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus! A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?” (Sl 42.1,2).

1 – A MULHER SAMARITANA E A REVELAÇÃO DE JESUS

A conversa já caminhava para uma certa acomodação, Jesus com tranquilidade já havia acalmado os ânimos daquela mulher, quando de uma maneira inesperada Ele interrompe o diálogo e muda completamente o tom da conversa quando bruscamente diz: “Vai e chama o teu marido e vem cá”.
(1) Jesus estava revelando o pecado dela. Ele queria que ela soubesse que apesar de sua teologia, seu apego às tradições religiosas de seus antepassados, apesar de ela ser uma adoradora, apesar de seu orgulho denominacional, ela não passava de uma grande pecadora, adúltera e destituída da glória de Deus. A não ser que ela aceitasse a dádiva de Jesus e decidisse voluntariamente beber da água da vida. Ou seja, era uma religiosa que necessitava de salvação.

(2) Deus é espírito e não está sujeito às limitações da matéria – v. 24. A mulher, vencida pelos argumentos de Jesus, apelou para mudar a direção do debate: “Tudo bem, eu quero prosseguir a adorar, mas qual o local certo, Jerusalém ou Gerizim?”. Jesus mostrou para ela que Deus não está limitado a coisas menores: para Ele, adorar independe de local, de nomes ou de número de adoradores. Deus não olha para o local, mas sim para os adoradores que o adoram com sinceridade. Reportamo-nos ao salmista, que diz: “Quem subirá ao monte do SENHOR, ou quem estará no seu lugar santo? Aquele que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente” (Sl 24.3,4). Entende-se que adorar a Deus pelo modelo bíblico exige prostração, purificação e santificação.


2 – EM JESUS ELA ENCONTROU TUDO QUE A SUA ALMA TÃO SOFRIDA PRECISAVA ENCONTRAR

(1) Ela precisava encontrar Jesus. A religião, o conhecimento e os casamentos não satisfizeram a sua alma. Assim sendo, sem ter a menor noção, aquela ovelha sem pastor corria atrás de Jesus. Com um braseiro infernal queimando a alma, mal sabendo que só a “Água Viva” poderia apagar aquele incêndio que devorava o seu interior. Interessante é que ela inconscientemente corria atrás de Jesus, porém foi Ele quem a encontrou. Isso prova que salvação não é esforço nosso para chegarmos a Deus, mas é Deus que se esforça sempre para chegar até nós. “Adão, onde estás?”! Isso estabelece também uma clara diferença entre o cristianismo e as outras religiões: “nas demais religiões o homem corre atrás de Deus; no cristianismo é Deus quem corre atrás do homem”.

(2) Ela precisava muito conhecer Jesus. E Jesus foi conduzindo o diálogo e se revelando àquela mulher tão mal-humorada aos poucos:
1) Ela reconhece Jesus como profeta– v. 19.
A mulher agora dá um grande passo à frente ao reconhecer que Jesus era profeta e aí em sua mente vinha: Isaías, Jeremias, Ezequiel, Elias e outros, todos foram excelentes homens de Deus, mas ainda era pouco: a ideia era correta, mas ainda incompleta. Muitos até hoje veem Jesus como mestre, senhor, rei, majestade, príncipe, sábio, filósofo, etc. Mas todos esses títulos e esses conhecimentos não salvam. Porque tais pessoas valorizam os ensinamentos de Cristo, os milagres de Cristo, a obra de Cristo, mas não o próprio Cristo.
2) Ela atinge o ponto nevrálgico: o Senhor é o próprio Cristo – v. 29.
Por certo, agora acontece uma explosão do Espírito Santo dentro dela e aí ela não mais se contém, aliás, ninguém mais a detém, mesmo porque é impossível controlar alguém que foi tão impactado pelo poder de Deus. Imaginemos a alegria de Jesus ao comprovar a funcionalidade do evangelismo pessoal. Chegar à conclusão a que essa mulher chegou é indispensável para quem aspira a uma vida cristã prazerosa.

(3) Ela precisava muito se comprometer com Jesus – v. 11: “Senhor, dá-me dessa água.” – Mesmo sem ter ainda pleno conhecimento de causa em face da excelente propaganda feita por Jesus de seu valioso produto, a mulher foi persuadida a achar que jamais poderia viver sem aquela água. E à medida que se prova dessa água passa a haver um sério comprometimento com o doador. É esse o desafio para os seguidores de Cristo: encontrá-lo é relativamente fácil, conhecê-lo também é bem possível, o desafio maior é firmar pacto, firmar compromisso com Ele.

(4) Ela precisava agora testemunhar com alegria a respeito de Jesus – vv. 28,29.
A mulher que chegara ao poço de Jacó atormentada, com a alma esmolambada, recalcada, desmoralizada, após o encontro com Cristo e ter os seus questionamentos respondidos, ser confrontada com o seu pecado e experimentar da água da vida, saiu restaurada, renovada e com uma disposição incomum para encharcar a cidade da Palavra de Deus, apresentar Jesus como solução de todos problemas existenciais da humanidade.
E lançou toda a sua carga amorosa sobre Jesus e ao mesmo tempo apaixonou-se pela evangelização. Mas para cumprir com presteza o seu ministério ela teve que abandonar o velho poço de Jacó, que simbolizava um rompimento com o seu passado cheio de religiosidade vã, que não a levava a nada; mesmo também quem tem rios de água viva não precisa mais de gotas d’água do poço de Jacó.

PARA PENSAR E AGIR

A história passaria sem saber quem era essa simples mulher, pois era uma fracassada em todos os sentidos. Ela mesma já havia decretado falência em todo o seu modo de existir. Na cultura judaica, criança e mulher não tinham valor. Mas no caso dela era muito mais grave, ela que não tinha nenhuma importância mesmo. Mas na medida em que ela bebeu da Água Viva, sua vida ganhou importância histórica.
Ela aceitou passivamente ser a “outra” – Decepcionada com os casamentos, com os homens e com a vida, depois de cinco casamentos ela diz: “Não quero saber de casamento mais, é melhor ser a “outra”, porque tem muito menos responsabilidade”. Foi quando Jesus a confrontou com o seu pecado, abrindo um leque para a possibilidade de perdão. Afinal de contas, “onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5.20).
Transformação total – Foi o que aconteceu com aquela mulher, que chegou para Jesus desprovida de qualquer virtude, e após experimentar da água viva foi transformada, provando que aquilo que a religiosidade dela não conseguiu fazer, aquilo que o sexo não pôde fazer, aquilo que a preconceituosa sociedade não conseguiu fazer, Jesus fez!
Ela chegou para Jesus como uma simples bijuteria e foi transformada em joia rara, levando toda a cidade a conhecer Cristo!
Obrigado, Senhor, pelo teu poder transformador!

LEITURAS DIÁRIAS:
segunda-feira: Jo 6.35; Jo 7.37-39
terça-feira: Jo 4.1-6
quarta-feira: Jo 4.7-15
quita-feira: Jo 4.16-24
sexta-feira: Jo 4.25-30
sábado: Jo 4.31-38
domingo: Jo 4.39-42

quarta-feira, 1 de junho de 2011

ESTÊVÃO – FÉ E HEROÍSMO NO REINO DE DEUS

TEXTO BÁSICO: Atos 6.1-15

Em todo o mundo, o evangelho frequentemente germinou e se arraigou em lugares regados com o sangue dos mártires. Mas antes de alguém poder dar a sua vida pelo evangelho, deve viver para o evangelho. Uma maneira pela qual Deus treina os seus servos é colocá-los em posições aparentemente insignificantes. O desejo de servir a Cristo é traduzido pela realidade em servir os outros.
O servo Estêvão em destaque: o seu nome significa riqueza, coroa ou grinalda. Viveu com heroísmo a sua vida e ministério cristãos. Em uma época pobre de heróis, especialmente no meio cristão, ele se consagrou como tal. Estêvão era um simples diácono, separado para servir às mesas, e não se contentou em acomodar-se nesse ministério, excedendo-o em muito, comprovando que havia se convertido não somente a Jesus Cristo mas também a sua causa.
Qualidades que ornamentavam o caráter de Estêvão:
1- Foi um dos sete líderes escolhidos para supervisionar a distribuição de alimentos aos necessitados na igreja primitiva – Atos 6.3,4.
2- Foi destacado pelas suas qualidades espirituais de fé, sabedoria, graça, poder e pela presença do Espírito Santo em sua vida – v. 5.
3- Foi o pioneiro em dar realmente a vida pelo evangelho na igreja primitiva – Atos 7.59,60.

1- LIÇÕES DO AMBIENTE HISTÓRICO EM QUE VIVIA ESTÊVÃO

(1) Nessa sociedade reinante prevalece sempre a “lei do mais forte” – Atos 6.10.
Não adianta muito discutir com o professor por causa da nota da prova, com o juiz que tem a caneta na mão pronta para dar a sentença, com o médico que está com o bisturi na mão, com o policial rodoviário mal-humorado, com o chefe de sua seção, etc.
Conta-se a fábula do lobo e o cordeirinho: um lobo mal intencionado abordou o cordeirinho à margem do riacho e foi logo dizendo: “Vou te comer porque ontem o seu pai mexeu comigo”; e o cordeiro disse: “Meu pai já virou churrasco há quase um ano atrás”; disse o lobo: “Então foi sua mãe”; e o cordeirinho disse: “Minha mãe nem mora aqui, uma família me comprou e eu me mudei para aqui ontem!”. O lobo pensou, pensou e disparou: “Então foi o seu irmão, o seu primo ou nem foi ninguém”, e avançou sobre o cordeirinho e o comeu! Moral da história: “Contra força, não há argumento!” Foi o que aconteceu com Estêvão.
(2) Nesse universo em que vivemos, sempre haverá pessoas venais – v. 11.
Ou seja, sempre haverá homens e mulheres que se vendem. Certo observador chegou a concluir que “cada homem tem o seu preço”. Sempre haverá os “judas”, os “geazis”, as “herodias”, etc. Desgraçadamente sempre existirão corruptores e corruptos.
(3) As multidões sempre são manipuláveis – v. 12.
É o famoso espírito coletivo. No meio do povo eu faço coisa que jamais faria sozinho. Você nunca fala palavrão, aí vai a um estádio de futebol e daqui a pouco estará xingando o juiz, a mãe dele, etc. É o espírito de “ola” (aquela coreografia feita nos estádios de futebol). É por isso que acontecem os linchamentos. Jesus nunca se impressionou com multidão, pois em uma semana gritou para Ele: “Hosanas ao ReI”, na semana seguinte a mesma multidão gritava a plenos pulmões: “Crucifica-o, crucifica-o!”.
Fora o provérbio latino: “A voz do povo é a voz de Deus”, porque nem sempre corresponde com a realidade.
(4) Nesta vida sempre haverá gente sem escrúpulo – v. 14.
Gente que mente fácil, mente rindo, mente sem sequer tremer os músculos do rosto. Ilustração: Famoso ator mata a colega de profissão e depois ainda vai ao enterro consolar a pobre da mãe!
(5) Haverá sempre pessoas cegas: pelas tradições, cultura, status – v. 15.
Para o bem-estar próprio, eles levam em frente projetos hediondos e perversos até o fim.
Tudo isso que foi dito constituía-se em um pequeno diagnóstico do ambiente terrível em que vivia o nosso protomártir do cristianismo.

2- ESTÊVÃO NOS ENSINA QUE NÃO DEVEMOS DEIXAR QUE A MESQUINHEZ DAS PESSOAS ESVAZIE O NOSSO CONTEÚDO – Atos 7.54
O ambiente em que Estêvão vivia era sujo. Quantos de nós temos que lidar com pessoas sujas de paletó, gravata, celular, computador, carro importado que querem nos deixar tão sujos quanto elas. Estêvão estava cheio, não de ódio, mas do Espírito Santo, e além de ser um grande administrador, era também excelente orador, com profundo conhecimento da Palavra de Deus. Tanto assim que quando foi confrontado por vários grupos antagônicos ao cristianismo, usou uma lógica convincente para refutá-los e defender a fé cristã perante o Sinédrio. Com esse monumental conhecimento do Antigo Testamento, que culminou com uma apresentação resumida da história do povo judeu, ele ainda fez poderosas e desafiadoras aplicações das Escrituras Sagradas. Por esse caminho, sem recuar, Estêvão tinha as seguintes certezas:
1) Ao fazer tais declarações ele estava no centro do controle de Deus;
2) Que os membros do Sinédrio não iriam suportar vê-lo colocar as suas motivações malignas em pratos limpos, pois sentiram-se tremendamente envergonhados e mais do que isso, desmascarados;
3) Ele também sabia que ao fazer aquele discurso tão verdadeiro e tão honesto, estava assinando a sua sentença de morte, mas foi até o fim!

3- ESTÊVÃO OLHOU PARA ALÉM DAS CIRCUNSTÂNCIAS – Atos 7.55,56
O que nos deprime é fixarmos os olhares em nossos problemas excessivamente. O escritor aos hebreus nos aconselha, quando diz: “Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus” (Hb 12.2). Outro personagem ilustrativo é o apóstolo Pedro, quando se propôs andar sobre as águas como Jesus. Enquanto fixou os olhos em Jesus, ele andou alguns passos sobre as águas, mas aí ele se distraiu e começou a olhar o marulhar do mar, o tamanho e o movimento das ondas e começou logo a afundar. Foi quando ele humildemente apelou para Jesus. Estêvão passou a ver além das pedradas, além das brumas e da cerração existentes e aí a sua alma descansou no Senhor. Em 2Reis 6.8-18, o texto diz que Jerusalém havia sido sitiada e o rei da Síria mandou um poderoso exército cercar a cidade. O moço de Eliseu ficou desesperado porque via cavalos, carros e um grande exército prontos para invadir, saquear e arrasar com a cidade. E Eliseu calmamente orou ao Senhor para que abrisse os olhos daquele jovem e ele visse além das circunstâncias, e o profeta ainda lhe disse: “Não temas; porque mais são os que estão conosco do que os que estão com eles” (2 Reis 6.16). E o verso 17 diz que Deus abriu os olhos do jovem e ele viu que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo em redor de Eliseu. O v. 18 diz que Deus cegou todos os inimigos!

PARA PENSAR E AGIR

. O esforço em busca da excelência em pequenas tarefas prepara as pessoas para responsabilidades infinitamente maiores – O personagem em foco podia se acomodar. E ao ser chamado para pregar, dizer não! Isso é trabalho do pastor porque ele “ganha pra isso”. Porém Estêvão levou tão a sério e desempenhou o seu ministério diaconal com tanto brilho que Deus o honrou poderosamente. E você, tem desempenhado com alegria o ministério que lhe foi concedido?
. A verdadeira compreensão a respeito de Deus, por meio de um profundo conhecimento de sua Palavra sempre nos leva a ações práticas e compassivas com as pessoas. Como anda o seu conhecimento bíblico e a que atitudes práticas ele te tem levado?
. Às vezes não entendemos por que crentes bons e consagrados bem como membros de suas famílias passam por sofrimentos atrozes e chegam até à morte e tanta gente irresponsável que leva uma vida medíocre vive com tanta facilidade. É que nessa hora de angústia e dor nunca devemos perguntar a Deus por que acontecem tais coisas, mas para quê; descansemos e confiemos n’Ele porque Ele tem domínio completo da nossa vida e de nossa história.

LEITURAS DIÁRIAS:

segunda-feira: Hebreus 12.1, 2
terça-feira: 2Reis 6.15-17
quarta-feira Romanos 14.7,8; Romanos 8.28
quinta-feira: Atos 6.1-7
sexta-feira: Atos 6.8-15
sábado: Atos 7.1-53
domingo: Atos 7.54-60

FILIPE – O EVANGELISTA SEM PRECONCEITO

TEXTO BÁSICO: Atos 8.1-40

As últimas palavras de Jesus para os seus discípulos foram as seguintes: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado” (Mc 16.15,16). No entanto, ao ser dada essa ordem clara e cristalina, muitos dos seguidores de Cristo se manifestaram relutantes à ideia de deixar o conforto de Jerusalém. Deus, percebendo isso, permitiu que houvesse uma intensa e sangrenta perseguição para obrigar os cristãos a cumprirem as ordens de Cristo, que envolviam Jerusalém, toda a Judeia, Samaria e até os confins da terra (At 1.8).
Como a maior parte dos cristãos era constituída de judeus, coube a Filipe, um dos diáconos responsáveis pela distribuição de alimentos, deixar Jerusalém e anunciar o evangelho por todos os lugares por onde passava, e diferente dos outros pregadores não se limitava ao público judeu, pois colocou em seu coração transpor barreiras étnicas, sociais e ideológicas e foi à busca dos samaritanos. Tomando essa corajosa decisão, percebeu logo que o Senhor estava nisso pela resposta imediata dos samaritanos, que em massa se prontificaram a servir a Jesus.

1- FILIPE E O DESAFIO DE FALAR ÀS MASSAS – Atos 8.1-8
Com o advento da perseguição e a consequente dispersão dos crentes, em meio a lágrimas e sofrimentos, alguns por certo esmoreceram na fé, porém Filipe e toda a sua família começaram a pregar e a falar poderosamente às massas, e segundo o relato bíblico o poder de Deus se manifestou de uma forma descomunal. E os resultados práticos vieram em profusão:
(1) Com a ação evangelizadora de Filipe, a igreja passou a superar obstáculos – vv. 2-4
Eram obstáculos terríveis, pois as esposas viam seus maridos e filhos assassinados, pais viam as filhas violentadas, porém o verso 4 diz que a igreja prosseguia a pregar. Essa é a característica maior de uma igreja cheia do Espírito Santo: nada a detém.
Em nossos dias qualquer probleminha tem sido empecilho para a fé do irmão, para participar das atividades da igreja, qualquer gripe, qualquer resfriado, qualquer pequena enfermidade, ou atrito familiar influencia o ânimo de tanta gente. Para aqueles cristãos, não! Eles contornavam obstáculos: administrativos; morais; materiais e espirituais.
(2) A igreja era desafiada a pregar a Palavra de Deus apresentando Cristo como única esperança – vv. 4, 5.
Filipe cria no poder transformador da Palavra de Deus, que sempre apontava para Jesus Cristo como única esperança para a humanidade. Ele a pregava com entusiasmo porque cria que ela:
a) impedia o homem de continuar pecando contra Deus – Sl 119.11.
b) era lâmpada para os pés e luz para os caminhos da humanidade – Sl 119.105.
c) era como o fogo que queima a palha e martelo que esmiúça a pedra – Jr 23.29.
d) nunca voltaria vazia – Is 55.11.
. Amados, a exemplo de Filipe, prossigamos a pregar com entusiasmo essa Palavra!
(3) Ele cria na capacidade de Deus realizar maravilhas e sinais – vv. 6,7.
Filipe após pregar via Deus expulsando demônios, cegos enxergando, paralíticos andando, surdos ouvindo e falando. E ele, muito diferente dos atuais pregadores de rádio e televisão, atribuía tudo isso a uma ação direta do Espírito, que cremos nós que continua agindo e operando milagres desse tipo em nossos dias, pois saibam que se dermos oportunidades em nossas igrejas, ouviremos vários testemunhos nessa direção. No entanto, somos obrigados a concordar com o teólogo Agostinho quando disse: “O maior milagre da história é apanhar um pecador e fazer dele um santo”. E isso, só Jesus Cristo pode fazer e quer fazer muito mais, basta que continuemos a pregar com entusiasmo e unção do Espírito Santo!

2- FILIPE – O HOMEM DA CIDADE E DO CAMPO – Atos 8.26-40
Vai a gente tentar entender o modo de Deus agir! Em Is 55.8, Deus diz: “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos”.
Tudo isso para justificar o que Deus fez com Filipe, pois segundo o relato bíblico ele estava encantando as massas, multidões se convertendo, milagres mil eram feitos, o povo o carregando nos braços. E de repente Deus dá uma quebrada na história de sucesso dele. Parece que foi um anticlímax, pois Deus, até então, inexplicavelmente, o tira da cidade grande e o envia para um deserto, onde não havia praticamente ninguém! Posteriormente vamos entender que era exatamente lá que Deus o queria. Pois a exemplo de Moisés, Deus queria vê-lo fazendo o seu “doutorado” em pleno deserto.
E lá estava uma alma (um eunuco etíope), precisando ser discipulado. Como “mais vale uma alma do que o mundo inteiro” (Mt 16.26), mais uma vez valeu a pena Filipe concordar com Deus, porque aquele etíope iria inundar o seu país com a mensagem salvífica de Jesus. Passemos a explicitar as credenciais de Filipe como autêntico homem de Deus, que era:
(1)- Pautava a sua vida pela obediência – vv. 25, 26.
Diz a Bíblia que Deus falou, e ele: “Levantou-se e foi”. Tivesse ele a vaidade que tão de perto nos rodeia, aceitaria o desafio de deixar a cidade grande e ir para a roça, será? O mundo está carente de homens e mulheres que obedeçam a Deus, mesmo sem entender muito bem o que Deus está querendo, a exemplo de Abraão, Davi, etc. Aliás, eu ouvi certo missionário dizer que o alfabeto do crente é “OBDC”. A maior irritação de Jesus com alguns de seus seguidores era essa: “E por que me chamais Senhor, Senhor e não fazeis o que digo?” (Lc 6.46). Caso queiramos ser felizes no serviço do Senhor, obedeçamos a Ele.
(2)- Ele era totalmente guiado pelo Espírito Santo – v. 29.
Quem quiser ser usado por Deus para ganhar almas, precisa ser sensível à voz do Espírito. A igreja do primeiro século vivia embalada pelo vento do Espírito Santo (At 16.6-10).
Oswald Smith fez de tudo para ser enviado para missões, sem entender nada, Deus permitiu que ele fosse acometido por uma forte tuberculose, que lhe frustrou o intento. O homem de Deus chorou, chorou, foi para Toronto, no Canadá, e lá fundou a “Igreja dos Povos”, que mais tarde somente ela sustentou trezentos missionários em várias partes do mundo!
Na igreja primitiva, o Espírito Santo era quem dava as ordens (At 13.1-3). Irmãos, soltemos o cabo da nau e nos deixemos ser conduzidos pelo Espírito!
(3)- Filipe abre a boca, e por meio da Escritura Sagrada, anuncia-lhe Jesus – v. 35.
É grande a alegria nossa pelo vasto conhecimento bíblico de Filipe e porque a sua autoridade consistia na Palavra de Deus. Aprendemos com ele também que quando a pessoa de Deus “abre a boca” só pode ser para abençoar; caso contrário, que mantenha a boca fechada!
E como resultado de tudo isso, o eunuco foi salvo, batizado (o batismo não salva, mas é uma prova de que o convertido não se envergonha de testemunhar publicamente que pertence a Jesus), e muitas outras pessoas foram alcançadas para a glória de Deus!

PARA PENSAR E AGIR

. Filipe, a exemplo do colega de diaconato Estêvão, não quis ficar limitado à função de apenas servir às mesas, colocou-se nas mãos de Deus e se tornou um audacioso e intrépido evangelista. Irmão(ã), você tem perguntado a Deus o que é que Ele tem reservado para você? Quem sabe Deus quer aprofundar um pouco mais o seu ministério?
. Impressiona-nos o santo absurdo da obediência de Filipe. No auge de seu ministério na cidade grande, de repente Deus o convoca para um deserto e ele baixa a cabeça e a exemplo de Abraão, sem entender nada, curva-se diante da vontade de Deus, sendo tremendamente usado na cidade e no campo. Que Deus nos torne tão obedientes a sua voz, assim!
. Que Deus continue levantando em nosso meio homens e mulheres com esse nível de comprometimento com o Deus da obra e com a obra de Deus, tal como o nosso bravo evangelista, Filipe!

LEITURAS DIÁRIAS:
segunda-feira: Mc 16.15,16
terça-feira: At 6.1-7
quarta-feira: At 21.8, 9
quinta-feira: At 8.1-8
sexta-feira: At 8.9-13
sábado: At 8.14-24
domingo: At 8.25-40

quarta-feira, 18 de maio de 2011

SIMÃO PEDRO E JUDAS ISCARIOTES: A DIFERENÇA ENTRE O ARREPENDIMENTO E O REMORSO

TEXTO BÁSICO: Mateus 27.1-5; João 21.15-19

O tema nos sugere algumas indagações: por que o Senhor escolheu pessoas tão diferentes para participarem de um projeto tão amplo quanto o seu? Por que o Senhor não os impediu de fracassarem? Quem eram esses homens em foco? Por que os dois simbolizam o arrependimento e o remorso?
De um modo simples e objetivo o texto a seguir se proporá responder a essas inquirições. Só para início de conversa ambos foram escolhidos para ser bênção e não maldição.
Deus não os impediu de fracassarem por causa do livre-arbítrio de que fomos dotados, já na nossa criação. O sopro divino dado em nossas narinas simboliza que Deus não queria se relacionar com robôs, mas sim com homens com plenos poderes de pensar, querer e agir, e Deus comprova isso na sua Palavra (Gn 1.26; 3.22; Mt 16.24; Ap 3.20, etc.).

1- QUEM ERAM ESSES SEGUIDORES DE CRISTO?

Eram seres humanos semelhantes a nós, que receberam o convite de Jesus com o imperativo “segue-me”. Eles aceitaram humildemente o desafio de segui-lo, e durante três longos anos com suas deficiências naturais dos seres humanos cumpriram o prometido.
. Destaquemos os Perfis de Ambos:
(1) Simão Pedro – Filho de João, nascido na Galileia, irmão de André; na vida funcional tornou-se pescador profissional e após o encontro pessoal com Jesus foi imediatamente promovido a pescador de homens. Pelo seu temperamento explosivo e por ter uma forte personalidade foi logo se aproximando de Jesus passando a fazer parte de seu ciclo mais íntimo de amizade, tornando-se assim um dos seus maiores parceiros de oração. Por ser um homem destemido, corajoso e audacioso começou logo a ser apontado pelos seus próprios colegas de apostolado como líder do ministério, tanto assim que, graças às suas intervenções em nome do grupo, Jesus Cristo nos brindou com ricos e preciosos ensinamentos que por certo marcarão para sempre as nossas vidas. Assim sendo maravilhosas páginas da Bíblia passaram a existir em respostas às frequentes inquirições desse irrequieto apóstolo.
Como se não bastasse, ele mesmo contribui com o seu lado escritor com duas cartas neotestamentárias (1 e 2 Pe) e na visão de alguns estudiosos ele teria assessorado com muita eficiência João Marcos na sistematização de seu evangelho.
(2) Judas Iscariotes – Filho de Simão, provavelmente nascido na cidade de Queriote, na Judeia, tornando-se assim o único discípulo de Jesus que não era Galileu. Por certo isso já o deixava constrangido, e pelo seu sotaque sulino deveria sentir algumas rejeições do grupo. No entanto, pela sua formação técnica em contabilidade e a maneira como administrava a sua vida pessoal, os colegas perceberam que ele seria uma pessoa ideal para o cargo e o elegeu tesoureiro do grupo, e isso lhe deu mais respeitabilidade.
Judas não participava muito do ciclo de oração. Imaginamos que enquanto os colegas estavam orando ele dava uma desculpa de não poder estar junto para cuidar dos papéis da contabilidade. Ele também falava muito pouco e quando falava era para defender as finanças do grupo. Observa-se que ele tinha uma certa fixação por dinheiro: “então, um dos seus discípulos, Judas Iscariotes, filho de Simão, o que havia de traí-lo, disse: por que não se vendeu este unguento por trezentos dinheiros, e não se deu aos pobres?” (Jo 12.4,5).
Judas era ambicioso e como muitos de seus colegas tinha uma ideia distorcida do ministério de Jesus, por pensar em um reino político aqui na terra. Ao perceber que Jesus levava a sério o discurso de que o seu reino “não era deste mundo”, ele ficou frustrado, infeliz, ressentido, amargurado e ao perceber que Jesus a cada dia se encaminhava para a cruz, permitiu que Satanás entrasse em seu coração: “Entrou, porém, Satanás em Judas, que tinha por sobrenome Iscariotes, o qual era do número dos doze. E foi e falou com os principais dos sacerdotes e com os capitães de como lho entregaria” (Lc 22.3,4).
E pensando assim, vendo que o barco estava afundando, resolveu fazer a sua independência financeira decidindo-se a vender Jesus por trinta moedas de prata e, para efetuar o seu intento maligno, usou o beijo, que até então era símbolo de amor, carinho e ternura entre os seus pares, e o transformou em traição.
Mesmo depois deste perverso pecado, Jesus ainda lhe deu chance para recuperar-se, porém frustados os seus esforços, Judas caminhou para o fim de um covarde – o suicídio.

2- AS SEMELHANÇAS E AS DIRERENÇAS ENTRE ARREPENDIMENTO E REMORSO

A Bíblia diz que, durante os três anos de ministério de Cristo aqui na terra, tanto Pedro como Judas tiveram erros e acertos, porém na fase final, perante o Calvário, ambos se excederam em maldades, com Pedro o negando triplicadamente, um vexame, uma vergonha para o evangelho, ao passo que Judas em nome de sua suposta independência econômica traiu Jesus, trocando-o por dinheiro. Só que Pedro se recuperou e transformou-se em canal da graça de Deus, e Judas se depravou, se deteriorou de tal modo que a saída foi a morte. Será por que ambos cometeram esses hediondos pecados e tiveram fins diferentes? Acontece que o primeiro se arrependeu de verdade, e o outro teve apenas uma crise de remorso. Passemos a estudar os termos:

(1) Semelhanças entre Arrependimento e Remorso
1) Ambos surgem por reconhecimento de que cometemos um grande erro – Judas apenas se entristeceu por ter traído um inocente; Pedro chorou amargamente e se voltou para Jesus.
2) Ambos produzem tristeza pelo erro cometido – o remorso traz tristeza ao coração e no caso de Judas por mais que ele se depravasse, foram três anos andando, dormindo, comendo com Jesus, vendo milagres acontecerem, demônios sendo expulsos, ouvindo pregações como o Sermão do Monte e outros, tudo isso não permitia que sua consciência fosse cauterizada. Daí a tristeza invadiu o seu coração; enquanto que o genuíno arrependimento nos leva a ter dor de alma e nos voltarmos para quem realmente pode nos ajudar, Jesus.
(2) As Diferenças entre Arrependimento e Remorso
É importante que nos fixemos neste ponto, porque é possível que as igrejas estejam lotadas de crentes que nunca avançam na vida cristã, criam dificuldades para os pastores e líderes, estão sempre mal-humorados, infelizes, reclamando de tudo e de todos não porque sejam más pessoas, mas simplesmente estão na igreja há tempo, ocupam ou já ocuparam cargos de liderança, porém nunca tiveram uma experiência real de arrependimento de pecados. Tais pessoas vivem em constantes remorsos. Sempre quando ouvem uma mensagem de um pregador desconhecido, atendem aos apelos em lágrimas, ajoelham-se na plataforma do templo, fazem votos dramáticos visando a aperfeiçoarem a vida cristã, e o tempo passa e nada de novo acontece. Atentemos, pois, para essas diferenças:
1) Quem tem um mero remorso tenta resolver sozinho os seus problemas, mas quem se arrepende de verdade reconhece a sua incapacidade e sem titubear se volta para Jesus – Mt 26.75; Mt 27.3-5.
2) Quem tem um simples remorso acha que pode fazer uma maquiagem no pecado, mas quem se arrepende suplica de Deus uma transformação radical.
3) Quem tem apenas remorso entra em pânico quando fracassa, mas quem se arrepende chora os seus pecados e aceita o socorro divino – Mt 27.5; Jo 21.15-19.


PARA PENSAR E AGIR

. Qual de nós nunca teve pânico? Qual de nós já conviveu, está convivendo ou conviverá com problemas insolúveis aos olhos humanos? Mas é exatamente nessas horas que precisamos estar certos de que somos verdadeiramente convertidos, arrependidos de nossos pecados, desprezar radicalmente o desespero, o descontrole de Judas e nos apegar ao bom exemplo de Pedro, que falhou, é verdade, mas teve a coragem de: a) admitir a sua impotência; b) reafirmar o seu amor por Jesus, dando-lhe liberdade para agir em sua vida; c) em nenhum momento abrir mão da vida, que é essa preciosidade que o Senhor nos deu.

LEITURAS DIÁRIAS:

segunda-feira: Lc 6.12-16
terça-feira: Mt 26.75
quarta-feira: Rm 5.1-11
quinta-feira: Sl 139.23,24
sexta-feira: Is 6.1-8
sábado: Lc 18.9-14
domingo: Mt 27.1-5; Jo 21.15-19

quinta-feira, 12 de maio de 2011

MARTA E MARIA – A CRISE DO IMPORTANTE E O NECESSÁRIO

TEXTO BÁSICO: LUCAS 10.38-42

Este tem sido o dilema que todo ser humano enfrenta, e o cristão não foge à regra que é a crise de saber quais as coisas importantes e as necessárias. Inicialmente precisamos nos conscientizar de que esse é um drama que vivemos e que envolve o nosso avanço ou retrocesso na vida.
Em seguida temos que envidar esforços para resolver esse dilema, sobretudo pedindo a ajuda de Deus para que saiamos dele com rapidez, evitando assim o transtorno em nossas vidas espirituais. O texto em foco mostra Jesus chegando à pequena cidade de Betânia, onde uma família super-hospitaleira. formada por Marta, Maria e Lázaro, o aguardava cheia de expectativas.

1- A MARTA E SEUS MUITOS AFAZERES DOMÉSTICOS (IMPORTANTE)

Por certo Marta por ser a irmã mais velha exercia uma liderança natural sobre Maria e Lázaro, e como boa mulher judia queria sempre manter a sua casa à altura de seus hóspedes, cuidando de todos os detalhes para manter a casa confortável, porém deixava os demais membros da família desconfortáveis. Por ter esse tipo de temperamento ela não relaxava enquanto não via tudo em ordem e, por conseguinte, não podia apreciar devidamente a sua visita, por mais especial que fosse. Tudo isso que Marta fazia era importante, mas dar atenção àquela ilustre visita era muito mais importante ainda.
(1) Marta e sua frustração – Foi tão intenso o seu estresse por querer colocar os afazeres em ordem que ela esbravejou com o próprio Jesus, dizendo: “... Senhor, não te importas que minha irmã me deixe servir só? dize-lhe pois, que me ajude” (v. 40b).
Agindo com essa irritação toda, Marta comete quatro equívocos:
1) É deselegante com Jesus, acusando-o de omisso por aceitar aquela vida contemplativa da irmã adoradora;
2) Insinuava dar ordem para Jesus – “... dize-lhe pois...”, tornando-se bem parecida com os modernos evangelistas que ocupam a mídia falada, escrita e televisada, quando dizem: “Eu ordeno a cura”; “Eu reivindico tal coisa de Deus”, etc.;
3) Envergonha publicamente um membro da família (Maria);
4) Ela demonstrou que não sabia discernir as coisas importantes das necessárias;
* Lição: Temos que controlar o nosso temperamento, evitarmos murmurações e entendermos que o próprio Senhor Jesus disse: “Porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” (Mc 10.45).
. A postura de Cristo: Ele não destratou Marta pelo seu estresse. Também não chamou Marta de incrédula. Ele apenas gentilmente chamou a sua atenção para que ela corrigisse as suas prioridades.
(2) Maria escolheu prostrar-se aos pés de Cristo (necessário)
Até hoje saber fazer escolha é um desafio. Tudo isso porque lamentavelmente grande parte dos problemas que enfrentamos é fruto de uma escolha precipitada quer seja na vida pessoal, vocacional, sentimental, ou nas oportunidades que se nos apresentam. Em uma sociedade da época do “self service” em que somos confrontados por mil opções, fazer escolhas se tornou ainda muito mais difícil. Daí a valorização ainda maior da opção de Maria, porque ela rejeitou as más escolhas, rejeitou as escolhas razoáveis e até as boas e optou pela melhor, e recebeu os aplausos do próprio Jesus.
Às vezes nos especializamos em tantas coisas, quando uma só é necessária. O apóstolo Paulo em um mundo cheio de opções, que lhe oferecia um enorme cardápio de atividades, parou e disse: “... mas, uma coisa faço: é que esquecendo das coisas que atrás ficam e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo...” (Fp 3.13b e 14a).

2- MARTA E MARIA VOLTAM À CENA NA HORA DE UMA GRANDE TRAGÉDIA: A MORTE DO IRMÃO, LÁZARO – João 11.1-44

Era um quadro terrível, extremamente doloroso, pois o único varão da família experimentara a morte. E a morte é sempre muito radical porque nos priva da companhia das pessoas que tanto amamos. E elas tinham paixão pelo irmão caçula! E o mais grave é que aquela família era amicíssima de Jesus e profundamente amada por Ele! E naquele momento de dor as duas irmãs queridas aprenderam algumas lições que as acompanharam por toda a vida:
1) O ato de serem crentes, consagradas e amadas pelo Senhor (v. 5) não as imunizava de passarem por dores e sofrimentos atrozes.
2) Que a suposta demora de Deus em atender orações não significa a indiferença d’Ele às suas angústias e tempestades pessoais.
3) Deus só age no tempo d’Ele e para a glória d’Ele.
- O agir de Jesus com Marta e com Maria
1) Marta – com aquele seu temperamento mais extrovertido, ao perceber a chegada de Jesus, saiu imediatamente ao seu encontro e, premida pela forte emoção e sensação de perda, abraçou Jesus e foi logo dizendo: “Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido, mas agora eu sei que tudo quanto pedires a Deus, Deus to concederá” (v.21).
Estas palavras de Marta não constituem nenhuma reprovação a Jesus, pelo contrário, revelam Fé e Esperança de que, mesmo em circunstâncias adversas, o milagre ainda podia acontecer.
E, por meio deste extravasamento de emoções de Marta, ela extraiu de Jesus uma das expressões mais consoladoras da Bíblia, quando Ele disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (v. 25).
2) Maria – embora sofrendo horrores, porém mais introvertida, falando pouco, mas com acerto, tremendamente consternada, respeitosamente só se aproximou de Jesus quando convidada, sendo Marta a porta-voz de Jesus quando lhe disse: “O Mestre chegou e te chama” (v. 28b). Ela era mulher extraordinária, que não hesitava em ouvir e obedecer à voz de Deus: “e ela ouvindo isso, levantou-se e logo foi ter com Ele” (v. 29). O v. 32 destaca o lugar em que Maria mais se sentia bem: aos pés de Cristo! Faz um discurso semelhante ao da irmã mais velha, mas pela sua intimidade com Deus, usou um tom de voz diferente, assim quero crer pela reação de Jesus. Isso porque, ao ouvir o emocionadíssimo discurso de Maria, Jesus não se conteve, deixando fluir a sua mais genuína e pura humanidade, que nos ensejou deleitar com o versículo da Bíblia: “Jesus chorou” (v. 35).
Quanto à ressurreição de Lázaro, foi mais uma prova inequívoca do absoluto poder de Deus que tem sob o seu domínio: o pecado, o inferno e a própria morte: “Onde está, ó morte, o teu aguilhão? onde está, ó inferno, a tua vitória?” (1Co 15.55).
E a certeza de que o nosso Deus pode transformar tragédia em bênçãos: “Muitos, pois, dentre os judeus que tinham vindo a Maria e que tinham visto o que Jesus fizera creram nele” (v. 45); Rm 8.28: “e sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por seu decreto.”


PARA PENSAR E AGIR

Marta e Maria eram bem diferentes, é verdade: Uma era extrovertida, a outra introvertida; uma era impulsiva, a outra reflexiva; uma era um pouco agressiva, passional, a outra amorosa; uma era um pouco mais explosiva, faladeira, a outra mais contida e de poucas palavras, etc.
Uma pergunta: com qual das duas você se identifica? Antes de dar a resposta saiba que ambas eram cristãs verdadeiras, ambas serviram a Jesus com denodo e ambas foram bênçãos na vida e no ministério de Jesus. E Cristo individualizou o tratamento dado às duas, porque eram diferentes, e saber conviver com as diferenças era uma especialidade de Jesus, tanto assim que ao dizer “Marta, Marta!”, Jesus não deu uma dura repreensão nela, apenas se propôs redimensionar o ministério dela.
. Diante do dilema quanto ao importante e o necessário – Resta-nos pedirmos a Deus o dom do discernimento para que não permitamos que o diabo nos atropele com as coisas Importantes, que geralmente são abundantes (tais como almoçar fora, visitar parentes e amigos, excesso de lazer, etc), em detrimento das coisas Necessárias (tais como orar, ler a Bíblia, cuidado com a vida devocional da família, etc). E para respaldar tudo isso, é o próprio Senhor Jesus quem diz: “Buscai primeiramente o reino de Deus e todas essas coisas vos serão acrescentadas” (Lc 12.31).

LEITURAS DIÁRIAS:
segunda-feira: Fp 3.13,14
terça-feira: Jo 11.1-10
quarta-feira: Jo 11.11-22
quinta-feira: Jo 11.23-35
sexta-feira: Jo 11.36-46
sábado: Jo12.1-11
domingo: Lc 10.38-42

terça-feira, 10 de maio de 2011

Alegrei-me quando me disseram vamos a Casa do Senhor


Estamos como diz a diaconisa Elaine: "respirando" o mês da família. Ainda, que essa respiração possa ser ofegante, em meio ao cansaço da correria do dia à dia conseguimos dar um jeitinho para estar na Casa do Senhor. Há quem diga conseguir nela renovar suas forças ou até mesmo as baterias. Em nossa igreja, Deus têm nos dado o privilégio em meio a tantas dificuldades promover a comunhão com muita alegria. O salmista no salmo 122.1 nos ensina que deve ser prazeroso estar na casa do Senhor. Não obstante queria poder compreender os casos contrários, ou seja pessoas extremamente mal humoradas, sem qualquer tipo de compaixão e bondade. Mas, não vamos perder a esperança, pois precisamos clamar ao Senhor da Igreja que haja um grande avivamento em nossas igrejas. Sabemos que para isto aconteça existem princípios: Oração, estudo da palavra e arrependimento, e se não for assim fica difícil. Estamos no mês da família e a nossa vontade é ver estas aos pés do Senhor reconhecendo o seu poderio. Igreja é a assembléia dos santos, onde a família se encontra para louvar ao Senhor. Estamos construindo famílias positivas em um mundo negativo. Nos alegre com a sua presença. Te esperamos... IBEC

quarta-feira, 4 de maio de 2011

JOÃO MARCOS – O JOVEM QUE SOUBE APROVEITAR A SEGUNDA CHANCE

Atos 15.36-41

Diz certo provérbio popular que “Errar é humano, persistir no erro é ignorância”. Infere-se aí que só os humanos são sujeitos a erros; os irracionais nunca erram, pois seguem os seus instintos naturais. Salomão, no alto de sua sabedoria, concluiu ao se referir ao crente: “Porque sete vezes cairá o justo e se levantará; mas os ímpios tropeçarão no mal” (Pv 24.16). Tudo isso nos ensina que é possível, mesmo sendo um servo de Deus leal e fiel, experimentar alguns fracassos. Digo isso para me referir a outros heróis bíblicos, que tiveram tais experiências, mas o destaque especial é para o nosso personagem em foco: João Marcos, filho de uma das Marias da Bíblia, convertido a Jesus pela influência do apóstolo Pedro, que segundo a tradição se transformou em seu “pai na fé”, primo de Barnabé, teve sua vida cristã e seu ministério duramente questionado quando cometeu duas falhas públicas: quando fugiu praticamente despido na ocasião em que Jesus foi preso (Mc 14.51,52), e quando inexplicavelmente abandonou o campo missionário capitaneado por Paulo e Barnabé (At 13.13). Porém o que enche o nosso coração de alegria é que esse jovem recuperou-se em tempo, seguiu os conselhos dos experientes Pedro e Barnabé, retomou a sua carreira ministerial, tornando-se o autor do evangelho que leva o seu nome, e terminou os seus dias sendo um dos mais expressivos auxiliares de Paulo em seu ministério – 2Tm 4.11b.

1- A CASA DE SUA FAMÍLIA FOI TRANSFORMADA EM UM LUGAR DE ORAÇÃO – Atos 12.9-17

Em plena época de perseguição, quando ser cristão era colocar a vida em risco, época em que os crentes eram caçados, julgados ilegalmente, condenados aos castigos mais vis, mais dolorosos e mais humilhantes possíveis, no relato de At 8 os crentes eram barbarizados, maridos e pais viam suas esposas e filhas serem estupradas sem dó nem piedade, e, para culminar com esse massacre, Tiago, irmão de João, tinha sido morto à espada, e Pedro, com terrível sofreguidão aguardava a sentença fatal, pois Herodes percebeu que a morte de Tiago lhe tinha dado prestígio. Pedro, sem sombra de dúvida, seria a próxima vítima. A Bíblia relata: “Pedro, pois, era guardado na prisão, mas a igreja fazia contínua oração por ele” (At 12.5). E esta casa onde os cristãos se concentravam para orar era a dos pais de Marcos. Desafiando a tudo e a todos, a família abria a sua ampla residência para as mais ferventes e calorosas orações. Entende-se então que esse jovem cresceu em um lar que levava a sério o ministério da oração. E a sua casa, irmão(ã), é aberta à oração? Os seus filhos precisam contemplar a vida de oração de sua família.


2- O JOVEM QUE FRACASSOU NO CAMPO MISSIONÁRIO – Atos 12.25; 13.13

O texto diz que Barnabé e Paulo haviam encerrado suas atividades em Jerusalém e agora com muita expectativa se preparavam para realizar a primeira viagem missionária, voltada para os gentios, incluindo importantes cidades, como Antioquia, Icônio, Listra, Derbe, etc. Enquanto Barnabé e Paulo se envolvem com outros trabalhos preliminares pregando, ensinando, curando tudo em nome de Jesus, ao saírem de Pafos e chegarem a Perge da Panfília, perceberam que João Marcos tinha desertado, voltando inexplicavelmente para Jerusalém. Esse fato irritou profundamente o apóstolo Paulo, que ainda meio novato na fé não aceitava falhas de gente separada por Deus, como veremos posteriormente.
Este fato acontecido nos chama a atenção para a seguinte inquirição: Quais teriam sido os motivos que levaram o jovem pregador a desistir de fazer a obra missionária naquela circunstância?
A Bíblia não diz claramente os motivos, porém podemos especulá-los:
1) Entendemos ser por causa de sua total inexperiência com Deus – embora fosse ele uma pessoa convertida, não havia experimentado pessoalmente o Deus ajudador, consolador, supridor de carências, e ao não ter obtido respostas satisfatórias para algumas de suas orações, ele desistiu de ser missionário.
2) Podemos também inferir que por ser muito jovem foi vencido pelas saudades da família, o conforto de sua bela casa e o companheirismo de seus parentes e amigos.
3) Também podemos entender que a própria aspereza do campo, os confrontos com as trevas tenham minado a vocação do jovem servo.
O que aconteceu com Marcos acontece com frequência no seio da igreja com algumas desistências na fé e também na área ministerial. Compete às igrejas orarem fervorosamente para que o Senhor mantenha os soldados de Cristo em seus postos de combate!

3- MARCOS E A SUA SEGUNDA CHANCE – Atos 15.36-39; 2Timóteo 4.11

Paulo, agora, mais estruturado, prepara a sua segunda grande viagem missionária, incluindo em seu roteiro: Roma, a região da Macedônia, Corinto etc. Quando estava tudo já preparado para a saída, com a empolgação de Paulo em rever alguns irmãos confirmando-lhes a fé e abrir novos campos missionários, chega Barnabé trazendo João Marcos para integrar a equipe missionária. Paulo, que não tinha a capacidade perdoadora de Barnabé, se posicionou completamente contrário à inclusão de João Marcos em sua equipe de trabalho. Esse episódio colocou em confronto os dois gigantes da obra missionária: Paulo e Barnabé. Este, por sua vez, usando toda a sua experiência em lidar com gente, não permitiu que o diabo usasse esse pequeno cisma para atravancar a obra missionária: fez uma dupla com João Marcos e sabiamente restaurou o seu ministério, e por certo orou com fervor para que Deus levantasse Silas para formar agora dupla com Paulo, e o trabalho missionário não ficasse prejudicado.
Quanto a João Marcos, uma vez restaurado por Barnabé, aproveitou a segunda chance que lhe foi dada e daí para frente teve um ministério vitorioso, pois saiu do fracasso para o sucesso.
Marcos – o autor de evangelho que leva o seu nome.
Sem ter o brilho de um Paulo, ou um Pedro, Marcos foi um destaque do meio cristão quando escreveu o evangelho que leva o seu nome.
A tradição diz que ele se assessorou de Pedro para escrever com mais clareza fatos que mostravam o Senhor Jesus como servo do Senhor, com destaque para o dizer do próprio Cristo: “Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” (Mc 10.45).
Em seu evangelho, que é o menor de todos em extensão, mas não em conteúdo, ele prossegue mostrando que Cristo cumpriu literalmente todas as profecias a seu respeito, tais como Is 42.1-5; 49.1-7; Sl 50.4-11.
Marcos também enfatiza os milagres de Jesus, apontando-o como o Filho de Deus.

PARA PENSAR E AGIR

A vida de João Marcos nos ensina a refletir profundamente sobre a nossa atitude com as pessoas que enfrentam alguns fracassos na realização da obra do Senhor. Mesmo porque na vida espiritual o fracasso nunca foi um problema: o problema é permanecer derrotado, caído a vida toda. Caso o fracassado não tivesse mais jeito, não teríamos Jacó, um dos maiores patriarcas; não teríamos Davi, o maior musicólogo, o maior compositor de todos os tempos; não teríamos o grande pregador neotestamentário, que foi o apóstolo Pedro, e consequentemente não teríamos o grande evangelista João Marcos.
O ideal mesmo seria que fôssemos iguais a Enoque, que de tão santo que era foi trasladado, para não provar a morte. A nossa oração deve ser a seguinte: Ó Deus, já que não conseguiremos ser iguais a Enoque, faze-nos pelo menos ser semelhantes a João Marcos!
. João Marcos soube aproveitar a segunda chance que Deus lhe deu, e nós, temos sabido aproveitar as inúmeras oportunidades que o Senhor nos tem dado? Que Deus nos ilumine na resposta a esta pergunta!

LEITURAS DIÁRIAS:

segunda-feira:... Mc 14.51,52; At 12.25
terça-feira:... At 13.13; At 12.9-17
quarta-feira:... Fm 1.22-24
quinta-feira:... Cl 4.10
sexta-feira: ...2Tm 4.11
sábado: ...1Pe 5.13
domingo:... At 15.36-41

Quem sou eu

Minha foto
Igreja Batista Ebenézer. Uma igreja que AMA você!